Há muito que os concorrentes do WRC não têm pela frente um rali como o que vão disputar dentro de duas semanas na Finlândia. E porquê? Porque no Rali da Suécia dos últimos anos a neve nunca foi abundante – somente aqui e ali – e por isso há algo que vai ser determinante quanto ao potencial vencedor do rali: O piloto que melhor souber utilizar os bancos de neve no Rali do Ártico/Finlândia.
“Usar os bancos de neve para percorrer as curvas mais depressa é uma arte complicada, que pode ajudar muito se os pilotos o fizerem bem. O segredo é não entrar na curva demasiado de lado e bater levemente no banco de neve. Se o fizerem, entrarem demasiado de lado de depressa, a traseira escava e isso puxa a frente do carro para dentro do banco.
E quando se tem um radiador cheio de neve, isso pode causar sobreaquecimento, se o ar não conseguir passar. Na pior das hipóteses, bate-se numa rocha ou num tronco que está escondido. E então isso pode ser o fim do rali. A chave é não entrar demasiado de lado e bater no banco de neve. Então aponta-se o carro para o interior da curva e faz-se virar bem, talvez com um pouco de deslize, mas depois é a direito pela saída. É aí que o banco de neve pode realmente ajudar a sua saída da curva”. Quem o diz é Stig Blomqvist, que dispensa apresentações.
Mas há uma nuance neste Rali do Ártico, algo que é novo, e que os pilotos não têm muita experiência, precisamente porque muito poucas vezes houve neve sério no WRC com estes carros pós 2016: A asa traseira.
É absolutamente crucial que se entre nas curvas com a velocidade certa, porque se for demais o carro faz ricochete e pode afundar-se pela frente, como referiu Blomqvist. Se entrarem demasiado cuidadosos, vão certamente bem mais devagar. O ponto certo é exatamente entrar, raspar no banco de neve apenas o suficiente para este endireitar um pouco o carro, algo que ele não faria normalmente devido à força centrífuga que o puxaria para fora da curva.
Agora, numa altura em que os pilotos da Toyota e Hyundai já testaram com muita neve, quer tenha sido na Estónia ou na Finlândia, já têm uma ideia melhor do que fazer, mas o que tiver mais ‘saber’ neste particular vai ficar mais perto de vencer o rali.
Há declarações curiosas de Craig Breen, piloto da Hyundai Motorsport, ao Dirtfish: “A aerodinâmica destes carros não foi feita para bater num banco de neve. Se acertamos com o ângulo errado, a asa pode ser bastante frágil. Vai haver uma linha muito ténue entre fazer bem ou mal. Tem que haver um equilíbrio entre tirar aquele bónus de velocidade extra e manter a aerodinâmica a funcionar bem”, disse o irlandês.
Por outro lado, bater com força demais com a asa traseira nos bancos de neve, pode danificar a asa e sem ela, a aerodinâmica ‘vai-se’ em larga escala. Este será mais um detalhe muito interessante para esta prova…









