Desde o anúncio surpresa da retirada da Volkswagen que se fala num rumor que passa pela Red Bull ‘agarrar’ no projeto e manter os carros a correr, embora até ao momento não haja confirmação oficial por nenhuma das partes.
No entanto, convém recordar que, de acordo com o regulamento desportivo da FIA, a homologação de um WRC pode apenas ser completada após a inscrição de um construtor no Campeonato de Marcas – algo que a Volkswagen teria de fazer até 19 de dezembro de 2016 e com um mínimo de dois carros, até porque os novos WRC que serão estreados em 2017 apenas podem ser inscritos por equipas oficiais.
Tal como o AutoSport avançou nas últimas semanas, no digital e na sua edição em papel, é verdade que a Volkswagen vai mesmo finalizar os processos necessários para homologar o protótipo do Polo WRC 2017, ou seja, todo o seu desenvolvimento técnico. No entanto, tal não significa necessariamente que o irá homologar. É o que garante Sven Smeets, diretor desportivo da marca alemã: “Homologado não será, porque uma das partes do regulamento da homologação diz que um construtor tem de participar pelo menos durante uma temporada com dois carros. Mas iremos fazer um teste dentro de duas semanas de modo a finalizar o trabalho e completar a documentação necessária e as inspeções”.
Uma janela de esperança? Smeets volta a dizer que não. “Claro que o carro não será homologado até que alguém o inscreva, algo que nós não o iremos fazer. Por agora é apenas algo para fechar este capítulo. É por isso que queremos fazer este último teste, para garantir que tudo funciona, completar a papelada e a inspeção”.
TRÊS RAZÕES PARA A VOLKSWAGEN HOMOLOGAR O POLO
Para participarem no campeonato, os construtores têm de pagar um valor de inscrição de 316.830 euros, a que se somam mais 15 mil euros para que os dois carros possam marcar pontos no campeonato de construtores. Desconhece-se se a Volkswagen teria já efetuado este pagamento com vista ao próximo ano, o que poderia facilitar que um patrocinador como a Red Bull, ou outro, assumisse as regras do projeto.
Mas é sabido que Sébastien Ogier, Jari-Matti Latvala e Andreas Mikkelsen ainda estão sob contrato perante a equipa, e que esta seria outra preocupação a menos. No entanto, o eventual patrocinador teria ainda assim que custear toda a operação, do transporte e logística dos carros, infra-estruturas, mecânicos, engenheiros… a não ser que fosse feita uma espécie de ‘joint-venture’ com a Volkswagen, que no fundo assumiria o papel de equipa privada, fornecendo o material e os seus mecânicos a troco de uma soma avultada de dinheiro. Ainda assim, esta parece uma carta fora-do-baralho. Qual, então, o motivo para se levar este processo até ao fim? “Para fechar um capítulo?” Porque não encerrá-lo definitivamente assim que o anúncio da saída foi feito?
1 – Mais uma vez, porque o pagamento da homologação já tinha sido sido efetuado, e a Volkswagen quer agora rentabilizar esse investimento com um carro pronto a correr que necessita apenas de alguém que queira pegar nele, o que até se coaduna com a nova política de ‘carros-cliente’ anunciada no início de novembro.
2 – Numa tentativa de manter os seus empregos na área que mais gostam, as pessoas gostam de se manter ocupadas com atividades relacionadas com o desporto motorizado de modo a justificar a existência do departamento e das 200 pessoas que trabalham na VW Motorsport.
3 – Talvez a homologação do carro seja necessária para que alguns dos seus componentes (o motor, por exemplo) possam ser utilizados noutras formas de desporto motorizado. O TCR está fora de questão, porque um motor do WRC é de competição e não derivado de série. Mas… e o WTCC?
PS: O regulamento desportivo de 2017 ainda não foi confirmado oficialmente pela FIA. Poderá haver uma excepção a caminho que permite a presença do Polo de 2017?
Martin Holmes e André Bettencourt Rodrigues










