Em condições normais, nunca um carro da categoria JWRC seria capaz de bater um mais potente e evoluído World Rally Car. Contudo, o improvável cenário passou a ser possível no próximo Rali do Chipre, pelo menos durante a sua primeira etapa. Como já referimos, a FIA autorizou os JWRC a irem com pneus de asfalto enquanto os WRc terão de manter os de terra. Confuso?
Talvez deixe de ficar se lhe dissermos que o Chipre é a única prova mista do ano, disputando a sua primeira etapa precisamente em alcatrão, só depois alternando para os pisos de terra. Se isso será suficiente para os JWRC baterem os WRC, ninguém sabe. Porém, há um outro dado que pode baralhar tudo, já que se espera que os principais favoritos não ataquem durante o primeiro dia. E porque não o fariam?
Ora, segundo a actual tendência do Campeonato do Mundo, os ralis são cada vez mais decididos por estratégias impostas pelas equipas. E num terreno muito duro como o Chipre, é altamente provável que tanto as oficiais Citroen e Ford como as suas formações satélites, Stobart e CJT, optem por jogadas tácticas que lhes permitam tirar partido da sua ordem de saída no segundo dia. Por outras palavras, a nenhum piloto que guie um WRC interessará terminar a primeira etapa à frente, sob pena de ter que abrir e limpar a estrada no dia seguinte, perdendo segundos preciosos!
Neste cenário, não é, portanto, impossível que um dos três únicos pilotos nomeados para pontuar no JWRC – os dois oficiais da Suzuki, Aaron Burkart e Michal Kosciuszko e Martin Prokop, no habitual Citroen C2 – possa marcar a história da prova. Nem que seja por um dia…
Burkart admite ser possível
Vencedor da primeira prova do JWRC, Aaron Burkart foi um dos primeiros a admitir e comentar esta inédita e bizarra situação. “Há, de facto, a possibilidade de andarmos à frente dos WRC e até liderarmos o rali à geral. Mas que ninguém tenha ilusões: no segundo dia, tudo regressará à normalidade!”.











