WEC, Matthieu Vaxivière: “A vinda do Mick Schumacher traz coisas novas”
Matthieu Vaxivière é um dos elementos com mais experiência na equipa Alpine. Na estrutura desde 2021, nos tempos da Alpine Elf Matmut, fez equipa com Nicolas Lapierre e André Negrão. O francês manteve o seu lugar no projeto LMDh e falou aos meios de comunicação portugueses presentes em Portimão, incluindo o AutoSport, sobre este novo capítulo da Alpine nas corridas de resistência.
Vaxivière considera que a equipa mantém o que a caracterizou desde início. Uma estrutura que funciona como uma família, que agora cresceu, para acomodar dois carros e as exigências da categoria de topo do endurance:
“Desde 2021 que temos trabalhado para dar forma a este projeto. Quando foi anunciado nada estava feito. Há três anos que conheço a equipa, é uma pequena família e estamos a crescer a cada dia. Fizemos todas as escolhas certas na época passada, mantemos todos os procedimentos, mas adicionamos outras valias, como experiência de outras competições, tal como a F1, que torna o projeto ainda mais forte. Ainda há muito para trabalhar e para evoluir, mas estamos a trabalhar para estar o mais preparado para o começo da época”.

As primeiras impressões do carro foram boas, mas o A424 tem ainda muito trabalho de desenvolvimento pela frente. O protótipo feito em parceria com a ORECA está ainda na fase inicial, mas Vaxivière deixou já entender que será Le Mans, o foco principal para a equipa em 2024:
“As primeiras impressões do carro foram boas. Já melhoramos muita coisa, mas ainda há muito a melhorar, com pouco tempo. Estamos a fazer tudo o que podemos para estar prontos para o Catar. O foco principal será Le Mans, mas queremos estar prontos para a primeira corrida. Há ainda muitos pormenores que têm de ser afinados. Os pontos fracos são apenas coisas que temos de entender, trabalhar e resolver. O carro está bem-feito e precisa apenas de ser desenvolvido.O feeling do carro é uma mistura entre um GT e um protótipo. Temos um bom pacote aerodinâmico, muita tecnologia, o que é impressionante. O carro é divertido de pilotar.”
A vida de um piloto de endurance é feita de compromissos, especialmente ao nível da afinação dos carros. Mas Matthieu Vaxivière afirmou que nunca teve problemas nesse sentido e que sempre se encontrou uma solução boa para acomodar as necessidades dos pilotos:
“A afinação do carro não é incrivelmente difícil de atingir. Temos feelings semelhantes, com algumas diferenças de piloto para piloto, mas no final queremos o melhor para o carro, para gerir bem os pneus, o combustível. O que pretendemos quanto à aderência do eixo dianteiro ou traseiro é mais ou menos o mesmo para todos. Temos todos a mesma abordagem ao nível de afinação. Nunca tive um problema com um piloto que quisesse uma afinação muito diferente. Com o Charles Milesi (no ano passado) guiamos de forma muito diferente, mas no final o carro tinha o melhor set up ao nível da degradação dos pneus, da rapidez, etc. Não se coloca o caso de afinar mais o carro para um ou para outro piloto”.
Claro que a vinda de Mick Schumacher para o projeto traz mais visibilidade. Mas Vaxivière acredita que a chegada do jovem alemão pode trazer coisas novas na abordagem da equipa e pode ser importante para fazer crescer a equipa:
“A vinda do Mick traz coisas novas. Ele vem da F1 e já tem a abordagem certa para as corridas de endurance. Novas ideias são sempre bem-vindas, pois para a maioria na equipa já fazemos corridas de resistência há seis ou sete anos, e temos mais ou menos o mesmo feedback e o feeling do carro. Ter uma nova visão é boa e como ele tem muita experiência da F1. Estou muito contente por ter o Mick connosco e é bom para a equipa”.





