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Será que Ogier vem ao Rali de Portugal aumentar o ‘score’ face a Alen?

José Luis Abreu by José Luis Abreu
19 Janeiro, 2025
in Autosport Exclusivo, AutoSport Histórico, pv2, Ralis, WRC
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CRÓNICA: Será Ogier feliz a fazer outra coisa qualquer?

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Sébastien Ogier desempatou em 2024 o recorde de cinco vitórias que partilhava com o finlandês Markku Alen no Rali de Portugal. Será que este ano o francês ainda virá tentar aumentar o score? Vai fazer meio campeonato, gosta da nossa prova, só em 2023 não veio a Portugal correr, pelo que as probabilidades são boas. Vamos ver…

Das 61 vitórias de Sébastien Ogier no Campeonato do Mundo de Ralis, seis tiveram lugar em solo português, incluindo a mais importante: a primeira. Só esse facto já seria suficiente para que o nosso país ocupasse um lugar especial no seu coração, mas a verdade é que, desde 2010, o francês acumulou mais quatro triunfos que o tornam no piloto mais bem-sucedido, ex-aequo no historial da prova.


Em entrevista ao AutoSport, Ogier admitiu que não encontra um motivo específico para os seus resultados no Rali de Portugal. Apenas que gosta muito do certame, decorra ele no Sul ou no Norte: “É difícil de explicar. Mas com certeza que uma das razões é o facto de eu adorar o perfil da estrada. Mudámos do Sul para o Norte, mas continuou a ser um rali muito bom.
O atual piloto da Toyota descreveu depois da seguinte forma os dois figurinos: “Claro que gosto muito do Sul, porque venci o Rali de Portugal quatro vezes no Algarve e porque para mim as especiais são realmente muito bonitas. Talvez as estradas fossem um bocadinho melhores, porque o piso, mais duro, era mais estável.
Portanto, para os ralis, as estradas ofereciam condições mais constantes, chamemos-lhe assim. Mas aqui no Norte também tens classificativas muito bonitas, sendo que o entusiasmo das pessoas é ainda maior, já que os fãs históricos da prova encontram-se na região. Logo, tendo em conta este aspeto, tem sido ótimo fazer ralis a norte”, contou-nos em maio passado, no final de uma 53ª edição do Rali de Portugal em que ficou mais uma vez no pódio.
Há precisamente 10 anos festejou o seu primeiro triunfo, sob o olhar atento dos milhares de espetadores que compareceram à super especial de encerramento da prova, no Estádio do Algarve.
Nessa ocasião, Ogier derrotou ‘no braço’ aquele que na época era o seu chefe de fila na Citroën, o laureado Sébastien Loeb. Um feito raro durante a estadia do alsaciano no Campeonato do Mundo de Ralis, deixando em evidência que Loeb, afinal, até era ‘humano’, nem que fosse na presença de outro ‘extraterrestre’, como o percurso vitorioso na mesma competição tem confirmado até ao momento. “Não foi uma vitória fácil”, recordou. “Tive que lutar contra o Loeb durante dois dias e ele vinha muito rápido no último dia, portanto havia muita pressão na derradeira classificativa. Digamos que fiquei muito contente por festejar a minha primeira vitória, vamos dizer, em ‘estilo’, depois de uma grande batalha com ele”, referiu Sébastien Ogier sobre esse momento inesquecível. “Claro que tenho uma grande memória [desse primeiro triunfo]. Foi um passo muito importante para a minha carreira. Ainda está na minha mente e algo de que me lembro muito bem. É por isso que adoro Portugal e que é sempre especial regressar aqui”, assegurou.

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O piloto lembrou depois que é nas situações mentalmente difíceis que mais corresponde, facto que também explica os seus extraordinários resultados desde que participa na disciplina: “Não me consigo recordar com precisão se foi fácil gerir as emoções porque estava prestes a vencer pela primeira vez no Campeonato do Mundo, mas penso que fui capaz de fazê-lo bem. Claro que senti alguma tensão e um pouco de stress, mas normalmente consigo entregar ainda mais de mim quando me encontro sob pressão, e isso motiva-me. É bom”. E na época? O que terá dito Sébastien Ogier no ‘calor’ do momento, depois de ter vencido o Rali de Portugal de 2010, com todo o mérito, por 7,9s, quebrando a hegemonia triunfal não só de Loeb, mas também de Mikko Hirvonen e Jari-Matti Latvala, os únicos pilotos a subirem ao lugar mais alto do pódio desde o Rali da Nova Zelândia de 2007?
O AutoSport recorda: “Depois da frustração da Nova Zelândia, onde perdi o rali mesmo no final [fez um pião a três curvas do fim, acabando por entregar a vitória para Jari-Matti Latvala por 2,4s], consegui vencer em Portugal após um duelo magnífico com o Loeb. O fim-de-semana foi perfeito, andei da primeira à última classificativa a fundo e tive à minha disposição um C4 impecável. Ganhar a um piloto como o ‘Seb’ Loeb, que é a minha referência, é fantástico”.
Na história dessa prova ficará gravado o duelo entre Sébastien’s, que Loeb terá perdido na primeira etapa, quando jogou à defesa. Admiti-lo-ia no final, mas com o desportivismo de quem sabia que o seu adversário tinha tido um grande desempenho: “Andei o que sabia e não chegou. Perdi demasiado tempo no primeiro dia e já não consegui recuperar a vitória no último. Ele foi o mais rápido em Portugal e por isso mereceu vencer”, disse à chegada. No ano seguinte tudo seria diferente entre ambos, mas isso fica para outra conversa…
O triunfo em Portugal ‘libertou’ Ogier das ‘amarras’ onde se encontrava, dando-lhe o estímulo e a confiança necessárias para lutar sem modéstias contra todos os adversários do campeonato.Ter uma viatura de fábrica ajudava-o obviamente nesses intentos (o chassis com que ganhou em Portugal foi o mesmo que Loeb levou à vitória na prova portuguesa, em 2007), mas os seus resultados eram nada menos do que impressionantes, até pelo facto de se encontrar a realizar a sua segunda temporada a tempo inteiro no WRC. Voltaria a vencer no Japão, somando mais duas subidas ao pódio nos ralis da Finlândia e da Alemanha, e forçando a Citroën a promovê-lo à equipa titular para o ano seguinte. Em 2011, mais triunfos, um deles novamente em Portugal (o terceiro da carreira), ‘apimentaram’ como nunca a luta contra o seu colega pela hegemonia dentro da equipa.

IMPECÁVEL
Nesse ano, a vitória acabou por ser menos suada. Depois de um primeiro dia intenso, Hirvonen furou na segunda classificativa de sábado (Vascão 1), perdeu mais de dois minutos ao mudar o pneu durante a classificativa e foi apanhado por Loeb, que, preso no pó do finlandês, perdeu com isso cerca de 30s, entregando de bandeja a vitória a Ogier. Este, por sua vez, estava felicíssimo após um Rali do México que não lhe tinha corrido de feição, hipotecando um triunfo praticamente garantido.
A história, mais uma vez, repetia-se, se nos recordarmos do que tinha acontecido um ano antes, com a desilusão da Nova Zelândia e o consequente triunfo em terras portuguesas. “Estou muito feliz. Tivemos o fim-de-semana perfeito. O carro esteve impecável, tal como o Julien [Ingrassia]. Controlámos o primeiro dia e depois forçámos o andamento no momento certo. Depois de seis meses sem vencer, eu estava a ficar um pouco nervoso. É a melhor forma de regressar”. Doze meses depois, o cenário seria totalmente distinto, com o francês a passar de ‘cavalo para burro’, deslocando-se ao Algarve e Baixo Alentejo ao volante de um Skoda Fabia S2000. Somou, ainda assim, um positivo sétimo lugar da geral enquanto preparava o Volkswagen Polo R WRC com dominar os anos seguintes e que voltou a vencer a prova portuguesa em 2013 e 2014.
No primeiro caso, com 58,4s de vantagem sobre Mikko Hirvonen, e no segundo, com 42,3s. Foi no seguimento dessa última subida ao lugar mais alto do pódio no nosso país que o co-piloto Julien Ingrassia perguntou, bem-disposto, se já podia tirar o passaporte português, e que Sébastien Ogier voltou a elogiar a prova, tendo Portugal como uma espécie de fetiche muito particular: “Ganhei quatro vezes nas cinco primeiras provas que fiz aqui com um WRC.
Depois das duas vitórias seguidas em 2013 e 2014, desde que a prova foi para o Norte, Ogier só voltou a vencê-la em 2017, com o Ford Fiesta RS WRC 2017. No primeiro anos dos novos WRC, igualando dessa forma o recorde de cinco triunfos de Markku Alen, mas Thierry Neuville (Hyundai i20 Coupe WRC) em 2018 e Ott Tanak, Ott (Toyota Yaris WRC) em 2019 impediram-no de bater o recorde, que só conseguiu em 2024. Sébastien Ogier/Vincent Landais (Toyota Gr Yaris Rally1 Hybrid) venceram o Rali de Portugal, com o piloto francês a ‘desempatar’ com Markku Alén e a assegurar a sua sexta vitória na prova portuguesa. Foi um rali incrível, com cinco líderes distintos, sete vencedores de troços.

Com os ‘azares’ de Kalle Rovanperä/Jonne Halttunen (Toyota GR Yaris Rally1) que se despistaram em Montim 1 quando lideravam e Takamoto Katsuta/Aaron Johnston (Toyota Gr Yaris Rally1 Hybrid), que também passaram pelo comando na fase inicial do rali, foi Ogier que assumiu as rédeas da prova, sempre acossado pelo melhor Ott Tänak/Martin Järveoja (Hyundai I20 N Rally1 Hybrid) do ano, ao dar muito trabalho ao francês, num forte duelo de campeões que durou até aos últimos troços.
No final do primeiro dia de prova a diferença entre os dois homens da frente era de 1.0s, 5.4s entre os quatro melhores classificados, e à entrada para o último dia de prova 11.9s separavam Ogier de Tanak, com o dia de sábado a ser muito rico em incidências.
Ogier foi mais forte, geriu o último dia de forma perfeita e assegurou o sexto triunfo na prova, tornando-se no maior vencedor da história do Rali de Portugal deixando para trás Markku Alén (5 vitórias), Miki Biasion, Hannu Mikkola, (3), e muitos outros. A partir daqui, e num futuro a médio prazo, só mesmo Kalle Rovanpera, (2 vitórias) lá pode chegar.


Mas certamente, Ogier nunca mais esquecerá o Rali de Portugal, pois foi aqui que conseguiu o seu primeiro triunfo no WRC, é recordista ex-aequo de triunfos na prova, por isso: “É sempre difícil fazer uma avaliação dos ralis, mas Portugal é com certeza um dos melhores do mundo!”

José Luis Abreu

José Luis Abreu

Entre curvas e muito pó, descobri que o olhar treinado pela fotografia e a paixão pelos ralis só podiam levar a um destino: o jornalismo desportivo. E já lá vão mais de 30 anos…

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