Esta semana teve lugar a primeira fase de testes de pré-temporada da Fórmula 1, com o Circuito da Catalunha a receber pilotos e equipas durante quatro dias. A McLaren-Honda viveu quatro dias intensos, dentro e fora de pista. Da prestação e problemas do MP4-31, às saídas de Yasuhisa Arai e Hideo Sato e ao ‘véu’ levantado sobre uma possível saída de Fernando Alonso da modalidade, não faltaram motivos de interesse que agora recordamos oriundos das boxes da equipa.

TESTES DEIXAM AMARGO NA BOCA
Até começaram bem os testes de pré-temporada no Circuito da Catalunha. Jenson Button e Fernando Alonso rodaram 84 e 119 voltas, respetivamente, no primeiro e segundo dias. Ambos se mostraram satisfeitos com a performance e evolução registada no MP4-31. O britânico apenas teve um pequeno problema com o acelerador, mas nada de grave, e a equipa revelou ter feito progressos no sistema de aproveitamento da potência gerada pelo motor elétrico.
No terceiro dia Jenson Button regressou à pista, mas as coisas já não correram da mesma maneira. O piloto teve de voltar às boxes no início da tarde, quando tinha completado 51 voltas. Ainda realizou 71 voltas e experimentou várias peças que influenciavam o equilíbrio do monolugar, mas uma falha hidráulica colocou um ponto final no seu dia de testes.
O quarto dia, que competia a Fernando Alonso, deixou um verdadeiro amargo na boca, com o espanhol a realizar apenas três voltas de instalação. Nova fuga no sistema de refrigeração do MP4-31 levou a equipa a optar por retirar a unidade motriz do monolugar para descobrir e resolver o problema, ainda na parte da manhã. O MP4-31 acabou por não voltar à pista.

O ‘ADEUS’ DE ALONSO
A possibilidade de Fernando Alonso sair da Fórmula 1 após estes primeiros testes foi levantada ao segundo dia, terça-feira. De acordo com informações veiculadas em Inglaterra, Fernando Alonso poderia abandonar a modalidade caso não ficasse convencido da competitividade do novo McLaren MP4-31/Honda. Alonso tem dito que irá cumprir o seu contrato, mas também não é novidade que exige competitividade, embora nunca tenha ameaçado, pelo menos publicamente, que se iria embora se não tivesse carro para obter resultados que se ‘vissem’. Resta aguardar pelo que vai acontecer.
O piloto limitou-se a dizer: “Estou muito surpreendido com estes boatos. Mas sempre houve muitos boatos. Quando estamos tanto tempo fora da pista, há uma tendência perigosa para ser criativo com as notícias. Mas agora que estamos em pista espero que os boatos acabem.”

AS SAÍDAS DE ARAI E SATO
Os maus resultados da Honda nas mais diversas categorias do desporto automóvel no ano passado, sobretudo na Fórmula 1, acabaram por ter consequências para os dois principais responsáveis pelo seu programa desportivo. Hideo Sato, o líder máximo da divisão de desportos motorizados da marca japonesa, e Yasuhisa Arai, o homem que liderou o regresso da marca nipónica à Fórmula 1 – com péssimos resultados – foram afastados dos seus cargos na passada terça-feira.
No caso de Hideo Sato, que está prestes a cumprir 65 anos, o afastamento acaba por ser uma forma de o enviar para a reforma de forma mais ou menos digna, pois os serviços prestados à marca nos últimos 15 anos merecem respeito, não se podendo falar num despedimento ou despromoção.
Já no caso de Arai a situação é diferente, pois está longe de ter chegado ao termo da sua carreira no seio da Honda, mas vai ter de aceitar que a sua progressão dentro da marca japonesa chegou ao fim. Durante os últimos meses temeu-se que o seu relacionamento pessoal com Hachigo, que trabalhou sob as suas ordens nos seus primeiros anos na Honda, fosse suficiente para lhe salvar o emprego, mas a pressão da McLaren e a falta de evolução da marca japonesa no final do ano passado acabaram por ditar o seu afastamento.
Pelo que se sabe o sucessor de Arai tem uma carreira sólida como engenheiro na divisão de motores e competição da Honda, o que já é um bom princípio, e é apoiado pela velha guarda – os veteranos que estiveram na origem dos gloriosos V6 turbo e V10 normalmente aspirados que dominaram a Fórmula 1 entre 1986 e 1991 – tendo feito parte do grupo que, por moto próprio, se propôs a redesenhar o turbo da Unidade Motriz atual à revelia da direcção de Arai e ganhou a guerra interna, pois o líder do projecto de Fórmula 1 foi obrigado a aceitar integrar o novo turbo no seu V6.
Luís Vasconcelos/André Duarte
















