Quem diria antes do começo dos testes desta temporada de Fórmula 1 que ao cabo de seis corridas as coisas estariam no ponto em que estão, com Lewis Hamilton a 25 pontos do líder do campeonato. Não que isso sejam número irrecuperáveis, muito longe disso, mas há uma questão que está a preocupar fortemente os homens da Mercedes, os pneus.
Depois de na primeira sessão de treinos-livres se ter mostrado competitivo, o Hamilton nunca mais se conseguiu entender com os pneus Pirelli nas ruas monegascas. O tricampeão mundial não conseguiu colocar os ultramacios a funcionar corretamente durante a qualificação e a sua prestação parecia um desastre à espera de acontecer, que foi concretizado quando na Q2 se mostrou incapaz de realizar uma volta que o levasse até à Q3. Na corrida esteve melhor, conseguindo guindar-se desde o 13º posto até ao 7º lugar ao passar a bandeira de xadrez, mas o mal estava feito e viu Vettel distanciar-se no comando do campeonato de Pilotos. Mais preocupante para Hamilton é o facto de, sempre que a Mercedes tem dificuldades com os pneus, ser Bottas o mais rápido do duo, tal como já tinha acontecido no Grande Prémio da Rússia, vencido pelo finlandês.
Apesar do Mónaco ser um pista única a Mercedes sabe que isto não é caso único, e daí a urgência. O grande problema é que a Mercedes não tem um carro equilibrado o suficiente nos “quatro cantos” que permita tratar os pneus da mesma forma e tendo em conta que a Mercedes neste momento tem que “dar ao pedal” porque tem um adversário à altura, isso está a notar-se. Em declarações ao Motorsport, Valtteri Bottas explicou na perfeição o que se passa com os pneus dos Mercedes: “ Estamos a lutar com o equilíbrio do carro, especialmente nas curvas lentas. A estabilidade da traseira do carro é má e sem essa estabilidade não conseguimos também por suficiente energia nos pneus da frente. Ao termos que ser mais cuidadosos com a traseira também não ‘forçamos’ os pneus da frente. Se tivéssemos mais velocidade, os pneus teriam mais temperatura. Ao que parece, a Ferrari conseguiu este equilíbrio e nós não” disse Bottas.
Na verdade, a Mercedes teve azar, porque os pneus deste ano não têm um ponto claro no seu pico de performance, mas sim um curva que durante um bom bocado quase toca esse pico e pelos vistos os Ferrari aproveitam bem essa margem, enquanto os Mercedes trabalham bem numa faixa muito mais estreita. Pelo que se sabe, a Mercedes deverá voltar a ter problemas no Canadá, (e também Baku) se não reagir até lá, mas já em Silverstone e Spa isso não sucederá.










