As tradições são como os recordes, um dia são batidos, ou acabam. Ott Tanak estava a preparar-se para acabar com um tradição recente do Rali de Portugal, já que depois de se ter mudado para o Norte, em 2015, nunca o vencedor foi o mesmo em dois anos consecutivos (2015: Jari-Matti Latvala, 2016: Kris Meeke, 2017: Sébastien Ogier, 2018: Thierry Neuville, 2019: Ott Tanak). É verdade que não houve prova em 2020, mas esse ano não conta. Alteremos a questão para ‘edições’ e por isso Tanak não esteve muito longe de terminar com essa tradição. Mas já não vai fazê-lo. Agora, será Elfyn Evans, ou Dani sordo, a dar sequência à tradição. Em duas edições seguidas, o vencedor do Rali de Portugal não é o mesmo. Ou será que Sébastien Ogier ainda casa alguma surpresa e bate o recorde de cinco ralis de Portugal ganhos que partilha com Markku Alen? Não parece muito provável, mas também não parecia que Tanak fosse perder este rali…
Em teoria, a discussão da vitória no Vodafone Rally de Portugal será entre Elfyn Evans (Toyota) e Dani Sordo (Hyundai), separados apenas por uma dezena de segundos. Cinco troços, duas passagens por Santa Quitéria, ou Felgueiras, se preferir, duas por Fafe e uma por Montim. Nada está decidido, vai ser um domingo apaixonante.
Este dia de sábado foi pródigo em surpresas, a última das quais sucedeu na super especial da Foz-Porto, pelo simples facto de o líder ter cedido nada menos que 5.7s ao piloto espanhol em pouco mais de três quilómetros. O próprio Evans não escondia a sua surpresa, mas a verdade é que feitas as contas viu esfumar-se, do pé para a mão, uma boa parte dos 16.4s acumulados até à última passagem pelo troço de Amarante.
Aliás, foi nessa especial que aconteceu o grande golpe de teatro desta segunda etapa, quando o líder Ott Tanak ficou fora de combate a partir do momento em que a suspensão traseira direita do Hyundai cedeu. Depois de Thierry Neuville no dia anterior, a Hyundai sofria um duro golpe e via a sua ‘armada’ reduzida a Dani Sordo.
É certo que a Toyota também ‘perdeu’ Kalle Rovanpera, mas ainda lhe sobram, além de Evans, o campeão mundial em título, Sébastien Ogier, que nos troços da região do Douro e Minho passou pouco mais que despercebido, e o japonês Katsuta Takamoto.
A desistência de Tanak atenuou a desilusão de Ogier que embora já ocupe agora um lugar no pódio, acumula um atraso considerável e pouco mais poderá aspirar, em condições normais, à conquista de uns pontos suplementares no caso de terminar bem posicionado a Power Stage [Fafe 2].
Perante tamanha hecatombe, a M-Sport/Ford tem agora os Fiesta dos jovens Adrien Fourmaux e Gus Greensmith no ‘top 6’, preparando-se para sair de Portugal com um resultado muito interessante. Precisamente o que diziam ser possível antes da partida. Parecia sonhar alto, afinal não…
A fechar o segundo dia, a super especial da Foz (3,3 km) proporcionou um bonito espetáculo televisivo – a super especial foi interessante, ao contrário do que parecia na teoria – e se Sordo brilhou ao mais alto nível, não deixa de ser curioso o facto de entre os dez pilotos mais rápidos figurarem 5 da categoria WRC2.
Já no que toca à armada lusa, depois de ontem ter assinado a vitória no Campeonato de Portugal de Ralis, Armindo Araújo continuou a rodar com ritmo forte para terminar o dia na liderança da classificação dos homens da casa com um tempo total de 3:24:07,4s, o que o coloca em 18º da geral, a 16:58,3s da frente.
Falta pouco para se conhecerem os vencedores do Rali de Portugal, e o melhor de tudo, para além do espetáculo, é a incerteza quanto ao vencedor, o condimento mais interessante das ‘corridas’. Amanhã a partir das 7:08 em Felgueiras, depois: PE17, Montim, 07:53; PE18
Fafe 1, 08:38, PE19, Felgueiras 2, 10:04, PE20, Fafe 2 [Power Stage], 12:18.









