WTCR: O regresso às pista na China

Por a 12 Setembro 2019 16:45

Depois das emoções fortes de Vila Real, o WTCR fez uma merecida pausa, mas está de regresso para a sétima ronda da taça do mundo de turismos.

A competição tem sido de grande qualidade com boas corridas e grandes lutas em pista. Sabia-se de antemão que seria uma competição renhida em que as diferenças de andamento seriam muito reduzidas. Esse cenário verificou-se e até agora temos 11 pilotos que subiram ao lugar mais alto do pódio. Thed Bjork e Nestor Girolami são os homens que mais festejaram, com três vitórias cada, seguidos de Esteban Guerrieri com duas vitórias. Nicky Catsburg, Esteban Guerrieri e Norbert Michelisz têm sido destaque nas qualificações, com duas poles para cada um.

Esteban Guerrieri é o líder da competição e tem sido o piloto mais regular da prova e graças a isso está na frente do campeonato, sendo agora o “ponta de lança” oficial da Honda, com Giorlami, Attila Tassi e Tiago Monteiro a terem a tarefa de ajudar o argentino quando necessário. A Honda tem se mostrado mais competitiva este ano, em especial a Münnich Motorsport, que tem aproveitado da melhor maneira o talento da dupla de pilotos e a experiência com o carro. A KCMG teve um início de época difícil, com os dois carros a não apresentarem o mesmo andamento. A colaboração mais estreita entre as duas estruturas permitiu um fim de semana de sonho à KCMG em Vila Real. O momento mais emocionante da época, com a vitória de Tiago Monteiro, foi o prémio merecido para todo o esforço da equipa e dos pilotos. As equipas com carros Honda trabalharam bem e estão agora a colher os frutos.

A Hyundai começou este ano como clara favorita, depois de tudo o que aconteceu no ano passado. O carro dava garantias e os pilotos escolhidos eram os melhores entre os melhores. A aposta da Hyundai foi forte mas os resultados talvez não agradem muito aos homens da marca coreana. Apenas Norbert Michelisz está claramente na luta pelo título e Gabriele Tarquini, Augusto Farfus e Nick Catsburg embora já tenham mostrado a sua grande qualidade em pista, não o têm feito de forma regular.

A Lynk & Co estreou-se este ano, mas vinha com o claro propósito de ser destaque desde início. Um projecto forte, com a experiência da Cyan Racing, eram motivos mais que suficientes para esperar que os carros azuis estivesse na luta pela primeiras posições. Não tem sido uma época fulgurante, mas Thed Bjork e Yvan Muller tem carregado a bandeira da marca chinesa de forma convincente. O sueco está na luta pelo título e Muller não está muito longe. Yann Ehrlacher tem tido azar, mas mostrou já o seu grande potencial e Andy Priaux, neste regresso aos turismos tem sentido dificuldade em impor-se.

Mikel Azcona tem sido outro dos grandes destaques. O estreante ao volante de um Cupra da PWR tem sido um dos melhores e tem confirmado as características que fizeram dele campeão no TCR Europe . Pode dizer-se até que o espanhol subiu um nível e está agora ainda mais forte. Os Audi não se tem destacado e o melhor piloto tem sido Fréderic Vervish, seguido de Jean Karl Vernay, este ano menos exuberante. Os VW têm estado longe dos lugares de destaque e Rob Huff assume o papel de piloto mais regular embora Johan Kristoffersson e Benjamin Leuchter já tenham vencido pela equipa e o britânico não. A Alfa Romeo também tem uma vitória em seu nome e foi Ma Qing Hua a conseguir o triunfo para marca italiana. O que equivale dizer que todas as marcas representadas já venceram este ano.

Para a segunda metade da época espera-se que a Honda aposte as fichas todas em Guerrieri, o que deverá acontecer também com a Hyundai, que apostará em Michelisz. Bjork parte com vantagem na Lynk & Co e o respeito e admiração que Muller tem pelo sueco, poderão facilitar a tomada de posição da equipa. Há curiosidade para perceber como Azcona irá estar e se irá manter o nível. se os VW conseguirão mostrar mais, e se os Audi poderão intrometer-se mais na luta por vitórias.

Por fim o destaque mais que merecido a Tiago Monteiro. A sua vitória em Vila Real foi um prémio completamente justo e uma espécie de redenção. Aquele maldito acidente roubou-lhe tanto, mas ao mesmo tempo também lhe deu muito. Monteiro é agora ainda mais forte, ainda mais resiliente. Muitos duvidaram da sua capacidade de voltar aos triunfos. Em casa, mostrou que tem ainda muito para dar. Este ano é de recuperação ainda. Mas para nós o momento do ano está já escolhido. O sorriso do #18 perante o seu público é algo que ficará para sempre marcado em quem viu. Monteiro deixou de ser apenas um excelente piloto. Passou a ser uma inspiração e um exemplo de superação para muitos. O acidente roubou-lhe o título, mas deu-lhe em compensação a admiração e o carinho de todos os fãs dos turismos e do desporto motorizado em geral. Um bela página do desporto motorizado escrita em português.

Venha a competição e que o WTCR nos dê tão bons espectáculos como os que vimos na primeira metade do ano. Ningbo é o palco que se segue. No ano passado a Hyundai foi a mais forte na pista chinesa com três vitórias em três corridas. A Honda vem com vontade de contrariar essa tendência e a Lynk &Co a jogar em casa quererá provar o sabor do champanhe. A competição começa já amanhã:

Horários (hora portuguesa)

Sexta

Treino 1 – 10:00

Sábado

Treino 2 – 2:00

Qualificação 1 – 4:00

Corrida 1 – 8:40

Domingo

Qualificação 2 – 2:00

Corrida 2 – 7:30

Corrida 3 – 8:15

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jcmr

e que o Honda não se arraste; leia-se: os da equipe KCMG porque os da ALL-INKL, são de outra galáxia …

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