O presidente da FIA, Mohammed Ben Sulayem, afirmou que pretende falar com Fernando Alonso para tentar demovê-lo da ideia abandonar a Fórmula 1 no final da temporada. O dirigente reconheceu a frustração do bicampeão mundial perante o rendimento do Aston Martin, mas considera que uma eventual saída motivada pela falta de competitividade não seria a forma adequada de encerrar uma carreira com a dimensão do espanhol.
Aos 45 anos, Fernando Alonso atravessa uma fase particularmente delicada na Fórmula 1. O espanhol, campeão do mundo em 2005 e 2006, continua a ser um dos pilotos mais experientes, respeitados e influentes do paddock, mas os resultados recentes da Aston Martin ficaram aquém das expectativas criadas em torno do projeto liderado por Lawrence Stroll.
Depois de uma época anterior marcada por progressos e pela ambição de se aproximar regularmente dos lugares da frente, o desempenho do monolugar britânico deixou Alonso longe das posições que considera compatíveis com a sua experiência e capacidade. Alonso ainda não decidiu o que vai fazer, ou pelo menos não o tornou ainda público, reiterando que a sua permanência não se prende com a performance atual da equipa. Como tal, ainda é uma incógnita se o espanhol vai permanecer na competição, ou não, mas alguns sinais parecem indicar que a saída pode ser uma realidade.
Para Ben Sulayem, em declarações numa conferência do New Economy Forum, a importância de Alonso ultrapassa os números do seu palmarés. O presidente da FIA salientou que a Fórmula 1 precisa de referências nacionais capazes de mobilizar o público e apontou o bicampeão como uma figura decisiva para o interesse espanhol pela modalidade.
“Ter dois pilotos espanhóis é muito importante. Ter pilotos mais jovens também é importante, mas diria uma coisa: recordo-me de ler sobre o Grande Prémio de Espanha e de existirem problemas com a venda de bilhetes. Não estavam esgotados”, começou por dizer. “Quer se goste ou não, isto é um projeto económico” . Ben Sulayem afirmou que assim que Alonso se envolveu no evento a venda de bilhetes aumentou. “O que é que isso nos diz? Podemos ter a melhor corrida, mas precisamos de um campeão. Precisamos de um herói de quem as pessoas se orgulhem. Espanha tem isso em Fernando e ele consegue proporcionar isso.”
O presidente da FIA encontrou-se recentemente com Alonso em Monza e admitiu ter sentido o desânimo do espanhol, numa fase em que a falta de rendimento do Aston Martin tem condicionado os seus resultados. Ben Sulayem defendeu, contudo, que a grandeza de um campeão não se mede apenas pelo número de títulos conquistados.
“Vi o Fernando em Monza. Para mim, ser um grande campeão não tem apenas a ver com quantos campeonatos ganhou. Tem a ver com a personalidade, com a marca que deixa no desporto e com o nome que constrói”, afirmou. “Fernando é também um piloto inteligente. Vi-o muito triste e disse-lhe: ‘Fernando, compreendo. Não é aceitável chegares ao teu próprio país, depois de seres duas vezes campeão do mundo, e estares no fundo da classificação.’”
Ben Sulayem indicou que a FIA já tomou medidas regulamentares durante a temporada para permitir melhorias relacionadas com as unidades motrizes e deixou claro que o organismo pretende ouvir os pilotos sobre as alterações necessárias para elevar o nível competitivo.
“Disse-lhe: ‘Não te vou dizer o que vamos fazer. Diz-me o que queres, porque és o piloto. Vem dizer-nos o que queres que façamos para melhorar estes resultados. Estamos aqui para apoiar.”
Mais direto ainda foi o responsável máximo da FIA quando confrontado com a possibilidade de Alonso deixar a Fórmula 1 por não dispor de um carro competitivo. Ben Sulayem revelou que irá procurar o espanhol para uma conversa e que tentará persuadi-lo a prolongar a carreira, pelo menos, por mais uma temporada.
“Vou falar com ele quando terminarmos aqui, porque estou a falar de algo importante para o desporto e para um grande desportista”, afirmou. “Não há forma de podermos permitir que Fernando Alonso, um grande campeão, saia apenas por causa das circunstâncias. Essa não é a forma de sair de cena. Uma pessoa com a qualidade dele não deve deixar a Fórmula 1 apenas pelos campeonatos que ganhou, mas também pela sua credibilidade, inteligência e forma de lidar com as situações. Ele tem de ser bem-sucedido e sair quando quiser, não porque foi forçado a sair devido ao desempenho.”
O presidente da FIA confirmou igualmente ter abordado a situação da Aston Martin com Lawrence Stroll, proprietário da equipa.
“Partilho esta preocupação: o carro não está a ter o desempenho desejado. Reuni-me ontem com o Lawrence. Vou falar com o Fernando para tentar fazê-lo mudar de ideias”, declarou. “Tinha ouvido alguns rumores [sobre a potencial saída de Alonso], mas quando o vi não mencionou o assunto. Vou falar com ele e vou dar o meu melhor para o convencer. Espero não falhar nesta missão — pelo menos mais um ano.”










