Verdadeiro embaixador da paixão pelo desporto, seja qual for a modalidade, ‘Lucho’ Alphand deixou a sua marca na história do mais mítico rali do Mundo, o Dakar. Para felicidade nacional, Portugal fica mesmo como um dos pontos altos da carreira do multifacetado francês, pois Luc Alphand venceu a Baja Portalegre em 2005 e, três meses depois, vencia o Dakar, o primeiro a passar pelo nosso país.
Mas antes de ser conhecido dos amantes do desporto automóvel, nomeadamente no Todo-o-Terreno, Luc Alphand fez pela vida… com um par de esquis! Curiosamente, estreando-se na modalidade em 1984, teve que esperar por 1995 para obter a primeira vitória já que uma série quase interminável de lesões o afastava da alta competição. No entanto, a partir desse ano, o francês somou 17 medalhas de ouro, 7 de prata e 5 de bronze em provas da Taça do Mundo e Campeonato do Mundo, apenas falhando uma medalha nos três Jogos Olímpicos em que participou!
Em 1997, com 32 anos, coloca um ponto final numa carreira assombrosa no esqui, virando as suas atenções para… o Dakar. Em 1999, estreia-se com uma vitória na categoria T1, aos comandos de um Mitsubishi Pajero, passando a correr na estrutura de Jean-Louis Schlesser nos dois anos seguintes. Em 2002, dá-se então a passagem para a BMW e durante três edições (2002, 2003 e 2004), Alphand conseguiu sempre ser o melhor classificado com um diesel (7º em 2002, 9º em 2003 e 4º em 2004), sendo ainda, em 2003, o primeiro piloto a vencer uma etapa do Dakar com um carro com motor Diesel (BMW X5).
Em 2005, troca BMW pela Mitsubishi e cota-se, de imediato, como o melhor colega de equipa/adversário do temível Stéphane Peterhansel. Nesse ano, é segundo atrás do chefe¬-de-fila, para em 2006 ser ele o vencedor, regressando ao lugar intermédio do pódio em 2007. Com a anulação da edição de 2008, a derradeira participação no Dakar fica marcada pela derrocada da armada nipónica, para a qual também Alphand contribui quando é forçado a abandonar devido a fortes queixas físicas do navegador.
“Quando fui operado, o médico explicou-me bem as minhas (novas) limitações. Por causa do pescoço, não poderia voltar a fazer TT e mesmo em pista teria que ter muitos cuidados. Claro que não tinha planeado terminar a carreira desta forma e tão cedo, mas teve que ser. Não podia arriscar a sair a 300 km/h em Le Mans ou andar aos trambolhões nas dunas”, reconheceu.
Filipe Loureiro










