WEC: Toyota gosta do “success handicaps”, as outras equipas nem por isso
A Toyota manifestou-se favorável à possível introdução de “success handicaps” no Campeonato do Mundo de Resistência (WEC) da FIA a partir de 2026, um mecanismo adicional ao atual Balance of Performance (BoP) que é visto com forte resistência por vários construtores da classe Hypercar. A proposta está prevista no projeto de regulamento desportivo de 2026, embora FIA e ACO reforcem que ainda não foi tomada qualquer decisão definitiva sobre a sua aplicação.
Em declarações ao sportscar365.com, durante a final da época no Bahrein, o vice-presidente da Toyota Gazoo Racing Europe, Kazuki Nakajima, defendeu que a experiência do SUPER GT demonstra que um sistema deste tipo pode funcionar, ajudando a evitar fases de domínio prolongado e a manter a luta pelo título em aberto até ao final.
O exemplo dos Super GT
No campeonato japonês, o equilíbrio é obtido com lastro adicional e reduções de potência em função dos pontos somados. Nakajima considera que o WEC deveria seguir o modelo de reduzir para metade e depois eliminar completamente os handicaps nas duas últimas provas para evitar incentivos perversos na gestão dos resultados. Em contraste, representantes de outros construtores mostraram-se maioritariamente contra a ideia, preferindo manter e afinar o BoP atual em vez de introduzir uma segunda camada de ajustes de performance.
“Depende de como o sistema é operacionalizado e de quanto peso se dá ao BoP e aos handicaps”, afirmou Nakajima. “Se o equilíbrio for o correto, não me parece uma má ideia ter ambos. É um sistema interessante porque abre mais oportunidades para vencer corridas, mas o carro com melhor desempenho continua a ter maior probabilidade de conquistar o campeonato. O que se passa no SUPER GT é um bom compromisso entre o desporto e o espetáculo.”
“Creio que é interessante ter uma camada adicional [por cima do BoP] para aproximar os construtores, mantendo um certo grau de meritocracia. Não cria uma ‘mistura’ excessiva entre fabricantes, como se viu este ano”, acrescentou o responsável da Toyota.

Ferrari e Peugeot contra
Do lado da Ferrari, o responsável global pelo programa de endurance, Antonello Coletta, rejeitou os handicaps de sucesso, aceitando que a marca terá sempre circuitos mais favoráveis e outros mais difíceis sob o BoP atual: “É claro que, para nós, ao longo da época, existem pistas mais complicadas, como Interlagos e Fuji. Ambas surgem no calendário depois dos nossos melhores circuitos e é normal que, com o mecanismo das regras, tenhamos mais problemas nesses traçados do que nas primeiras provas da temporada. Há oito corridas e existe, mais ou menos, uma compensação. Prefiro manter essa compensação nestas provas e não pensar no passado – o passado é passado, e temos de manter a cabeça no presente e, espero, num bom futuro.”
Também a Peugeot, através do então diretor técnico Olivier Jansonnie, hoje líder desportivo da Stellantis Motorsport, se mostrou claramente cético: “Não estamos nada convencidos”, resumiu. “Na discussão que temos de ter agora sobre como equilibrar os carros, entendemos que são detalhes muito pequenos que precisam de ser ajustados. A nossa opinião é que o carro deve ser equilibrado pela performance demonstrada em pista e não pelos resultados desportivos. Compreendemos que haja diferentes opiniões e que sejam necessários compromissos, mas consideramos muito mais relevante equilibrar os carros com base no que fazem em pista do que em função da classificação.”

Alpine acha que o atual sistema é suficiente
Por seu turno, o vice-presidente de desporto motorizado da Alpine, Bruno Famin, classificou o sistema atual como “80 a 85 por cento bom” e alertou para o risco de complicar em excesso o quadro regulamentar: “Acho que é relativamente fácil de melhorar. Sabemos o que correu mal no início da época, mas o resultado não é assim tão mau. Se tivermos dois ou três resultados estranhos, sabemos porquê e é fácil corrigir. Pelo que entendo, o success handicap foi colocado nos regulamentos apenas por precaução. Percebo que a intenção é não o utilizar e penso que seria melhor não o usar, porque seria mais uma camada de complexidade.”
Embora a Porsche deixe de ter equipa oficial no WEC no próximo ano, o diretor de fábrica LMDh, Urs Kuratle, mostrou abertura ao conceito: “Somos claramente a favor de tudo o que ajude a criar condições de igualdade”, afirmou. “Não devemos desperdiçar nenhuma possibilidade de discutir ou encontrar soluções. Não digo que esta seja a única via nem que vá resolver todos os problemas, mas é um dos temas que temos de discutir.”
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