IMSA, 24h Daytona: Filipe Albuquerque faz magia e vence pela terceira vez

Por a 31 Janeiro 2021 20:43

Que corrida! Filipe Albuquerque venceu as 24h de Daytona com a sua nova equipa, a Wayne Taylor Racing e mostrou porque é um dos melhores do mundo.

Um recital de condução foi o que Albuquerque deu na última hora da prova em que segurou de forma imperial a liderança da prova. Os ataques dos adversários sucederam-se mas nada perturbou a estrela portuguesa, que conquistou assim Daytona pela terceira vez, segunda à geral. O #48 da Action Express ficou em segundo e o Mazda #55, depois de uma recuperação espetacular fechou o top3.

O filme da prova

A corrida começou de forma limpa e sem problemas para os DPi mas o mesmo não se pode dizer nos GTLM. O problema começou quando Bruno Spengler, no BMW M8 GTE #25, bateu no Porsche 911 RSR-19 # 79 de Kevin Estre da WeatherTech Racing, provocando um pião na máquina germânica. O carro da Estre sofreu danos significativos e acabou por perder parte da carroçaria traseira, provocando o primeiro Full Course Yellow. O Ferrari 488 GTE Evo da Risi Competizione de Alessandro Pier Guidi foi atingido na porta pelo Porsche e foi o terceiro carro envolvido no incidente.

Spengler foi penalizado com um drive-through por responsabilidade no incidente, enquanto Estre foi forçado a levar o seu Porsche para o pit lane para reparações e perdeu 13 voltas antes de recomeçar.

Mas ainda antes da corrida começar, a Mazda começou mal quando o RT24-P #55 teve dificuldades para deixar o pit lane com problemas nas passagens de caixa. Oliver Jarvis acabou por se juntar ao pelotão, mas foi forçado a arrancar do fim.

Ben Keating construiu uma vantagem de mais de 20 segundos na classe LMP2 para o #52 da PR1/Mathiasen Motorsports.

Primeira hora da Action Express

O Cadillac #31 controlou a corrida na primeira hora mas perdeu a liderança num Full Course Yellow (FCY). Felipe Nasr foi forçado a entrar nas boxes antes de tal ser permitido para não ficar sem combustível, o que exigiu uma paragem extra nas boxes para um serviço completo.

Houve quatro FCY nas quatro primeiras horas. O Oreca #81 da DragonSpeed teve um acidente Curva 1 na segunda hora o que levou à sua desistência. Menos de uma hora depois, o carro da Team Nederland bateu na Bus Stop com Frits van Eerd ao volante. O carro ficou severamente danificado entrando também para a lista de desistências. A segunda equipa que vinha do WEC, o #20 da High Class Racing (com Robert Kubica) também desistiu com problemas na caixa de velocidade.

#5 Subiu à liderança

Depois do azar de Nasr foi o #5 da JDC- Miller Motorsport a assumir a frente da prova com Tristan Vautier. O francês tinha uma vantagem de 11,8 segundos sobre o #01 da Chip Ganassi Racing Cadillac de Scott Dixon, com Hélio Castroneves em terceiro lugar no #10 da Wayne Taylor Racing. Filipe Albuquerque foi o responsável por fazer a largada na sua nova equipa e mostrou algumas dificuldades em igualar o ritmo dos Cadillac, que dominavam nesta fase, mas ainda assim o português usou a sua determinação e talento para subir na tabela entregando o carro na terceira posição, tendo largado de quinto.

Em LMP2 o favorito #52 PR1/Mathiasen Motorsports caiu na tabela, depois de ir para as boxes com um problema. Em GTLM o domínio dos Corvette era claro mas os BMW estavam sempre por perto, tal como o Ferrari #62.

Em LMP3 o #33 de João Barbosa ia recuperando posições e foi subindo até à segunda posição.

Depois da liderança o azar

A primeira grande surpresa aconteceu pouco tempo depois. Um contacto entre Tristan Vautier e um GTD forçou a JDC-Miller Motorsports a trazer o seu Cadillac DPi-V.R para a garagem para reparações significativas durante a décima hora da prova

Renger van der Zande, no Cadillac #01 assumiu a liderança da prova que ia sendo dividida entre o #01, o #31.

Na categoria GTLM só dava Corvette Racing, com Nick Tandy a liderar a classe no Corvette C8.R #4 após nove horas e meia e parecia que a luta seria entre o #3 e o #4. Em GTD o Ferrari da AF Corse assumia a liderança, numa categoria onde tudo estava muito baralhado.

A noite acordou o Acura #10

Com o avançar da noite o Acura da WTR começou a ganhar mais ritmo e quando o relógio chegou às 12h de prova, era Filipe Albuquerque a liderar o pelotão.

O português aproveitou o reinício da corrida após o sexto FCY e passou Kevin Magnussen ao sair da Curva 1, colocando a Acura na liderança geral, após várias horas de Cadillac DPi-V.R na frente. Magnussen colocou pressão sobre Albuquerque mas acabou por cair para terceiro atrás de Simon Pagenaud no #48 da Action Express. Pagenaud tentou passar por Albuquerque mas o piloto do Acura defendeu-se bem e manteve o lugar.

A Mazda Motorsports já tinha uma volta a menos, quando perdeu mais duas voltas durante o período de FCY para uma longa reparação na traseira do carro.

A primeira metade da corrida em GTLM foi dominada pela Corvette Racing, embora tanto a Risi Competizione como a BMW Team RLL se tenham mantido na mesma volta do líder.

A classe GTD contou com vários líderes, mas Maro Engel no Mercedes #57 começava a impor uma tendência que foi perdurando ao longo da segunda metade depois do #21 da AF Corse ter liderado até perto do meio da prova.

Acura mantinha-se firme na frente, #31 fora da luta

Quando os primeiros raios de sol apareceram na Daytona Internacional Speedway o Acura #10 mantinha-se na frente da corrida. Alex Rossi liderava apesar da pressão de Magnussen. Esta dupla proporcionava uma luta fantástica e o dinamarquês chegou a ultrapassar Rossi, numa das melhores manobras da prova, mas logo a seguir foi penalizado por infringir as regras na paragem anterior nas boxes, o que atirou o #01 para o quinto lugar.

As contas nos Dpi eram complicadas de fazer, mas quando faltavam pouco mais de cinco horas para o fim da prova o #31 foi obrigado a entrar para as boxes com um problema na caixa de velocidades. Isso levou a uma reparação demorada que implicou um atraso de 22 voltas para a equipa que ficava assim fora da luta pela vitória. Nesta fase Matthieu Vaxivierre liderava em LMP2 no #8 da Tower Motorsport, enquanto Nick Tandy liderava a prova em GTLM com uma dobradinha da Corvette à vista. Apesar de estarem na frente a corrida toda, as lutas com o BMW #25 e até com o Ferrari #62 foram intensas e os homens dos carros americanos tiveram sempre muito atentos para se manterem na frente.

Em LMP3 as contas pareciam estar já feitas. O #74 da Riley Motorsport liderava com cinco voltas de avanço para o #33 da Sean Creech Motorsports de Barbosa, que perdeu muito tempo durante a noite e ficou assim longe da vitória na classe.

Em GTD o #57 e o #21 davam grande espetáculo com lutas acesas mas com o passar do tempo o #57 manteve-se na frente, apesar do incidente com o #21 que levou a reparações no Ferrari e colocaram a equipa que chegou a liderar parte da prova a duas voltas do líder. O Mercedes #75 da SunEnergy1 Racing passou a pressionar o #57 quando faltavam três horas para o final.

A três horas do fim, Albuquerque continuava liderar com uma vantagem de 15 segundos sobre o #48 de Mike Rockenfeller depois de batalhas renhidas com o Cadillac #48, bem como com o Cadillac # 01 Chip Ganassi Racing Cadillac.

AJ Allmendinger trouxe o #60 da Meyer Shank Racing para terceiro, à frente de Scott Dixon, que estava ao volante do #01.

Paul-Loup Chatin passou para a frente dos LMP2 no #18 Oreca da Era Motorsport com o #82 da DragonSpeed a ter problemas no motor, quando estava em segundo lugar. O #8 mantinha-se também na luta depois de ter liderado durante várias horas.

O #74 da Riley Motorsports continuava a liderar os LMP3, enquanto a Corvette Racing continuava com a dobradinha em vista em GTLM, liderado pelo #3 de Nicky Catsburg.

Maro Engel no #57 mantinha-se à frente do N.º 75 SunEnergy1 Racing Mercedes-AMG, numa potencial dobradinha para o fabricante alemão.

#10 foi aguentando sempre a pressão

Na 21ª hora de prova, Scott Dixon viu um dos pneus ceder, quando ocupava a terceira posição. O incidente obrigou a mais um FCY e à queda do #01 para a quinta posição. Nas idas para a boxe o #60 ficou na frente da prova, mas o #10, com Taylor ao volante, tratou de passar logo para a frente da corrida na primeira curva. No espaço de quatro curvas o #60 passou de segundo para quarto com o Mazda #55 e o Cadillac #48 no pódio provisório.

Começavam a surgir problemas com o #3 que teve problemas no arranque na sua paragem nas boxes e no recomeço foi penalizado com um drive – through por infração dos regulamentos na paragem.

A luta entre o #10 e o #55 aquecia cada vez mais e o Mazda, que largou do último lugar e chegou a ter três voltas de atraso estava na luta pela vitória. Um erro de um GTD levou a mais um FCY para limpar a pista, e no recomeço Taylor voltou a afastar-se do perigo do Mazda enquanto atrás o #48 ficava sob pressão do #01. Em LMP2 o #8 voltou a liderança da prova na sua classe e em GTLM, o BMW #24 estava agora na frente da corrida com o #4 a pressionar muito, enquanto o #3 tentava recuperar tempo. Pouco depois vimos o Corvette a passar pelo BMW e a “normalidade” voltou à pista. Em LMP3 e GTD não havia mudanças na frente de cada classe.

Últimas horas de loucos

Quando faltava uma hora para o fim das 24h de Daytona. Albuquerque estava em pista e levaria o Acura #10 até à linha de meta. O português estava na frente da corrida mas a concorrência estava perto.

Dois Full Course Yellow juntaram o pelotão e provocaram momentos tensos em pista, mas o #10 conseguiu responder a todos os desafios e manter-se na frente. Atrás de si seguia o Cadillac #01 que sofreu um furo e caiu até ao quinto, mas conseguiu recuperar e estava no encalço do #10, seguido do surpreendente Mazda #55 que depois de estar com três voltas de atraso estava na luta pela vitória.

Em LMP2 o #18 da Era Motorsport seguia na frente do #8 da Tower Motorsport, em LMP3, João Barbosa conseguia encurtar um pouco a desvantagem para o líder mas continua a três voltas do primeiro lugar.

Em GTLM o Corvette #3 teve um problema na penúltima paragem nas boxes e com isso caiu para o quarto lugar. O BMW #24 liderou durante breves instantes mas o Corvette #4 voltou à frente do pelotão. No último ciclo de paragens o #24 voltou para a frente mas desta vez foi destronado pelo #3 que recuperou do erro nas boxes. Em GTD o Mercedes #57 mantinha-se na frente.

Tudo se jogou nas últimas paragens e a estratégia da WTR passou por reabastecer o #10 e trocar apenas os pneus do lado esquerdo. O Mazda #55 os Cadillac #01 e o #48 estavam todos na luta pela vitória mas no final das últimas paragens nas boxes era o português na frente da corrida. Estava tudo nos ombros de Albuquerque, que a meia hora do fim da prova tinha apenas seis segundos de vantagem para o #01, com o #55 a fechar o top3.

Van der Zande continuava com um andamento forte e Albuquerque tentava segurar o #01. A vinte minutos do fim a diferença entre ambos era apenas de pouco mais de um segundo. Van der Zande pressionou tanto quanto pôde Albuquerque, mas a sete minutos do fim da prova um furo no pneu traseiro direito atirava o #01 para as boxes e dava a Albuquerque a margem para gerir os cinco segundos que tinha para o #55 de Harry Ticknell, com Kamui Kobayashi a fechar o top3. Mas a três minutos do fim Kobayashi passou por Ticknell e tentava chegar a Albuquerque.

Mas nada mais impediu a vitória do português que cruzou a linha de meta em primeiro lugar. O top três manteve inalterado até ao final. Que final! Que prova! Que piloto!

Em LMP2 a vitória sorriu ao #18 da Era Motorsport ( Kyle Tilley, Dwight Merriman, Paul-Loup Chatin, Ryan Dalziel) que suplantou o #8 da Tower Motorsport que parecia ter mais argumentos para vencer, mas o #18 esteve mais forte nas últimas horas.

Em LMP3 a história já estava contada e o #74 da Riley Motorsport ( Oliver Askew, Spencer Pigot, Scott Andrews, Gar Robinson) venceu, seguido do #33 da Sean Creech Motorsport de João Barbosa e o #6 fechou o pódio.

Em GTLM os Corvette selaram a espera dobradinha mas tiveram de suar muito para segurar os intentos do BMW #24. Uma corrida dominada de início a fim mas sempre muito renhida. O #3 (Antonio Garcia, Jordan Taylor e Nicky Catsburg) cruzou a linha de meta em primeiro.

Em GTD confirmou-se a vitória do #57 da HTP Winward Motorsport (Russell Ward, Indy Dontje, Philip Ellis, Maro Engel) que esteve praticamente sempre na frente na segunda metade da prova.

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13 comentários

  1. Zingromé

    31 Janeiro, 2021 at 20:54

    Ultimo quarto de hora de nervos…
    Parabéns
    Mais uma!!!!!!!!

  2. Scb

    31 Janeiro, 2021 at 20:55

    Aqueles últimos 25 minutos foram de cortar a respiração, mas o Filipe foi-se aguentando, até que quando o Cadillac #01 fura, pudemos respirar de alívio. Parabéns ao Filipe a juntar mais uma vitória numa grande prova ao seu currículo. Enorme pilotagem.

  3. Cágado1

    31 Janeiro, 2021 at 21:03

    Corrida com muita emoção artificial, à conta dos procedimentos de SC, mas com um final de cortar a respiração e uma grande satisfação. Grande Filipe!

  4. jose melo

    31 Janeiro, 2021 at 21:09

    Parabéns ao FA. Posso estar enganado, mas apesar da última meia hora ser de nervos, creio que foi mais para quem viu que propriamente para o FA. E se assim for, é uma prova (mais uma) de que o FA é indiscutivelmente um dos melhores pilotos da categoria, pois tinha a perfeita noção do que o material aguentaria. Ou seja, com a noção de que a aproximação do Cadillac estava a forçar demasiado aquele pneu. Mesmo assim, e se assim não for, também se notou que na parte lenta era só preciso “tapar” e na parte rápida o adversário não ganhava. Numa altura em que as marcas estão a definir pilotos para os hiper, e se ainda não está fechado algum contrato, o FA deu um passo de gigante para que as melhores marcas olhem para ele.

  5. Cágado1

    31 Janeiro, 2021 at 21:14

    Já agora, quanto ao acidente da partida, nunca nutri grandes simpatias pelo Spengler, mas acho que desta ele tem alguma razão, são bem visíveis as luzes de travagem acesas no Porsche do Estre, quando já estão os 1ºs a acelerar. Vês que o Spengler ainda toca ligeiramente nos travões e tenta desviar-se. Acho que uma direcção de prova rigorosa não o devia ter penalizado, depois de vistas bem as imagens.

    • Scb

      31 Janeiro, 2021 at 21:23

      O Estre trava porque estava a aproximar-se demasiado do Corvette à sua frente. Faz lembrar um pouco o GP Toscânia, mas aqui o Spengler deveria conseguir ver os Corvette. Isto de querer ganhar uma corrida de 24h no arranque….

      • Cágado1

        31 Janeiro, 2021 at 21:34

        A ser verdade, quer dizer que foi o Estre que acelerou cedo demais e teve de travar. Nunca fiz uma partida lançada numa prova desta (como infelizmente é razoavelmente óbvio), mas fiz muitas de kart e é um regra de ouro que quando se entra na zona de partida o travão não existe, só o acelerador é que mexe.

  6. AM11071730

    31 Janeiro, 2021 at 21:48

    A última meia hora foi de roer as unhas, mas valeu a pena. Grande corrida ….

  7. FormulaTwo+1

    31 Janeiro, 2021 at 23:14

    Bom de ver!!! Um piloto absolutamente top! Albuquerque, Barbosa, Felix da Costa, Lamy… Portugal tem talentos do melhor na resistência!

  8. Jo05031741

    31 Janeiro, 2021 at 23:27

    Que belo desempenho

  9. Roderlei Bigliazzi Roder

    1 Fevereiro, 2021 at 3:23

    Ele ganhou sozinho? Que chamada de meia-verdade não dizer que “FILIPE ALBUQUERQUE e equipe FAZem MAGIA E VENCE PELA TERCEIRA VEZ

    • Jabba

      1 Fevereiro, 2021 at 12:24

      Se visse as declarações do R. Taylor no fim talvez percebesse que lá fora o talento do Felipe é reconhecido e destacado. Neste momento é dos melhores do mundo em Protótipos. A sua equipa não era a favorita à vitória. Se for rever a última hora e meia de prova vai perceber melhor

  10. Speedway

    2 Fevereiro, 2021 at 13:07

    É um valor seguro do automobilismo internacional duma boa geração dos nossos pilotos que, pelos vistos, vai ser dificil ter continuidade.
    E estes carros são mais agradáveis à vista que os “esmurrados” do mundial de protótipos !

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