Sami Pajari (Toyota GR Yaris Rally1) vence a PEC5 3.0s na frente de Sébastien Ogier (Toyota GR Yaris Rally1) com Elfyn Evans (Toyota GR Yaris Rally1) em terceiro. Quando a especial termina, o quadro é claro: Evans encurta ligeiramente a margem de Solberg, coloca-a em 27.2s, Ogier continua a aproximar‑se com ataques cirúrgicos, e já está a 38.1s da frente, depois de ter começado o rali a 1m09s.
Pajari prova que tem ritmo para desafiar os nomes consagrados e a Hyundai mistura bons parciais com várias preocupações, de comportamento dos carros e furos. Tudo isto num troço que, apesar de seco, lembra aos pilotos que, no Safari, as ameaças vêm tanto da pedra solta como de muitas outras armadilhas – e que gerir pneus, mecânica e nervos é tão importante como fazer o melhor tempo.
Filme da especial
A manhã em Kengen Geothermal 1 confirmou duas tendências claras no Safari: Oliver Solberg continua a gerir a liderança com cautela extrema para evitar furos, enquanto Sébastien Ogier e Sami Pajari apertam o ritmo e reduzem parte da diferença, numa especial seca, rápida e pontilhada de pedras soltas, pó e… vacas a atravessar a estrada.
Antes do arranque, a organização descrevia a SS5 como um desafio híbrido: início em estrada estreita e ondulada, depois uma secção mais larga e suave, seguida de zonas muito rugosas a partir dos 4 km e nova passagem estreita aos 5,2 km, para no final desembocar numa via ampla, com curvas com inclinação positiva, mais ao estilo México ou Acrópole do que do Safari clássico. Quando os carros entram em prova, o cenário é de muito pó no ar e piso bem mais seco do que na véspera.
Elfyn Evans é o primeiro a concluir, com 7m01,8s. “Pareceu que não ia a lado nenhum, o piso está muito solto. É muito difícil avaliar as condições, é o que é”, descreve, resumindo a sensação de estar permanentemente à procura de aderência onde quase não existe. Nos primeiros parciais, o galês já se mostrara 1,3 segundos mais rápido do que Solberg, sinal de que está a tentar encurtar a diferença na geral.
O líder do rali surge pouco depois. Oliver Solberg fecha a especial em 7m07,1s, 5,3 segundos mais lento do que Evans, vendo a vantagem total reduzir‑se para 27,2 segundos. O sueco admite ter acusado o risco de furos: “Havia muitas pedras soltas e fui demasiado cauteloso. Não queria furar nem nada. A próxima é muito complicada, por isso quis proteger os pneus. Esta está a limpar imenso. Não foi a melhor manhã.”
Takamoto Katsuta chega a seguir, 2,2 segundos atrás de Evans mas ainda assim mais rápido do que Solberg. “Estive a cuidar dos pneus e não tinha a certeza se tinha furo ou não. Havia muitos animais a atravessar e tive de abrandar nas retas”, explica, revelando uma especial onde a velocidade depende tanto da leitura do terreno como da atenção ao que se mexe fora da trajetória.
A Hyundai responde com Adrien Fourmaux em grande plano. O francês marca 7m02,2s, apenas quatro décimas acima de Evans. “As especiais secas são muito mais como troços normais por agora”, diz. “Havia pedras soltas e abrandei em alguns sítios. Mas está bem. Duas especiais limpas e estamos no ritmo certo por agora.” Thierry Neuville iguala o cronómetro do colega, 7m02,2s, mas chega com o pneu traseiro esquerdo fora do aro. “Tivemos um furo atrás à esquerda, mas não acho que nos tenha custado muito tempo”, comenta. Em seguida, desabafa frustração com o novo conjunto híbrido: “Sinto‑me muito lento, não há potência e comparado com anos anteriores é muito pior. É um estilo de condução diferente e tenho de usar o motor de outra maneira. Estou a lutar muito. O Quénia é um rali bonito e quero desfrutar, não queixar‑me demasiado.”
Sébastien Ogier, entretanto, leva a Toyota de volta ao topo da tabela com 6m56,3s, batendo Evans por 5,5 segundos. “Tem corrido bem”, garante. “Está a limpar um pouco lá dentro e não se trata de arriscar na secção de pedras. Foi uma especial ok da nossa parte.” O oito vezes campeão joga no equilíbrio entre atacar e poupar material, usando a estrada mais limpa oferecida pela ordem de partida para recuperar algum tempo sem comprometer o carro.
Mas é Sami Pajari quem assina o momento mais forte da manhã. O finlandês arrisca um pouco mais, tem um susto numa compressão, mas corta a meta em 6m53,3s, 3,0 segundos mais rápido do que Ogier e novo melhor tempo da especial. A imagem do pneu traseiro direito quase a sair da jante no final ilustra o limite a que levou o Toyota. “Tentei atacar bastante nesta especial”, admite. “Tive um pequeno momento no fim e, pelo menos, o carro segue em linha reta.”
No segundo plano, Esapekka Lappi surge 10,8 segundos atrás de Pajari, com 7m04,1s. “Foi ok. Havia umas vacas no início que tive de evitar, talvez tenha perdido um ou dois segundos”, conta, antes de revelar uma limitação técnica: “Acho que tenho demasiado bloqueio no diferencial e não podemos mudar isso.” Pouco depois, Jon Armstrong iguala exatamente o tempo de Lappi ao volante do Puma da M‑Sport. “Não está nada mau”, sorri. “Fizemos um troço bastante bom, não posso queixar‑me. É difícil gerir tudo, ainda tenho um pequeno problema no intercom, com ruído.”











