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Sébastien Loeb: Três ralis escolhidos a ‘dedo’…

José Luis Abreu by José Luis Abreu
20 Dezembro, 2017
in Newsletter, Ralis, Sapo, WRC
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Desporto Motorizado europeu em risco… por falta de seguro

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Sébastian Loeb não será o D. Sebastião ‘Salvador’ da Citroën, mas a sua experiência poderá ajudar bastante a equipa. Já testou o Citroën C3 WRC em pisos de asfalto e terra, com a equipa a confirmar agora a sua presença em três provas de 2018, México, Córsega e Catalunha.

Pela primeira vez desde o Rali de Monte-Carlo 2015, Sébastien Loeb e Daniel Elena vai regressar a um Citroën WRC oficial em competição, num ‘evento’ que está previsto para o Rali do México, curiosamente uma prova que a equipa francesa venceu o ano passado, sendo portanto uma prova em que se sabe que o carro deste ano esteve bem, na Córsega, o mesmo se pode dizer, basta ver a exibição de Kris Meeke este ano até desistir com um problema no motor. Por isso, o C3 Wrc também deverá ser bom na Córsega. Na Catalunha, se a divisão terra/asfalto se mantiver, dois terços do rali serão em asfalto, e na terra, porque não disputa o campeonato, Loeb partirá de trás. Na terra apanha estrada mais limpa (se não chover a potes) e no asfalto, é o que sabemos. Portanto, três ralis muito bem escolhidos…

Voltando ao Rali do México de 2017, apesar do triunfo, desde cedo se percebeu que havia qualquer coisa estranha na relação do novo Citroën C3 WRC com os seus pilotos, pois, regra geral, quando tentavam andar mais depressa, a ‘coisa’ corria invariavelmente mal. A situação não foi tão evidente com Craig Breen e Stéphane Lefebvre, apesar de também terem tido a sua dose de despistes, mas com Kris Meeke, o ponta-de-lança da equipa, as coisas foram bem diferentes, pois ao contrário dos seus colegas de equipa, o piloto britânico tinha que andar nas lutas dos lugares da frente e com as dificuldades que foi encontrando no C3 WRC, os despistes foram mais do que muitos. Inicialmente a equipa pensou que o problema era do piloto, mas a pouco e pouco nas declarações de todos os pilotos da equipa houve um claro acréscimo de queixas relativamente ao carro e aí começou a perceber-se que algo tinha corrido mal no desenvolvimento.

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Logicamente, a ‘questão’ C3 WRC passou a ser tema ‘quente’ na caravana do WRC, e apesar da equipa se ter ‘fechado’ (naturalmente) sobre o assunto evitando especulação, as mudanças na equipa que tiveram lugar no fim de junho deixaram claro que algo tinha verdadeiramente corrido mal. O Diretor Técnico, Laurent Fregosi, foi colocado noutras funções no seio do Grupo PSA e para o seu lugar foi Christophe Besse, que fora anteriormente Chefe da Equipa de testes e engenheiro da Citroën no WRC entre 2003 e 2006. Desde aí, começou também a ‘dança’ de pilotos, com Stéphane Lefebvre e Kris Meeke a ficarem, à vez, de fora, por troca com Andreas Mikkelsen. Mas quem viu as prestações (pobres) do norueguês percebeu que “ali havia gato”.

Mas se isso, agora, já é evidente, há uns meses pensava-se essencialmente em exageros dos pilotos. Agora, há algumas pistas que deixam perceber haver muito trabalho a fazer no carro. Por exemplo, no segundo acidente de Kris Meeke na Argentina, aquele em que o piloto britânico destruiu por completo o C3 WRC depois de um despiste a alta velocidade, diz quem viu antes da partida para o troço que parte da explicação pode estar no facto de ter colocado antes do troço pneus duros atrás e os macios à frente, algo que nunca foi possível confirmar junto da equipa.

As alterações feitas ao carro em termos de suspensões levou também a que a Citroën precisasse de tempo para reajustar tudo, pois com o novo diferencial central reintroduzido este ano, é preciso tempo e quilómetros para ‘perceber’ melhor o carro, pois quando se iniciou o WRC 2017 depressa se percebeu que o caminho escolhido nas afinações conjuntas da suspensão/diferenciais não era o correto e se nas duas primeiras provas ainda existia o benefício da dúvida devido à tipologia de pisos (Monte Carlo e Suécia), de qualquer forma deu logo para perceber que algo estava mal.

O triunfo no México aliviou um pouco o ‘stress’, mas o problema persistia, e persiste, e é nesse contexto que a Citroën Racing não se coibiu de aproveitar tudo o que tem à sua disposição no seio do Grupo PSA e foi dessa forma que surgiu Sébastien Loeb.

Em todas as saídas de estrada que sucederam até aqui o denominador comum é a “traseira passar-se” e esse é o grande problema, foi identificado no C3 WRC. Se recordarmos declarações do anterior Diretor Técnico, Laurent Fregosi, em entrevista ao AutoSport, percebe-se que a equipa se ‘pendurou’ na experiência que já tinha dos tempos do C4 WRC, que como se sabe foi o último ano do diferencial central, agora reintroduzido: “Do ponto de vista mecânico, a filosofia aplicada no novo C3 é muito semelhante. Tal como sucedia no C4 WRC, temos software para reconduzir a potência, mas tivemos uma nova ideia que foi implementada no software de modo a termos mais opções nesse ajustamento. Já a caixa de velocidades e o diferencial traseiro foram desenvolvidos de forma muito próxima em conjunto com a Sadev.”

Aqui terá estado boa parte do erro, pois os pilotos começaram a testar baseados em dados do diferencial central do C4 WRC, tendo-nos chegado ao ouvido que “a janela de afinação era muito curta.”

Salvador Loeb
Sébastien Loeb realizou dois testes com o Citroën C3 WRC, e depois de testar no asfalto mostrou-se impressionado com os novos WRC: “O feeling foi bastante bom, fiquei impressionado com a velocidade a que este carro curva comparado com o anterior World Rally Car da Citroën,” começou por dizer Loeb: “Apesar da chuva ainda conseguir rodar em asfalto seco e apesar de não ter termos de comparação com os outros WRC 2017, vendo este C3 e o DS3 a sensação é que tudo é um bom bocado melhor. De manhã não foi fácil de conseguir um bom feeling enquanto esteve molhado, estava a chover muito e os pneus eram demasiados duros para essas condições, e fiquei com a sensação que o carro é mais nervoso que o anterior WRC, o que o torna um pouco complicado, mas no fim do dia o feeling em asfalto seco foi bom, parecia que estava a pilotar um carro de pista num troço de rali. Quando o piso está completamente seco, é rápido e eficiente, mas em condições de aderência mais complicadas seria bom melhorar a maneabilidade do carro e torná-lo mais fácil de pilotar” disse Loeb.

Depois de ter facilitado no desenvolvimento, curiosamente depois de muitos terem atribuído uma vantagem inicial à Citroën devido ao facto de ter ficado de fora do WRC 2016, e com isso ter podido concentrar-se no desenvolvimento do seu carro, a verdade é que apesar dessa vantagem, esta foi desperdiçada devido a erros que agora são evidentes.

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José Luis Abreu

José Luis Abreu

Entre curvas e muito pó, descobri que o olhar treinado pela fotografia e a paixão pelos ralis só podiam levar a um destino: o jornalismo desportivo. E já lá vão mais de 30 anos…

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