A décima especial do rali foi um cenário de contrastes brutais, onde a glória de uns se cruzou com o pânico de outros. Enquanto Taka Katsuta (Toyota GR Yaris Rally1) roubou o segundo lugar a Thierry Neuville (Hyundai i20 N Rally1) numa demonstração de audácia, o habitáculo de Josh McErlean (Ford Puma Rally1) transformou-se numa armadilha de fogo, forçando-o a uma paragem dramática.
Sami Pajari (Toyota GR Yaris Rally1) viu a sua liderança diminuir um ‘bocadinho’, do lado positivo está o facto de ter passado por um troço muito sujo, muito difícil, sem erros. A diferença entre Taka Katsuta e Neuville é agora de 1.2s sendo que a única mudança no top 10 foi a troca de Léo Rossel (Citroen C3 Rally2) para a frente de Alejandro Cachón (Toyota GR Yaris Rally2).
Oliver Solberg (Toyota GR Yaris Rally1) venceu mais um troço, 1.1s na frente de Taka Katsuta e Elfyn Evans (Toyota GR Yaris Rally1), que ficou a 1.7s.
Filme da especial
A ação em Ravna Gora arrancou com um susto mecânico para Oliver Solberg, que viu o seu motor calar-se inexplicavelmente na linha de partida. Recuperando a compostura, o sueco lançou-se para um tempo de referência, batendo um Elfyn Evans que lutava contra a falta de aderência, incapaz de fazer os pneus dianteiros morderem o asfalto ‘gordurento’.
Jon Armstrong seguiu-lhe o rasto, admitindo dificuldades em sentir o carro, enquanto Adrien Fourmaux começava a encontrar o equilíbrio num setup de compromisso. Mas o drama real estalou ao quilómetro 7.3: fumo e chamas invadiram o Ford Puma de Josh McErlean, forçando a dupla a saltar do carro com extintores em punho.
Num esforço heróico, conseguiram domar o fogo e levar o carro até à meta, perdendo sete minutos, mas salvando a máquina.
Alheio ao caos, Hayden Paddon geria o deslize da estrada “traiçoeira”, preparando o palco para o golpe de teatro de Taka Katsuta. O japonês da Toyota voou baixo, retirando cinco segundos cruciais a Neuville e saltando para o segundo posto da geral. O belga, visivelmente frustrado, ‘acusou’ a sujidade da estrada e o risco excessivo do rival.
Na frente, Sami Pajari optou pela frieza do líder, cedendo tempo a Katsuta para evitar erros fatais sob o pretexto de que “riscos estúpidos” não ganham ralis, enquanto no WRC2, Yohan Rossel fechava a secção surpreendido pela tração inesperada, consolidando o seu domínio num dia de nervos à flor da pele.












