O Grande Prémio da Bélgica de 2000 foi dos mais emocionantes de que temos memoria, mesmo se só dois pilotos passaram pela liderança da corrida. Mas Michael Schumacher e Mika Hakkinen protagonizaram um dos duelos mais espetaculares de que nos lembramos, com a corrida a ser decidida a quatro voltas do final com uma magistral ultrapassagem do finlandês ao piloto alemão da Ferrari.
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Hakkinen arrancara da pole position, numa pista molhada, ganhando rapidamente vantagem, enquanto Schumacher recuperava de uma qualificação menos conseguida. Com a pista a secar, a Ferrari arriscou antes da McLaren na troca de pneus, aproximando Schumacher do líder, mas com slicks o Ferrari era mesmo mais rápido no piso húmido. Um impressionante pião de Hakkinen em Stavelot entregou a liderança a Schumacher, embora a diferença entre os dois nunca tenha sido muito grande.
À medida que a pista ia secando, o McLaren voltou a ser mais eficaz, pois a equipa de Woking apostara numa corrida com piso seco e, a cinco voltas do final da corrida, Hakkinen apanhou Schumacher depois do Radillon e tentou passá-lo perto do final da reta. Mas, no seu estilo habitual, o alemão mudou de trajetória por duas vezes, a segunda quando Hakkinen já tinha a asa da frente junto às rodas traseiras do Ferrari, com o toque entre rodas a ser evitado por pouco.
Numa demonstração nada habitual das suas emoções ao volante, Hakkinen mostrou o punho esquerdo a Schumacher em Les Combes e preparou-se para o segundo assalto. Na volta seguinte, voltou a sair do Radillon mais rápido que o seu rival, mas ambos estavam a apanhar Ricardo Zonta, ao volante de um BAR-Supertec. O brasileiro deixou a trajetória livre, Schumacher apanhou-lhe o vácuo e passou-o pela esquerda, mas Hakkinen aproveitou o efeito de aspiração dos dois carros, arriscou tudo ao passar entre o BAR e a relva do lado direito da pista, passando para a frente com uma manobra que deixou toda a gente com os cabelos em pé.
No entanto, também ficou na memória o facto de ter tido uma conversa a sós com Schumacher mal os dois saíram dos carros junto ao pódio, explicando-lhe – com a ajuda de gestos, em que se percebia que se referia à situação em que fora colocado em risco – que a manobra feita pelo alemão tinha sido incorreta. E como grande senhor que era, recusou-se a revelar aos jornalistas o tema da conversa, limitando-se a dizer que “estávamos a falar da situação no campeonato.” Um grande piloto nas pistas, e um senhor fora delas.
Luís Vasconcelos












Das melhores ultrapassagens de que me lembro.
estes sim eram Homens…. não os actuais meninos….. que saudade….
Não direi que foi a ultrapassagem do século, mas foi uma das top 5. A do Piquet ao Senna na Hungria em “diftring” ou a do Jacques Villeneuve ao Schumacher na parabólica do Estoril, são, na minha opinião, muito mais espetaculares.
Grande ultrapassagem, sem dúvida, mas quem sabe se esta escolha não terá mais que ver com a antipatia pelo ultrapassado do que com manobra em si.
Eu, por mim, teria escolhido a do Nigel Mansell ao Ayrton Senna no GP da Hungria de 1989 – embora reconheça que os factores subjectivo-emocionais podem contribuir para que esta escolha não seja consensual…