Kimi Raikkonen é um caso de estudo na F1. A sua postura pouco interessada e aborrecida quando tem quando fala com jornalistas ou fãs até, poderia valer-lhe alguma impopularidade, mas a realidade e diametralmente oposta e Kimi tem uma legião de fãs fieis que admiram o Iceman. Na verdade, essa admiração ultimamente resume-se apenas ao carácter do piloto pois em relação às prestações, as coisas não têm sido famosas.
2017 foi mais um ano à imagem do que tem sido desde o seu regresso à Ferrari… pouco brilhante. Antes de continuar devo admitir que não sou propriamente um fã de Kimi (embora algumas das suas respostas já me tenham feito rir bastante) mas reconheço a qualidade e o talento do finlandês que se estreou na F1 em 2001, com a Sauber, mas depressa se mudou para a McLaren, que procurava na altura um substituto para Hakkinen. Ficou na equipa de Woking até 2007 onde conquistou 9 vitórias e 2 vice-campeonatos.
Em 2007 mudou-se para a Ferrari e graças a isso sagrou-se campeão nesse ano, com 6 vitórias. Subiu mais 3 vezes ao lugar mais alto do pódio de vermelho até que em 2009 o seu lugar foi ocupado por Fernando Alonso. As negociações com a McLaren e a Mercedes falharam e com a apenas a Toyota interessada, decidiu abandonar a F1. Andou pela NASCAR e pelo WRC até que em 2012 regressou ao Grande Circo, pela a Lotus, onde voltou a ser o Iceman, com um 3º lugar final em 2012 e 5º em 2013 mas com uma vitória mais no seu CV. A vontade de sair para a Ferrari e a suposta falta de pagamentos da equipa durante esse ano azedou a relação entre as duas partes e as ultimas corridas foram tensas.
A mudança para a Maranello fê-lo encontrar o responsável pela sua saída da equipa em 2009. Fez dupla com Alonso, mas o espanhol tinha a equipa sob seu controlo, e mostrou muito mais capacidade, enquanto Kimi lutava com um carro que não estava minimamente adequado ao seu estilo de condução. Foi apenas 12º no final do campeonato de 2014 (Alonso foi 6º) altura em que soube que teria Vettel como companheiro de equipa. Kimi conseguiu mostrar mais em 2015, mas foi novamente suplantado pelo colega de equipa, algo que tem sido recorrente.
Kimi não tem conseguido impor-se e a forma que exibiu na Lotus nunca mais foi vista. Nessa fase Kimi era Kimi… um piloto rápido, implacável na defesa do seu espaço, provavelmente um dos melhores pilotos nesse aspeto, e muito eficiente. A Ferrari foi a casa onde ganhou o seu titulo, mas curiosamente foi onde teve também as piores prestações.
Neste ano a diferença de andamento em certas corridas foi por demais evidente, tal como na última prova. Conseguiu 7 pódios é certo, mas a vitória escapou-lhe novamente. Em qualificação foi completamente arrasado por Vettel, que ficou à sua frente por 15 vezes (a diferença média de tempo dos pilotos foi de 0.275 seg) e em corrida o score é ainda pior com 17-3 a favor do recém-coroado vice-campeão. Com 205 pontos marcados, ficou a 100 pontos de Bottas e 112 de Vettel. Não é uma época fraca a nível de resultados, mas tendo em conta o que se espera de um piloto como Kimi (e o que Vettel conseguiu), há algum desapontamento.
Kimi tem mais um ano de contrato com a Scuderia, mas parece que a equipa está à espera do alvo ideal para a vaga do finlandês. Perez poderia ser uma opção, mas por algum motivo não se materializou até agora e não parece que vá acontecer, algo que poderá estar relacionado com o contrato de Ricciardo que acaba no próximo ano. Há também um jovem prodígio chamado Leclerc que começa a dar que falar e que está sob a alçada da Scuderia. Seja como for, parece que Kimi é a solução que agrada a Vettel, mantendo uma harmonia essencial para fazer crescer a equipa. Kimi Raikkonen deixou já a sua marca na história da F1, e esperemos que consiga regressar às vitórias em 2018 e assim podermos ter mais um momento de entusiasmo típico, nem que seja por uma última vez.











