Ricardo Porém, Campeão Nacional de Todo o terreno, esteve presente na América do Sul a acompanhar o Dakar e fez a sua análise ao AutoSport. Para além de ter vivido por dentro parte da aventura, confirmou que a aposta que fez no MINI para a Baja de Portalegre foi a acertada, já que o All4 racing é mesmo o carro a bater, e mostrou-se surpreendido com a Peugeot, pela falta de competitividade evidenciada: “Aquilo é incrível, a dimensão de toda a prova e a qualidade dos pilotos, bem como a qualidade de carros. Temos 10 MINIs, 10 ou 12 Toyota, mais os Peugeot, não há comparação, há ali pelo menos 30 carros de topo.”
“Nas equipas profissionais não há muito a dizer, porque cada um faz o seu trabalho e lutam pelo seu objetivo. Agora, a partir do 20º nota-se que há um espírito de muita união e amadorismo e isso é o que eu acho que é o verdadeiro Dakar. Às vezes baseamo-nos nas imagens de televisão, vemos os dez primeiros, mas o ‘verdadeiro’ Dakar vem depois. Não logo atrás, porque aí ainda há muitos bons pilotos e carros, mas a partir daí temos o verdadeiro espírito do Dakar e é esse que dá gosto ver. Pilotos a chegarem às dez e onze da noite ao bivouac, alguns nem se via a cara com o pó. Estive também no bivouac, aquilo é incrível. A organização que tem a ASO, a dimensão, eles fazem tudo ali, comem, dormem, é uma pequena cidade. Acho que os concorrentes andam tão cansados que não há barulho que os incomode, devem fechar os olhos e dormir” contou Ricardo Porém, que um dia espera estar do lado de dentro:
“Obviamente que o meu sonho é poder estar do lado de dentro e é por isso que quero lutar. Ali é preciso ter, sem dúvida, espírito de sacrifício e espírito de aventura e acho que tenho isso, acho que não é essa falta de vontade que me impediria de lá estar” começou por dizer o piloto de Leiria, que deu como exemplo Tom Coronel: “É um piloto que já deu mais que provas da sua qualidade, tem um enorme espírito de sacrifício. Se calhar outro qualquer na posição dele, como há tantos, nem ‘metiam lá os pés’, agora ele dormiu no deserto, dormiu no buggy, capotou várias vezes, mas nunca desistiu e sempre com um sorriso na cara. Acho que isso diz tudo do que é aquela prova e do espírito que se vive ali.”
Mini vs Toyota
Logicamente, as questões desportivas foram também muito interessantes, e apesar do regresso da Peugeot ao Dakar, a luta foi entre a MINI e a Toyota: “A Toyota esteve muito bem, mas é um bocadinho o MINI e os ‘outros’, porque o MINI continua a ser um carro muito fiável e competitivo e esteve aliado a um excelente piloto. O Nasser Al-Attiyah só não andou a frente no primeiro dia porque levou uma penalização. Quanto às Toyota e ao Giniel De Villiers há pouco a apontar com o material que têm. O de Villiers é um piloto muito consistente, rápido, e isso foi premiado com o segundo lugar. Agora depois, daí para trás, surgem novamente os MINI, até ao quinto lugar” referiu ricardo Porém, que não ficou bem impressionado com os Peugeot:
“Não gostei dos Peugeot, não gostei dos carros. Parece-me que não conseguem ser competitivos, não conseguem ser rápidos, na minha perspetiva, visto de fora, acho o carro muito difícil de guiar. Acho que o SMG do Chabot é muito mais fácil de guiar do que o Peugeot 2008 DKR. Primeiro porque o centro de gravidade é mais baixo, o Peugeot parece que é um ‘monstro’ que ali vai, uma pessoa vai ali a controlar uma ‘coisa’ que não e fácil, vê-se que eles rodam com dificuldade, parece que não conseguem colocar o carro onde querem. Contudo, não acredito que a Peugeot tenha investido num projeto em que não venha a ‘colher os seus frutos’, e acho que em 2016 tem que se contar com eles, porque eles recolheram muita informação agora e os pilotos também já estão mais formatados para aquele tipo de carro.
Mas, se repararmos, há uma análise que temos que fazer. O Carlos Sainz com o SMG ganhou etapas o ano passado, e com este carro via-se aflito para andar nos cinco primeiros. Isso acho que diz muito. O Peterhansel que é um excelente piloto, com os km que fizeram, também não conseguia chegar-se aos cinco primeiros. Quando vemos a imagens do Eurosport vemos que os carros tinham pouca velocidade de ponta, porque vemos um MINI a passar por ele a uma velocidade incrível, no Salar, e teoricamente os Buggy, com menos atrito e mais leves, deveriam ser mais rápidos. Mas na primeira etapa, que basicamente eram retas, 90º graus, retas, 90º graus, percebido logo que iria ser complicado para os Peugeot. Depois disse-se que não era o terreno dos buggy, então se não era o terreno dos buggies a direito, onde eles davam mais de 200 km/h então iria ser onde? Tanto que nessa etapa o Robby Gordon fez logo segundo ou terceiro…”
“Mas como disse, acho que a Peugeot não se ia pôr num projeto se não fosse para tirar os respetivos dividendos. Eles apostaram muito nos pilotos, a estrutura deles lá era incrível, o bivouac mais desenvolvido, mais pequeno que a X-Raid, porque eles tinham mais carros, mas muito apelativo. Se começarem já a trabalhar, e com os dados que recolheram, acredito que aquilo vá fazer a diferença, vamos ver”, concluiu.










