Pelo terceiro ano os SSV T3 (protótipos ‘leves’) e T4 (SSV de produção) surgem divididos no Dakar em categorias que continuam a crescer. São, de longe, as que mais crescem de ano para ano no Dakar e são cada vez mais os concorrentes a migrar para o T3 e T4, e basta dar o exemplo português para o provar. Hélder Rodrigues, depois de brilhar nas Motos, corre este ano de T3 e Ricardo Porém a mesma coisa, vindo dos automóveis.
Nas sete classificações dos SSV no Dakar dos últimos cinco anos, o chileno Chaleco Lopez é o piloto que mais vezes inscreveu o seu nome entre os vencedores, três, em 2019, 2021 (T4) e 2022 (T3).
O brasileiro Reinaldo Varela venceu em 2018, Casey Currie em 2020, ainda categoria única. Em 2021, quando existiu a separação, T3, T4, o checo Josef Machacek triunfou no T3 e em 2022 Austin Jones no T4.
Quanto aos portugueses, há três duplas no T3, Hélder Rodrigues/Gonçalo Reis (BRP South Racing Can-Am), Ricardo Porém/Augusto Sanz (Yamaha X-Raid Supported Team), e João Ferreira/Filipe Palmeiro (Yamaha X-Raid Supported Team) sendo que qualquer deles tem condições para trazer bons resultados para Portugal. Nos T4, só navegadores, Pedro Bianchi Prata, Miguel Alberty, David Megre e Fausto Mota.
Este ano esperam-se novamente duas categorias muito abertas. 46 equipas estão inscritas nos T4, 47 nos T3. Como tem sido habitual, a Red Bull através da sua Can-Am Factory Team congrega alguns dos melhores pilotos. Este ano, o atual ‘campeão’ em título, Chaleco López bem como Cristina Gutiérrez e ainda o campeão do Mundial de T3, Rokas Baciuška marcam presença na equipa, enquanto a Red Bull Off-Road Junior Team USA tem nas suas hostes Seth Quintero, Austin Jones e Mitch Guthrie. Basicamente, ‘Dream Teams’.
Contudo, e como tem sucedido todos os anos, não é fácil antever uma hierarquia porque há sempre muitas surpresas com perfeitos desconhecidos a surpreenderem muita gente.
Seja como for, é difícil acreditar que os vencedores estejam fora do universo Red Bull, mas nunca se sabe, sem que a prova nos dê algumas pistas nos primeiros dias.
Francisco ‘Chaleco’ López, que já ganhou os SSV três vezes é um nome incontornável, assim como o jovem norte americano Seth Quintero, que apesar de ter ganho 12 etapas em 2022, não foi ele o vencedor. É assim o Dakar, como bem sabemos.
Cristina Gutiérrez, que conquistou o Mundial em 2021, terminou em terceiro no último Dakar. Também na lista estará outro recruta recente da Red Bull, Austin Jones, que tem tudo para brilhar no T3 depois de garantir o título de 2022 num T4. Mitch Guthrie está encarregado de testar um novo modelo em desenvolvimento com vista a rumar aos T3 ‘híbridos’ num futuro próximo.
Mas há vários pilotos que querem contrariar estes favoritismos, como é o caso de Guillaume De Mevius, que brilhou em 2022. Dois ex-motards de topo, Antoine Meo (4º em 2018) e Hélder Rodrigues (3º em 2011 e 2012), ‘viraram-se’ para os SSV e vão correr num Zéphyr da PH-Sport e South Racing Can-Am, respetivamente. E contam chegar-se à frente muito rapidamente.
Já Ignacio Casale, bicampeão dos quads, está de volta após duas temporadas ao volante de um camião, e pode intrometer-se nas lutas dos T3.
A competição não será menos feroz entre os SSVs de produção, os T4. O sexto piloto da Red Bull é nada menos que Rokas Baciuška, que teve um bom desempenho no último Dakar (3º no T4) e desde então esteve muito bem no Mundial de TT. Nova equipa, mas a mesma categoria para o lituano, que irá novamente à luta com o catalão Gerard Farrés (2º em 2022), bem como com o clã Goczał, que serão quase garantidamente competitivos. Os irmãos Michał e Marek ganharam oito etapas entre eles no último Dakar, pelo que a estreia de Eryk, o mais jovem do Dakar, promete, pois diz-se que o jovem é ainda mais rápido do que o seu pai e o seu tio, pelo que tem o potencial de alterar o equilíbrio de forças. Os estreantes podem também surpreender na categoria T4, por exemplo, com dois argentinos, vindos dos Quads, Nicolás Cavigliasso (vencedor de 2019) e Jeremías González (3º em 2018 e 2019). Xavier de Soultrait, que terminou a sua carreira como motociclista (7º em 2019) embarca numa nova aventura num T4 Polaris assistido pela Sébastien Loeb Racing.
Correr em SSV T3 é normalmente um trampolim para os pilotos com pedigree que querem entrar na elite, e nunca antes tantas estrelas em ascensão aproveitaram a oportunidade.
De facto, há 13 pilotos com menos de 28 anos nas listas dos T3 e T4, e a maioria já mostrou flashes de talento. Quatro deles terão 18 anos quando a corrida começar: o ‘bebé’ do plantel, o polaco Eryk Goczał; o espanhol Pau Navarro, autor de performances impressionantes no Rallye du Maroc (2º) e no Rally Andalucía (venceu); o brasileiro Bruno Conti de Oliveira, seguindo os passos do seu pai, que venceu uma etapa em 2022); e, por fim, Aliyyah Koloc, que terá de passar sem a sua irmã gémea Yasmeen, ainda a cuidar de um pulso ferido, que corre no T3. Vale a pena notar que as duas categorias mais recentes do rali também ostentam o maior contingente feminino: treze destes carros têm mulheres atrás do volante, quatro carros com tripulações 100% femininas a bordo.
As senhoras também estão prontas para lutar pela glória.












