É perfeitamente compreensível que sendo companheiros de equipa no único carro que nos últimos três anos esteve em condições de vencer campeonato na Fórmula 1, o Mercedes, que Lewis Hamilton e Nico Rosberg dificilmente possam ser os melhores amigos do mundo, pois o que eles queriam era bater-se mutuamente e por isso não é de estranhar que a sua relação dos últimos anos tenha sido marcada por esse facto. É sabido que o seu caminho começou por se cruzar há dezoito anos, quando passaram a correr nas mesmas competições e daí para cá, desde o karting, foram muitas as corridas em que se defrontaram. De início nem sequer eram eles que ocupavam o topo das contendas, mas com o passar do tempo, cada vez mais isso foi uma realidade e quando chegaram à F1 e posteriormente à mesma equipa, as coisas agudizaram-se muito.
Repare-se que Hamilton foi Campeão do Mundo pela primeira vez em 2008, apenas dois anos depois de ter chegado à modalidade e Rosberg só em 2012 venceu pela primeira vez um corrida, e só em 2014 lutou pelo título. Foi campeão este ano… e foi embora: “É tudo muito simples, cheguei ao topo, ao cume do Everest na Fórmula 1. Consegui o que queria, realizei um sonho em que me tinha inspirado no meu pai, também conseguiu vencer em Monte Carlo, que é a minha casa e por isso estou satisfeito. O sonho era vencer uma vez e não cinco! Não tenho qualquer arrependimento com a escolha. Quero ser um marido mais presente e agora até posso voltar a ser amigo do Lewis (Hamilton)”, disse Rosberg numa sua recente deslocação a Itália, para receber um prémio. Esta última declaração é curiosa, pois eles foram grandes amigos no passado, chegavam a passar férias juntos – recorda-se do tweet colocado por Hamilton a dar os parabéns a Rosberg? Na foto, estavam juntos de férias na Grécia – e por isso, o que Rosberg diz agora faz todo o sentido, porque entre eles desaparece o que os afastava cada um para o seu canto. Há laços que não se quebram mesmo que por muito tempo tenham estado afastados, cada um a tratar da sua vida.








