O dia na Croácia terminou como uma verdadeira prova de resistência, onde a gestão de danos e a sobrevivência mecânica definiram a hierarquia. Thierry Neuville (Hyundai i20 N Rally1) destacou-se como o grande ‘vencedor’ do dia, mantendo uma vantagem confortável de mais de um minuto. Oliver Solberg (Toyota GR Yaris Rally1) e, especialmente, Sami Pajari (Toyota GR Yaris Rally1) viram as suas ambições frustradas por furos numa tarde implacável.
Enquanto o sueco se preparava para os pontos de amanhã, o finlandês perdeu uma excelente oportunidade de se estrear a vencer no WRC. Embora a vitória não esteja totalmente descartada, dificilmente acontecerá em condições normais. Se a lógica prevalecer, a Hyundai e Thierry Neuville deverão estrear-se a vencer este ano. Takamoto Katsuta (Toyota GR Yaris Rally1) ocupa a segunda posição, a 1m14.5s, e, considerando o estado do campeonato, poderá muito bem ser o novo líder.
Filme da especial
A última especial do dia, em Platak começou com o drama de Oliver Solberg, que viu o alerta de pressão de pneus acender logo nos primeiros quilómetros. Numa decisão de sangue-frio, o sueco imobilizou o Toyota para trocar a roda, sendo ultrapassado em plena floresta por um Elfyn Evans focado em evitar as pedras que transformaram o asfalto numa “lotaria”.
Jon Armstrong voltou a brilhar ao ficar a meras décimas do topo, lutando contra o sobreaquecimento dos pneus macios nas secções mais largas da montanha. Atrás dele, Josh McErlean cruzou a meta num suspiro de alívio: com o carro a precisar de cabos de bateria em cada paragem e uma jante destruída desde o início do loop, o irlandês celebrou a ausência de luzes vermelhas no painel como uma vitória pessoal.
Hayden Paddon, que admitiu ter conduzido “sobre ovos” para proteger a mecânica, garantiu um sólido quarto lugar, enquanto Takamoto Katsuta lamentava o furo que o afastou da luta direta pela liderança, contentando-se com o segundo posto da geral.
Thierry Neuville, num estado de graça onde tudo – até ver – “clicou”, fechou o dia sem sobressaltos, deliciando-se com um carro que finalmente lhe permite atacar. Já o ex-líder Sami Pajari, visivelmente abatido, tentava encontrar pontos positivos num pódio que, face ao contexto, lhe sabe a pouco após o azar da tarde. No fecho, os Lancia de Gryazin e especialmente Rossel selaram o domínio no WRC2, com a promessa de um domingo de gestão, enquanto Alejandro Cachón lançava o aviso: amanhã, ao nascer do sol, o ataque recomeça.
Na verdade, é só uma curiosidade, mas há para já um Lancia no quinto lugar da geral de uma prova do WRC, o que não sucedia, há décadas…











