Rei morto, Rei posto! Patrice Clerc, presidente da ASO, concedeu uma grande entrevista ao L’Équipe onde anuncia que vai, dentro em breve, apresentar um «grande Dakar 2009». Sem levantar a ponta do véu, o homem-forte da ASO explicou com detalhe toda a situação que levou à anulação do Lisboa-Dakar 2008, não deixando sem resposta questões muito difíceis.
Quando instado sobre a não existência dum plano B, que servisse de alternativa, evitando assim a anulação pura e simples da prova, foi taxativo: «Um plano B justifica-se durante uma prova, de modo a neutralizar ou anular uma ou outra etapa, mas sem querer ser irónico, perante as ameaças concretas que a prova foi alvo, o único plano B possível seria embarcar em Lisboa e fazer uma ponte aérea até Dakar». Taxativo!
Mas não foi só! Recordou que o terrorismo no desporto não é, em absoluto uma novidade, já que, se remontarmos a 1972 e aos jogos Olímpicos de Munique, quando nove atletas israelitas foram mortos após um longo sequestro: «É verdade que este Lisboa-Dakar foi a primeira vez que um grande evento foi cancelado, mas já tinham sucedido várias outras coisas, como interrupções, paragens, ponte aérea. Em espaço abertos é muito complicado gerir esta questão das ameaças. Chegámos a fazer passar a prova, em 1992, no Chade, quando o país estava em guerra, mas depois veio Setembro de 2001…e nada voltou a ser igual.»
«Mas o espírito do Dakar permanece inalterado, pelo que é nossa obrigação, antes de tudo, propor uma grande prova em 2009, um novo Dakar que será forçosamente seguro. Ser ou não em África é uma questão sobre a qual estamos a reflectir. Se é impossível? Nada é impossível, mas a segurança será prioridade.»
«O nosso planeta é vasto e para realizar uma prova de 8.000 ou 10.000 quilómetros em 15 ou 20 dias em areia é perfeitamente possível. Há desertos na África subsariana, na África do Sul, a Este, no golfo, na Ásia, nas repúblicas da ex-URSS, China, Mongólia, Austrália, América do Sul, Estados Unidos da América, México, etc. Asseguro que vão ficar surpreendidos com a rapidez com que vamos anunciar qualquer coisa para o próximo ano.»












