Era só uma questão de tempo: a FIA anunciou os detalhes de uma nova Fórmula Elétrica para os GT. Os carros vão ter 430 kW (577 cv), e servir como ‘laboratório’ para o desenvolvimento de tecnologia de baterias e de carregamento rápido.

A FIA revelou uma nova categoria para o desporto automóvel: um GT elétrico que irá ajudar os fabricantes a desenvolver baterias, formas de carregamento rápido e outras tecnologias para carros de estrada de alto desempenho. Os carros irão atingir os 430 kW (577 cv) e utilizar baterias de 87 kWh com 700 kW de carga para regeneração, podendo dessa forma recuperar 60% da sua capacidade em poucos minutos, por exemplo, durante uma paragem nas boxes a meio da corrida.
A ideia aqui é clara: uma combinação única de inovações no desporto automóvel que se destinam a servir de plataforma para os fabricantes desenvolverem tecnologias aplicáveis aos seus automóveis de estrada, de alto desempenho.
Os automóveis construídos segundo este conjunto de regras técnicas competirão de forma semelhante aos atuais GT, dentro de uma janela de desempenho semelhante à atual geração de carros GT3, mas terão um desempenho superior ao dos seus homólogos de motor de combustão, em critérios como aceleração e velocidade em qualificação.
A nova classe baseia-se muito no envolvimento direto dos fabricantes, com os regulamentos técnicos pensados para se equilibrar entre permitir aos OEM (fabricante de equipamento original, empresas que fabricam dispositivos a partir de peças componentes compradas a outras organizações) uma margem criativa e desenvolver tecnologia de ponta, evitando ao mesmo tempo uma escalada de custos.
A classe estará aberta tanto a especialistas na construção de veículos elétricos sem experiência prévia de motorização de combustão como a fabricantes já envolvidos na classe GT3, que poderão utilizar a arquitetura e certos elementos de design dos seus carros, convertendo-os para motorização elétrica.

Dependendo do modelo de base, o peso mínimo dos carros variará de 1.490 a 1.530 kg, com uma potência máxima de 430 kW (577cv). O estabelecimento de um limite de peso mais elevado, do que o atual na classe GT3, visa limitar a utilização de materiais caros, que é o que sucede quando os construtores têm de introduzir materiais compósitos.
Esta será a primeira categoria no desporto motorizado elétrico que não utilizará baterias normalizadas pois irá acomodar carros de arquiteturas muito diferentes com espaços diferentes disponíveis para instalar componentes chave.
Através de parceria com uma empresa da indústria, a Saft, uma subsidiária da Total, a categoria permitirá aos fabricantes construírem os seus próprios layouts de baterias por medida com base nas células fornecidas pela Saft.
Confiando na experiência de 100 anos da Saft em áreas como a aeronáutica, programas espaciais, defesa e desporto motorizado, a Saft desenvolveu células de bolsa de iões de lítio por medida, otimizadas para as necessidades da nova classe.
As células foram concebidas para permitir uma regeneração de 700kW de pico e uma recarga rápida de 700kW que lhes permitirá recarregar até 60% da sua capacidade em poucos minutos, por exemplo durante uma paragem nas boxes a meio da corrida. A rede de recarga será desenvolvida para satisfazer os requisitos de carregamento rápido e, dependendo do local, incluirá elementos de infra-estrutura permanente e temporária.
Para além do carregamento rápido, a categoria apresentará várias outras inovações relevantes do ponto de vista da transferência de tecnologia. Todos os fabricantes terão a liberdade de escolher as suas próprias configurações de motorização, compostas por dois ou quatro motores elétricos, com ambas as configurações de duas e quatro rodas permitidas.
Os automóveis terão também um controlo dinâmico do veículo que ajustará automaticamente o binário de cada roda independentemente com base na velocidade, aceleração, tração e ângulo de direção, assegurando assim que os carros terão características de manobra bem para lá do que estamos habituados neste tipo de carros.

VISÃO SUSTENTÁVEL A LONGO PRAZO
A introdução deste novo conceito está de acordo com a visão a longo prazo da FIA para a implementação de fontes de energia sustentáveis em toda a sua carteira de disciplinas do desporto automóvel, dando assim um exemplo, na necessária abordagem à redução das emissões de CO₂, reflectindo ao mesmo tempo as últimas tendências da indústria automóvel, e respondendo às exigências do mercado.
O promotor desta nova competição, será futuramente anunciado. Para Jean Todt, Presidente da FIA: “A visão da FIA é fazer do desporto automóvel um laboratório para a mobilidade sustentável. O anúncio desta nova categoria de carros GT movidos a electricidade é um marco fundamental ao serviço deste objetivo, uma vez que abrirá o caminho para novas tecnologias de bateria e de carregamento rápido. Uma ilustração perfeita da nossa abordagem corrida para a estrada”.
Leena Gade, Presidente da Comissão GT da FIA, afirmou: “O mercado de supercarros elétricos rodoviários de alto desempenho está em constante ascensão, daí que uma plataforma que permita aos fabricantes desenvolverem e mostrarem a sua tecnologia era muito necessária. A criação destes regulamentos técnicos tem sido um projeto chave para a Comissão GT da FIA ao longo dos últimos dezoito meses.
Temos mantido discussões regulares com fabricantes de GT através dos nossos Grupos de Trabalho Técnicos e há um grande interesse nesta nova categoria.
Também alarga a carteira GT da FIA, coexistindo juntamente com os GT3, que por enquanto continuarão a ser o foco do mercado de corridas de clientes em todo o mundo”.
Segundo Xavier Mestelan Pinon, Director Técnico da FIA: “O papel da propulsão eléctrica na indústria automóvel é cada vez maior, uma vez que queremos que o desporto automóvel seja relevante para a nossa indústria, cada vez mais competições irão nesta direção. Os principais desafios técnicos são o desenvolvimento da bateria, a integração da bateria nos automóveis e a tecnologia de carregamento rápido.
Isto é crucial para os fabricantes que querem desenvolver tecnologia relevante para as estradas, em vez de dependerem de componentes padrão.
Além disso, ser capaz de utilizar e adaptar a plataforma GT3, assegura que os custos











