CPV/IS: Francisco Mora fez o balanço de 2025 e olha para 2026 com ainda mais ambição

Por a 18 Fevereiro 2026 15:15

Francisco Mora volta a ser uma das figuras centrais da Toyota Gazoo Racing Caetano Portugal em 2026, ao volante do GR Supra GT4 EVO2, numa temporada em que a marca reforça a sua presença na velocidade ibérica, com um programa completo no Campeonato de Portugal de Velocidade, Iberian Supercars e Supercars España.

Depois de um 2025 marcado por vitórias em praticamente todos os circuitos visitados, mas também pela frustração de ver os títulos escapar por detalhes, o piloto maiato entra no novo ano com um objetivo claro: transformar andamento em campeonatos, agora com Rodrigo Almeida como novo colega de equipa na categoria GT4 Pro e com a vantagem estratégica de um segundo Supra a trabalhar em paralelo.

Nesta conversa com o AutoSport, Mora fala da decisão de continuar na Toyota, da forma como lê a perda do título, do impacto de mudar de parceiro de carro, dos benefícios de ter dois GT4 em pista e das ambições que ainda guarda para os palcos europeus.

Depois de um ano forte com a Toyota, em que lutaste pelos títulos em Portugal e na Península Ibérica, por que é que decidiste manter‑te ligado ao projeto em 2026?

Já no ano passado tínhamos desenhado um projeto de vários anos, não apenas de uma época. Na minha cabeça, só se algo corresse mesmo muito mal — e eu nunca senti isso — é que esta ligação poderia não continuar. Claro que, numa perspetiva ideal, gostava que já estivéssemos a falar de um programa europeu, mas sei que isso não depende só de mim nem só da Toyota.

O que é certo é que 2025 foi um ano bastante positivo, mesmo sem títulos. Os títulos são importantes, obviamente, mas as corridas também são isto: uns ganham, outros perdem. O importante é que sinto que este ano temos tudo para lutar novamente pelos campeonatos e, espero eu, conquistá‑los.

Tinhas uma relação longa e muito próxima com a Veloso Motorsport. Essa mudança de “casa” em 2025 tirou‑te algum equilíbrio?

Sinceramente, não. A adaptação à Toyota foi tranquila, muito mais calma do que aquilo que se poderia imaginar de fora. Entrei numa estrutura sólida, que nos deu todas as condições.

O que afetou mais a temporada anterior não foi a mudança de equipa, foram os erros que foram surgindo ao longo da época. Houve situações em que tínhamos vantagem face à concorrência e, mesmo assim, acabámos por deitar fora resultados que podiam ter facilitado muito a luta pelos títulos. Quando tens a oportunidade de fechar um campeonato, tens de evitar ao máximo deixar tudo para a última prova, e isso foi um pouco o espelho do nosso 2025.

Ganharam praticamente em todos os traçados, entre CPV, Iberian Supercars e Supercars España, e ainda assim ficaram sem os títulos. O que é que isso te diz sobre o vosso ano?

Diz, acima de tudo, que andamento não chega. Fomos competitivos em todas as pistas, estivemo sempre no lote dos mais rápidos. No papel, o título deveria ter sido uma realidade. Houve jornadas em que isso se notou de foma mais vincada. Em Jarama nós tínhamos um ritmo muito forte, tal como em Portimão e Jerez. Foram fins de semana em que estivemos claramente um furo acima dos adversários. Saímos dessas provas sem ter capitalizado todo o bom andamento que demonstrámos e eu avisei logo que isso se ia pagar mais tarde. Infelizmente, estava certo. É uma lição que fica para este ano… a velocidade é indispensável, mas a regularidade é igualmente fundamental.

A Speedy dominou os últimos dois anos com o mesmo carro que vocês. Faltou alguma coisa à estrutura da Toyota?

Eu não acho que tenha faltado o que quer que seja à estrutura. Não gosto de tirar mérito ao César e à Speedy, muito pelo contrário, é preciso reconhecer o mérito de quem vence. No entanto, sinto claramente que fomos nós que perdemos o título, não foi a Speedy que nos tirou nada. Eles estavam no sítio certo à hora certa, acabaram as corridas e isso conta muito. Em termos de andamento, sinto que estivemos quase sempre na frente, foram eles que tiveram de vir atrás de nós, não o contrário. Este campeonato ganha‑se sem erros, sem acidentes, porque o calendário é curto e não há muito espaço para recuperar.

Para 2026 vais ter um novo colega de carro, o Rodrigo Almeida. Era necessária esta mudança de parceiro para dar um passo em frente?

Acho que sim, que fazia sentido uma mudança. Uma mudança como esta traz novos desafios que nos podem fazer crescer a todos. O Rodrigo traz algo diferente: tem experiência em corridas internacionais, conhece a exigência de andar lá fora. Isso, para mim, é um ponto muito importante. Cada dupla tem um piloto já com experiência e outro piloto novo na casa, com uma nova perspetiva e nova visão. É uma mistura muito interessante e acredito que traga excelentes resultados.

Que impressão ficaste do Rodrigo depois dos primeiros testes em conjunto?

Tivemos uma manhã de testes no Estoril e foi suficiente para perceber que ele tem muito potencial.

Estes GT4 não têm uma performance absurda, chegam a um limite em que, por muito bom piloto que sejas, não consegues tirar muito mais do carro, não é como um GT3 ou um Cup.

Aqui tens de ser rápido, mas sobretudo paciente, agressivo q.b., porque o carro não aceita exageros.

Quem vem de GT3 para GT4, como é o caso dele, acaba por sentir que mais facilidades, porque o andamento é menor. Mesmo que em qualificação exista alguma diferença, acredito que em corrida a experiência internacional dele se vá notar.

Claro que isto ainda é teoria, só quando estivermos na primeira prova é que vamos ver como funciona.

Mas ele tem também o Tiago Monteiro como apoio, alguém muito capaz, que sabe o que é gerir pressão e campeonatos, e isso pode ajudá‑lo muito neste contexto de maior pressão.

A Toyota passa agora a alinhar com dois Supra GT4. Em termos práticos, quanto é que isso muda a vossa vida ao fim de semana?

Muda bastante, para melhor. Em 2025 fizemos um trabalho muito bom de desenvolvimento e de afinação do carro, e este ano já partimos de uma base sólida, com um Supra que é muito versátil. Não vamos precisar de andar a inventar tanto, nem a experimentar mundos e fundos, como aconteceu no ano passado com a mudança de pneus e tudo isso.

Agora podemos focar‑nos nos detalhes. Para o Rodrigo é ótimo, porque não precisa de perder tempo a tentar encontrar o melhor set‑up, pode concentrar‑se em conhecer pistas e evoluir onde já correu.

Para mim e para a equipa, ter dois carros iguais, com bons pilotos, permite comparar dados e sensações de forma muito mais eficaz. Agora temos duas excelentes duplas e dois carros competitivos. 

Sentiram essa falta de “carro de referência” em algum momento específico de 2025?

Sim, claramente em Vila Real. Fomos numa certa direção de set‑up e só percebemos que não era o ideal muito tarde, também porque o fim de semana estava todo condensado num único dia. Mudámos o carro entre treinos livres e qualificação, com uma alteração grande, e eu acabei por falhar a pole por milésimos.

Estava a descobrir o carro com aquela nova afinação em tempo real, sem ter tido oportunidade de ir verdadeiramente ao limite.

Na altura comentámos que, se tivéssemos tido outro Supra a testar noutra direção, provavelmente teríamos chegado às conclusões certas logo no primeiro treino livre. Foi o único fim de semana em que sentimos de forma mais severa, mas mostrou bem a diferença que faz ter dois carros. Este ano isso vai beneficiar todos: eu e o Rodrigo, mas também o Chico e o Zé Carlos.

Para 2026, olhando para o pelotão, esperas um nível competitivo semelhante ao do ano passado ou achas que vai subir?

Não vejo como possa subir muito, porque não há assim tantos pilotos novos que venham acrescentar claramente valor face aos que já lá estão. Há duplas fortes, como o Jan Duran com o Eric Gené, por exemplo, e reconheço a experiência do Jan no Europeu. Mas não os vejo como sendo superiores ao grupo de pilotos que já compõe a frente do pelotão.

Continuo a achar que, em Portugal e Espanha, o Toyota está uns furos acima, desde que o BoP (Balance of Performance) não nos afete em demasia. Se o BMW tiver um BoP muito favorável, eles vão estar na luta, porque também têm bons pilotos, isso é certo. Nas pistas portuguesas, historicamente, os espanhóis tendem a vacilar um pouco mais, e não me surpreenderia que isso voltasse a acontecer.

Vimos também o FPAK Júnior Team dar um salto grande, com um carro competitivo para os mais novos. Se tivesses tido algo assim na tua fase de formação, teria feito diferença?

Acho que muita gente nova ainda não percebe bem a sorte que tem. Quando eu comecei a correr lá fora não se falava de automobilismo como se fala hoje, nem havia este tipo de projetos estruturados para jovens. Se na minha altura tivesse existido algo semelhante, ou a possibilidade de articular corridas lá fora com um programa cá apoiado por federação e marcas, provavelmente teria começado a sobressair mais cedo.

É muito positivo, não só para os miúdos como também para nós, que já somos “mais velhos”, porque estes programas trazem marcas, público, investimento e acabam por puxar todo o ecossistema para cima.

Acreditas que esta ligação à Toyota pode abrir a porta a um Europeu ou a outros campeonatos lá fora?

Eu gostava, claro. Temos de ter noção de que estamos a falar da Toyota Gazoo Racing Caetano Portugal, e que as prioridades da marca podem não passar por meter uma equipa no Europeu. Mas estar associado oficialmente a uma marca deste nível é sempre uma mais‑valia, sobretudo quando falamos de apoios.

Mesmo que a Toyota não avance diretamente para um programa europeu, pode ajudar a criar as condições e as ligações certas para que isso aconteça através de parceiros. Este é um projeto pensado a três ou quatro anos, também com o Zé Pedro Fontes, que foi quem me abriu a porta para o regresso à Sports & You, e a ideia é trabalhar nesse sentido, passo a passo.

A Toyota Gazoo Racing Caetano Portugal reforçou a sua aposta na velocidade. Francisco Mora e Francisco Abreu foram as caras dos projetos em 2025 e este ano mantém-se, mas agora com colegas de equipa diferentes. Mora foi um dos destaques em 2025, o que tem feito em praticamente todas as épocas na última década. Em 2026 pretende regressar aos títulos, uma ambição partilhada por toda a equipa. Sem dúvida uma das estruturas mais bem apetrechadas para esta temporada.

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