De acordo com informações oriundas de Itália, a Ferrari decidiu cancelar tradicional almoço de Natal, alegadamente em virtude de “não ter nada para celebrar”. Depois de um ano de 2016 muito abaixo do esperado, pelos vistos, em Maranello, é hora de deitar mãos à obra e nada de ‘festejos’. Não é novidade para a Ferrari muitos anos seguidos sem títulos, mas depois de um ano de 2014 claramente afetado pelo que a Mercedes conseguiu ter no seu conjunto, basicamente imbatível, em 2015 renasceu um pouco a esperança de melhoria, com três triunfos à mistura, e por isso pensava-se que este ano os italianos iriam bater-se melhor com a Mercedes, mas o que se viu foi os homens da Scuderia afundarem-se cada vez mais.
Maurizio Arrivabene nada tem conseguido fazer para dar a volta ao texto, e já não vai durar muito tempo no cargo que ocupa. Quem pensou nele para o lugar que ocupa esqueceu-se que alguém que vem do marketing dificilmente sabe o que é estar à frente duma equipa de F1. A juntar a isso, James Allison foi afetado por uma tragédia pessoal, com a morte da mulher, e depressa se foi embora para Inglaterra, deixando a Scuderia órfã na parte técnica, e sem terem para já conseguido reformular o que quer que seja em Maranello, para o ano espera-se mais do mesmo, ou ainda pior.
Sebastian Vettel só tem dececionado, mais uma corrida e termina o ano sem vitórias, e até já perde para Kimi Räikkönen e por tudo isto, a Ferrari está a viver uma das mais duras épocas dos últimos anos. Maurizio Arrivabene diz que “Não preciso de ajuda de ninguém para liderar o departamento de competição da Ferrari. Tenho centenas de pessoas que trabalham perto de mim. Temos um grupo técnico liderado pelo Mattia Binotto. São elementos com uma grande paixão e que trabalham bem em conjunto. Por isso temos uma equipa”.
O presidente da Ferrari Sergio Marchionne está determinando em deixar para trás um ano de 2016 difícil para a equipa: “Não estamos contentes com os resultados, mas vamos em frente à procura de recuperar. Queremos terminar a época da melhor forma possível, mas é crucial que a nossa ambição seja sermos novamente competitivos no próximo ano”.
Ainda não há muito tempo, Flavio Briatore revelou ser de opinião que um dos problemas da Ferrari, que não tem conseguido reunir equipas técnicas que coloquem os seus carros na luta pelas vitórias passa pelo facto de estar sediada em Itália e não em Inglaterra: “Eu colocaria um belo edifício entre a Red Bull, McLaren e a Williams” disse Briatore. Agora, Piero Ferrari, o único filho vivo do fundador da Ferrari, Enzo Ferrari, alinhou-se com o presidente Sergio Marchionne ao insistir que a equipa deve permanecer completamente italiana: “Nunca é fácil gerir uma equipa que tem mais de 1000 funcionários, há sempre problemas de organização, mas agora estamos na direção certa”. Nos anos 80, a Ferrari teve uma base em Inglaterra, liderada por John Barnard, mas Piero Ferrari explica porque foi um erro: “Sabem o que continua a ser o meu maior arrependimento? Foi convencer o meu pai que precisávamos de um grande designer do exterior. Barnard nunca interagiu connosco e com a nossa cultura, e isso foi um erro enorme. É por isso que concordo com Marchionne, podemos regressar às vitórias ao mesmo tempo que somos consistentes com a tradição da Ferrari” disse.
A Ferrari esteve muito tempo sem ganhar, mas tudo mudou desde 1996. Até 2004 os sucessos regressaram à escuderia em força, mas desde a saída do alemão, o título de Kimi Raikkonen em 2007 já foi muito sofrido, o trabalho com Fernando Alonso não andou longe de ser bem sucedido, mas desde o momento em que a Scuderia entrou numa espiral negativa ainda no tempo do espanhol, nem com a entrada de Sebastian Vettel em 2015 as coisas mudaram, agravando-se imenso este ano.
Recordando novamente Flavio Briatore, que insiste que a Ferrari deveria ter um centro tecnológico em Inglaterra, o italiano explica porquê: “Já o digo há muito tempo, a Ferrari sempre foi um grande construtor, e por isso devia ter um centro tecnológico em Inglaterra. Para vencerem, levaram-me 12 engenheiros da Renault, e isso prova que construí um bom ‘edifício’ entre a Red Bull, McLaren e Williams,” disse Briatore, referindo-se a Enstone, que agora é da francesa Renault.
O que o italiano quer dizer é que não é tão fácil para a Ferrari ir buscar bons elementos, pois a grande maioria para aceitar ir para Itália, Maranello, tem que receber um cheque enorme, que justifique claramente a mudança de país. Imagine isto multiplicado pela quantidade de gente que é necessária. Veja-se a quantidade de equipas que estão sediadas em Inglaterra, Mercedes, Red Bull, Williams, Force India, McLaren, Manor, Renault (divide-se entre França e Enstone) e Haas. Só a Sauber (Hinwill, Suíça), Toro Rosso (Faenza, Itália). Logicamente, há bons engenheiros em Itália, mas é lógico que havendo oito equipas em Inglaterra é muito maior a diversidade da escolha. Quer um exemplo? A Ferrari não conseguiu levar Adrian Newey de todas as vezes que tentou e o problema nunca foi o dinheiro…










