WEC, Filipe Albuquerque: “Acho que continua a não existir uma comunicação entre o ACO e o IMSA”

Por a 14 Maio 2021 10:53

Filipe Albuquerque teve um arranque em grande no WEC com uma vitória “sem espinhas”, depois do Oreca #22 da United ter liderado de fio a pavio, desde o Prólogo até à corrida.

O piloto português, em conversa com o AutoSport, fez o balanço do primeiro fim de semana no mundial de endurance, revelando que não esperava ter tanta vantagem desde início:

“Não estávamos à espera de ter tanto andamento logo no início. Fomos para Spa com um grande ponto de interrogação, até porque a United tinha vindo de um fim de semana difícil no ELMS numa prova [Barcelona] em que a WRT dominou por completo e até a G-Drive fez a pole, com um segundo de vantagem para a United, algo que nunca tinha acontecido com o Oreca. Fomos de mente aberta com vontade de aprender sobre os pneus novos e as novas configurações que as mudanças exigiram. Temos de trabalhar com menos downforce, dada a redução de performance e não temos tanta experiência com os Goodyear como a JOTA por exemplo.”

“Sabemos que o nível está muito alto, com pilotos muito bons na grelha e o campeonato está mais competitivo do que no ano passado. Fomos para Spa com a convicção que somos bons, que temos uma boa tripulação, mas íamos sem saber onde o nosso ritmo nos iria colocar na grelha, apesar da convicção de que éramos candidatos à vitória. Começamos a meio segundo de toda a gente, mas mantivemos os pés na terra e pensamos ´ok apanhamos uma volta limpa´.

“Nas sessões seguintes mantivemo-nos na frente, o que não nos retirou o foco do que tínhamos de fazer para termos um bom comportamento do carro, porque agora é muito difícil ter o carro ideal, por causa da falta de carga aerodinâmica. Por isso não olhamos para a nossa posição na tabela e procuramos apenas estar o mais satisfeitos possível com o carro, embora ajudados com o facto de vermos que estávamos rápidos em comparação à concorrência. “

“Levamos esse bom andamento para os treinos livres e para os cronometrados e na corrida parecia que estávamos com um andamento superior, mas tínhamos de ser cautelosos porque outros poderiam estar a trabalhar em afinações mais voltadas para a corrida. Nunca demos por garantido que estávamos acima da concorrência e continuamos sempre à procura do melhor compromisso. E a prova está no facto de que os outros melhoraram muito ao longo do fim de semana, mas nós também fomos melhorando.”

“Na corrida, o Phil [Hanson] teve um início fantástico que nos deu uma boa margem, quando entrei mais margem ganhamos e embora o Fabio [Scherer] tenha tido um pequeno erro, aconteceu no momento certo e não perdemos muito.”

Albuquerque foi das vozes mais críticas em relação às mudanças feitas nos LMP2 e não mudou o tom:

“Eu não gosto nada do feeling do carro neste momento e apesar disso ganhamos. O carro agora tá fora da janela ótima de performance. Escorrega bastante e a corrida em si é feita no limite do pneu e não no limite do carro. Mesmo que consigamos uma afinação equilibrada o carro escorrega demasiado e sobreaquece o pneu. Nesta pista de alto ou médio downforce usamos o pacto aerodinâmico de baixo apoio. Eu já disse a quem quis ouvir que estou com muitas dúvidas de como será a corrida no Bahrein, quando tivermos 45 graus numa pista de alta exigência aerodinâmica. Acho que todos vão ter uma surpresa e eles esquecem-se que se querem Gentleman Drivers, eles vão fazer piões, sem falar dos GTE Pro, que não foram abrandados e que estão no potencial máximo há muito tempo. Se calhar numa volta estamos à frente, mas com a degradação dos pneus e com a temperatura pode correr mal.”

Um dos problemas desde o início foi a falta de andamento dos Toyota em relação aos LMP2 durante o Prólogo o que fez correr muita tinta. Mas na qualificação os carros japoneses conseguiram mais de um segundo e meio o que fez todos desconfiar que afinal a Toyota tinha deixado alguma performance no bolso. Albuquerque considera que este tipo de jogos nesta fase é desnecessário:

“Uma coisa são as simulações, outra coisa é a realidade. E para complicar tudo temos a Toyota a não mostrar o seu verdadeiro potencial. Vimos a Toyota a ter dificuldades de andamento até a qualificação e depois ficam com 1.5seg. de vantagem. Quando disserem que estão no limite máximo quem vai acreditar? É como a história do João e do Lobo. Creio que é completamente desnecessária esta postura numa fase tão precoce destes regulamentos e por isso o ACO esteve bem em não alterar mais o andamento dos LMP2, porque já está no limite e abrandar mais os LMP2 vai dar problemas no resto do pelotão.  No caso dos GTE na saída das curvas eles tem muito mais aderência mecânica e ficamos logo em desvantagem nesse campo o que torna as ultrapassagens muito mais complicadas. “

O piloto da United considera que os LMP2 foram esquecidos e que agora é difícil fazer com que os carros voltem ao nível de performance anterior:

“Eu entendo que os responsáveis da competição queiram impor um tempo de 3:30 em Le Mans e isso implica abrandar toda a gente. Mas eles esqueceram-se dos LMP2. Eles permitiram que os carros fizessem 3:25 em Le Mans é difícil agora fazer um retrocesso e dizer que é preciso ser 11 seg. mais lento, o que na verdade era o nível onde estavam os LMP2 antes. Em 2016 quando andei com os LMP2 antigos e experimentei os novos eu disse “vocês são loucos. Os gentleman drivers com estes carros vão se matar” Muitos saíram e deram lugar aos jovens talentos que vêm das categorias de iniciação. Claro que há ainda alguns Gentleman drivers mas a maioria agora. “

Apesar deste arranque com algumas interrogações, Albuquerque não tem dúvida de que esta é a regulamentação certa para o WEC:

“O regulamento dos LMH é ótimo pelo simples facto que atraiu muitos construtores, independentemente de os carros serem rápidos ou lentos. É preciso ver o que é bom para os pilotos, para as equipas, para o campeonato. Ter mais construtores implica mais carros, mais exposição mediática, um nível superior e uma perspetiva de carreira muito mais aliciante para os jovens pilotos. Basta ver a WRT que apostou este ano no WEC e no ELMS porque sabe que os construtores vão precisar de equipas e estão a preparar-se para isso. “

Quanto à entrada dos LMDh, o português acha que será necessário algum tempo até que as performances com os LMH fiquem completamente equilibradas:

“Acredito que vai ser preciso alguma cautela quando chegarem os LMDh pois será preciso fazer um equilíbrio entre esses e os LMH e acredito  que demore algum tempo até que esse equilíbrio seja encontrado. Mas o mais importante que haja esta junção entre LMH e LMDh pois assim não tenho dúvida que passa a ser um dos melhores campeonatos do desporto motorizado mesmo em paralelo com a F1. “

Infelizmente, Albuquerque não estará em Portimão para a prova de oito horas do WEC, devido a sobreposição com o IMSA e lamentou que não tivesse sido encontrada uma solução melhor para todos:

“A pandemia não ajuda na organização dos calendário, mas acho que continua a não existir uma comunicação entre o ACO e o IMSA. Entendo que há dificuldade em articular calendários e que as mudanças que aconteceram trocaram as voltas aos organizadores, mas creio que não custava nada adiar uma semana a prova de Portimão, pois no fim de semana seguinte não há provas lá. As equipas que fazem o ELMS terão de ir de Paul Ricard diretamente para Portimão. E é um fim de semana em que há Indycar, IMSA, F1 e WEC e no fim de semana seguinte não há nenhuma destas competições. “

Quanto a novidades para o futuro teremos de continuar a aguardar e talvez setembro traga boas novidades.

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