Que corrida! Filipe Albuquerque venceu as 24h de Daytona com a sua nova equipa, a Wayne Taylor Racing e mostrou porque é um dos melhores do mundo.
Um recital de condução foi o que Albuquerque deu na última hora da prova em que segurou de forma imperial a liderança da prova. Os ataques dos adversários sucederam-se mas nada perturbou a estrela portuguesa, que conquistou assim Daytona pela terceira vez, segunda à geral. O #48 da Action Express ficou em segundo e o Mazda #55, depois de uma recuperação espetacular fechou o top3.
O filme da prova
A corrida começou de forma limpa e sem problemas para os DPi mas o mesmo não se pode dizer nos GTLM. O problema começou quando Bruno Spengler, no BMW M8 GTE #25, bateu no Porsche 911 RSR-19 # 79 de Kevin Estre da WeatherTech Racing, provocando um pião na máquina germânica. O carro da Estre sofreu danos significativos e acabou por perder parte da carroçaria traseira, provocando o primeiro Full Course Yellow. O Ferrari 488 GTE Evo da Risi Competizione de Alessandro Pier Guidi foi atingido na porta pelo Porsche e foi o terceiro carro envolvido no incidente.
Spengler foi penalizado com um drive-through por responsabilidade no incidente, enquanto Estre foi forçado a levar o seu Porsche para o pit lane para reparações e perdeu 13 voltas antes de recomeçar.
Mas ainda antes da corrida começar, a Mazda começou mal quando o RT24-P #55 teve dificuldades para deixar o pit lane com problemas nas passagens de caixa. Oliver Jarvis acabou por se juntar ao pelotão, mas foi forçado a arrancar do fim.
Ben Keating construiu uma vantagem de mais de 20 segundos na classe LMP2 para o #52 da PR1/Mathiasen Motorsports.
— IMSA (@IMSA) January 30, 2021
Primeira hora da Action Express
O Cadillac #31 controlou a corrida na primeira hora mas perdeu a liderança num Full Course Yellow (FCY). Felipe Nasr foi forçado a entrar nas boxes antes de tal ser permitido para não ficar sem combustível, o que exigiu uma paragem extra nas boxes para um serviço completo.
Houve quatro FCY nas quatro primeiras horas. O Oreca #81 da DragonSpeed teve um acidente Curva 1 na segunda hora o que levou à sua desistência. Menos de uma hora depois, o carro da Team Nederland bateu na Bus Stop com Frits van Eerd ao volante. O carro ficou severamente danificado entrando também para a lista de desistências. A segunda equipa que vinha do WEC, o #20 da High Class Racing (com Robert Kubica) também desistiu com problemas na caixa de velocidade.
Prior to the current caution: on-board with the No. 3 @CorvetteRacing at @DAYTONA.#IMSA / @Rolex24Hours pic.twitter.com/1aUzaR3vm9
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#5 Subiu à liderança
Depois do azar de Nasr foi o #5 da JDC- Miller Motorsport a assumir a frente da prova com Tristan Vautier. O francês tinha uma vantagem de 11,8 segundos sobre o #01 da Chip Ganassi Racing Cadillac de Scott Dixon, com Hélio Castroneves em terceiro lugar no #10 da Wayne Taylor Racing. Filipe Albuquerque foi o responsável por fazer a largada na sua nova equipa e mostrou algumas dificuldades em igualar o ritmo dos Cadillac, que dominavam nesta fase, mas ainda assim o português usou a sua determinação e talento para subir na tabela entregando o carro na terceira posição, tendo largado de quinto.
Em LMP2 o favorito #52 PR1/Mathiasen Motorsports caiu na tabela, depois de ir para as boxes com um problema. Em GTLM o domínio dos Corvette era claro mas os BMW estavam sempre por perto, tal como o Ferrari #62.
Em LMP3 o #33 de João Barbosa ia recuperando posições e foi subindo até à segunda posição.
Dancing in the dark.
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No. 01 @Cadillac @CGRTeams takes the lead in DPi.#IMSA / @Rolex24Hours pic.twitter.com/6VIMuLcdhf
Depois da liderança o azar
A primeira grande surpresa aconteceu pouco tempo depois. Um contacto entre Tristan Vautier e um GTD forçou a JDC-Miller Motorsports a trazer o seu Cadillac DPi-V.R para a garagem para reparações significativas durante a décima hora da prova
Renger van der Zande, no Cadillac #01 assumiu a liderança da prova que ia sendo dividida entre o #01, o #31.
Na categoria GTLM só dava Corvette Racing, com Nick Tandy a liderar a classe no Corvette C8.R #4 após nove horas e meia e parecia que a luta seria entre o #3 e o #4. Em GTD o Ferrari da AF Corse assumia a liderança, numa categoria onde tudo estava muito baralhado.
Prior to the caution: @CorvetteRacing competing amongst themselves for the lead in GTLM. #IMSA / @Rolex24Hours pic.twitter.com/65PprDpEGD
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A noite acordou o Acura #10
Com o avançar da noite o Acura da WTR começou a ganhar mais ritmo e quando o relógio chegou às 12h de prova, era Filipe Albuquerque a liderar o pelotão.
O português aproveitou o reinício da corrida após o sexto FCY e passou Kevin Magnussen ao sair da Curva 1, colocando a Acura na liderança geral, após várias horas de Cadillac DPi-V.R na frente. Magnussen colocou pressão sobre Albuquerque mas acabou por cair para terceiro atrás de Simon Pagenaud no #48 da Action Express. Pagenaud tentou passar por Albuquerque mas o piloto do Acura defendeu-se bem e manteve o lugar.
A Mazda Motorsports já tinha uma volta a menos, quando perdeu mais duas voltas durante o período de FCY para uma longa reparação na traseira do carro.
A primeira metade da corrida em GTLM foi dominada pela Corvette Racing, embora tanto a Risi Competizione como a BMW Team RLL se tenham mantido na mesma volta do líder.
A classe GTD contou com vários líderes, mas Maro Engel no Mercedes #57 começava a impor uma tendência que foi perdurando ao longo da segunda metade depois do #21 da AF Corse ter liderado até perto do meio da prova.
Prior to the caution: @Acura vs. @Cadillac for the lead in DPi.#IMSA / #Rolex24 pic.twitter.com/86tuFXR32V
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Acura mantinha-se firme na frente, #31 fora da luta
Quando os primeiros raios de sol apareceram na Daytona Internacional Speedway o Acura #10 mantinha-se na frente da corrida. Alex Rossi liderava apesar da pressão de Magnussen. Esta dupla proporcionava uma luta fantástica e o dinamarquês chegou a ultrapassar Rossi, numa das melhores manobras da prova, mas logo a seguir foi penalizado por infringir as regras na paragem anterior nas boxes, o que atirou o #01 para o quinto lugar.
As contas nos Dpi eram complicadas de fazer, mas quando faltavam pouco mais de cinco horas para o fim da prova o #31 foi obrigado a entrar para as boxes com um problema na caixa de velocidades. Isso levou a uma reparação demorada que implicou um atraso de 22 voltas para a equipa que ficava assim fora da luta pela vitória. Nesta fase Matthieu Vaxivierre liderava em LMP2 no #8 da Tower Motorsport, enquanto Nick Tandy liderava a prova em GTLM com uma dobradinha da Corvette à vista. Apesar de estarem na frente a corrida toda, as lutas com o BMW #25 e até com o Ferrari #62 foram intensas e os homens dos carros americanos tiveram sempre muito atentos para se manterem na frente.
Em LMP3 as contas pareciam estar já feitas. O #74 da Riley Motorsport liderava com cinco voltas de avanço para o #33 da Sean Creech Motorsports de Barbosa, que perdeu muito tempo durante a noite e ficou assim longe da vitória na classe.
Em GTD o #57 e o #21 davam grande espetáculo com lutas acesas mas com o passar do tempo o #57 manteve-se na frente, apesar do incidente com o #21 que levou a reparações no Ferrari e colocaram a equipa que chegou a liderar parte da prova a duas voltas do líder. O Mercedes #75 da SunEnergy1 Racing passou a pressionar o #57 quando faltavam três horas para o final.
A três horas do fim, Albuquerque continuava liderar com uma vantagem de 15 segundos sobre o #48 de Mike Rockenfeller depois de batalhas renhidas com o Cadillac #48, bem como com o Cadillac # 01 Chip Ganassi Racing Cadillac.
AJ Allmendinger trouxe o #60 da Meyer Shank Racing para terceiro, à frente de Scott Dixon, que estava ao volante do #01.
Paul-Loup Chatin passou para a frente dos LMP2 no #18 Oreca da Era Motorsport com o #82 da DragonSpeed a ter problemas no motor, quando estava em segundo lugar. O #8 mantinha-se também na luta depois de ter liderado durante várias horas.
O #74 da Riley Motorsports continuava a liderar os LMP3, enquanto a Corvette Racing continuava com a dobradinha em vista em GTLM, liderado pelo #3 de Nicky Catsburg.
Maro Engel no #57 mantinha-se à frente do N.º 75 SunEnergy1 Racing Mercedes-AMG, numa potencial dobradinha para o fabricante alemão.
Prior to the caution: 1-2-3 in DPi all different manufacturers battling it out for the top spot.#IMSA / #Rolex24 pic.twitter.com/m3WYhKn1Wx
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#10 foi aguentando sempre a pressão
Na 21ª hora de prova, Scott Dixon viu um dos pneus ceder, quando ocupava a terceira posição. O incidente obrigou a mais um FCY e à queda do #01 para a quinta posição. Nas idas para a boxe o #60 ficou na frente da prova, mas o #10, com Taylor ao volante, tratou de passar logo para a frente da corrida na primeira curva. No espaço de quatro curvas o #60 passou de segundo para quarto com o Mazda #55 e o Cadillac #48 no pódio provisório.
Começavam a surgir problemas com o #3 que teve problemas no arranque na sua paragem nas boxes e no recomeço foi penalizado com um drive – through por infração dos regulamentos na paragem.
A luta entre o #10 e o #55 aquecia cada vez mais e o Mazda, que largou do último lugar e chegou a ter três voltas de atraso estava na luta pela vitória. Um erro de um GTD levou a mais um FCY para limpar a pista, e no recomeço Taylor voltou a afastar-se do perigo do Mazda enquanto atrás o #48 ficava sob pressão do #01. Em LMP2 o #8 voltou a liderança da prova na sua classe e em GTLM, o BMW #24 estava agora na frente da corrida com o #4 a pressionar muito, enquanto o #3 tentava recuperar tempo. Pouco depois vimos o Corvette a passar pelo BMW e a “normalidade” voltou à pista. Em LMP3 e GTD não havia mudanças na frente de cada classe.
DPi-GTD split 🍨🍌#IMSA / @Rolex24Hours pic.twitter.com/L9wgS9vgxq
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Últimas horas de loucos
Quando faltava uma hora para o fim das 24h de Daytona. Albuquerque estava em pista e levaria o Acura #10 até à linha de meta. O português estava na frente da corrida mas a concorrência estava perto.
Dois Full Course Yellow juntaram o pelotão e provocaram momentos tensos em pista, mas o #10 conseguiu responder a todos os desafios e manter-se na frente. Atrás de si seguia o Cadillac #01 que sofreu um furo e caiu até ao quinto, mas conseguiu recuperar e estava no encalço do #10, seguido do surpreendente Mazda #55 que depois de estar com três voltas de atraso estava na luta pela vitória.
Em LMP2 o #18 da Era Motorsport seguia na frente do #8 da Tower Motorsport, em LMP3, João Barbosa conseguia encurtar um pouco a desvantagem para o líder mas continua a três voltas do primeiro lugar.
Em GTLM o Corvette #3 teve um problema na penúltima paragem nas boxes e com isso caiu para o quarto lugar. O BMW #24 liderou durante breves instantes mas o Corvette #4 voltou à frente do pelotão. No último ciclo de paragens o #24 voltou para a frente mas desta vez foi destronado pelo #3 que recuperou do erro nas boxes. Em GTD o Mercedes #57 mantinha-se na frente.
Tudo se jogou nas últimas paragens e a estratégia da WTR passou por reabastecer o #10 e trocar apenas os pneus do lado esquerdo. O Mazda #55 os Cadillac #01 e o #48 estavam todos na luta pela vitória mas no final das últimas paragens nas boxes era o português na frente da corrida. Estava tudo nos ombros de Albuquerque, que a meia hora do fim da prova tinha apenas seis segundos de vantagem para o #01, com o #55 a fechar o top3.
Van der Zande continuava com um andamento forte e Albuquerque tentava segurar o #01. A vinte minutos do fim a diferença entre ambos era apenas de pouco mais de um segundo. Van der Zande pressionou tanto quanto pôde Albuquerque, mas a sete minutos do fim da prova um furo no pneu traseiro direito atirava o #01 para as boxes e dava a Albuquerque a margem para gerir os cinco segundos que tinha para o #55 de Harry Ticknell, com Kamui Kobayashi a fechar o top3. Mas a três minutos do fim Kobayashi passou por Ticknell e tentava chegar a Albuquerque.
Mas nada mais impediu a vitória do português que cruzou a linha de meta em primeiro lugar. O top três manteve inalterado até ao final. Que final! Que prova! Que piloto!
Em LMP2 a vitória sorriu ao #18 da Era Motorsport ( Kyle Tilley, Dwight Merriman, Paul-Loup Chatin, Ryan Dalziel) que suplantou o #8 da Tower Motorsport que parecia ter mais argumentos para vencer, mas o #18 esteve mais forte nas últimas horas.
Em LMP3 a história já estava contada e o #74 da Riley Motorsport ( Oliver Askew, Spencer Pigot, Scott Andrews, Gar Robinson) venceu, seguido do #33 da Sean Creech Motorsport de João Barbosa e o #6 fechou o pódio.
Em GTLM os Corvette selaram a espera dobradinha mas tiveram de suar muito para segurar os intentos do BMW #24. Uma corrida dominada de início a fim mas sempre muito renhida. O #3 (Antonio Garcia, Jordan Taylor e Nicky Catsburg) cruzou a linha de meta em primeiro.
Em GTD confirmou-se a vitória do #57 da HTP Winward Motorsport (Russell Ward, Indy Dontje, Philip Ellis, Maro Engel) que esteve praticamente sempre na frente na segunda metade da prova.











