Rali da Costa do Marfim: um cinquentão… | AutoSport
AutoSport
  • F1
  • VELOCIDADE
  • RALIS
  • TT
  • +MOTORES
  • KARTING
  • Histórico
  • Login
  • Register
No Result
View All Result
  • Clube Autosport
  • Auto+
  • Urbana
  • Hoteis de Campo
  • Properties
  • E-AUTO
  • Assinaturas
AutoSport
  • F1
  • VELOCIDADE
  • RALIS
  • TT
  • +MOTORES
  • KARTING
  • Histórico
  • Login
  • Register
No Result
View All Result
AutoSport

Rali da Costa do Marfim: um cinquentão…

José Luis Abreu by José Luis Abreu
19 Julho, 2025
in AutoSport Histórico, pv2, Ralis, WRC
A A
Rali da Costa do Marfim: um cinquentão…

Share on FacebookShare on Twitter

O mítico rali africano continua bem vivo e já tem 51 anos. Quem haveria de dizer que, quando nasceu em 1974, o Rali da Costa do Marfim iria estar bem vivo cinco décadas mais tarde? Mas é verdade: continua firme e hirto e com muito ainda para dar e vender.

Perdoem o trocadilho, mas esta prova foi sempre a “bête noire” do nosso desporto. Nos anos 80, no auge do desenvolvimento do Mundial de Ralis, o Rali da Costa do Marfim foi a prova preferida para ser odiada por todos. É como se fosse o filho preferido, cujos pais acreditam que ele nunca seria capaz de fazer mal nenhum e por isso lhe dão sempre a chance de continuar na mesma. Isso era assim nos velhos tempos, quando nasceu o rali os franceses estavam então no controlo do automobilismo e a Costa do Marfim era a sua estância de férias favorita.

Nos corredores do poder desportivo, em Paris, sempre se suspeitou das razões por que a Costa do Marfim era toda em tão grande conta no automobilismo. É quase como se o então Presidente da FIA e da FISA Jean-Marie Balestre, tivesse um especial relacionamento com o então Presidente da República da Costa do Marfim, Félix Houphoeut-Boigny.

Nenhuma outra explicação parece plausível e, ao mesmo tempo, nenhum outro destino de férias ganhou, para os franceses, tanta importância no calendário do WRC. Marrocos chegou a ter uma importância semelhante, mas nada que pudesse comparar-se à Costa do Marfim, entre 1978 e 1982. O único país africano a estar tanto tempo no calendário do WRC foi o Quénia, que acolhia o Rali Safari. Em dois anos seguidos (2007 e 2008), durante a guerra civil da Costa do Marfim, a prova não se realizou. O que é verdadeiramente notável!

Artigos relacionados

Pedro Lago Vieira vence quarta ronda do Portugal Rally Series em Castanheira de Pera

Pedro Lago Vieira vence quarta ronda do Portugal Rally Series em Castanheira de Pera

6 Setembro, 2026
Futuro do WRC em análise: Um novo formato para os eventos

Futuro do WRC em análise: Um novo formato para os eventos

6 Setembro, 2026

Quénia e Costa do Marfim: os dois opostos
Os ralis Safari, no Quénia e da Costa do Marfim, embora em locais opostos do grande continente africano, tinham muito em comum e outro tanto a separá-los. Ambos eram feitos em estradas abertas ao trânsito local – e que era imenso e caótico, em alguns locais, o que era um perigo durante as secções cronometradas! – mas em tudo o mais eram diferentes. Tanto quanto o podem ser duas realidades coloniais óbvias, os franceses contra os ingleses.
Muito do Rali da Costa do Marfim usava estradas cravadas entre densa vegetação mas, no Safari, a paisagem era mais aberta, mais livre e mudava constantemente.

À sua maneira muito peculiar, ambos eram clássicos. O Quénia era (é) um país onde as pessoas podem aventurar-se, têm muito para ver da vida selvagem e da flora. Na Costa do Marfim, é muito mais seguro ficar dentro de casa. Se é preciso sair, é bom que nunca seja sozinho. Logo ao pé das casas, esvoaçam irritantes enxames de insetos, que não hesitam em nos secar o sangue com picadas. À noite, os subúrbios são espantosamente escuros e nunca param mas, infelizmente, os animais que tornaram o país famoso já não existem – os elefantes, que foram sendo dizimados pelos caçadores furtivos.

O Rali da Costa do Marfim foi o rali que quebrou todas as regras – ao ponto de a autoridade desportiva ter que fazer novas regras, de propósito para a prova. O WRC tinha uma regra que dizia que uma prova tinha que ter no mínimo 50 equipas à partida, ou então seria banido do calendário no ano a seguir. As regras diziam também que o equipamento de segurança nos carros de Grupo N só tinha que estar instalado em estrada aberta.
E o que sucedeu na Costa do Marfim? Carros vulgares, sem qualquer tipo de equipamento próprio da prova, eram obrigados a aparecer na rampa de partida com os autocolantes do rali… e, depois de descerem o palanque, nunca mais eram vistos. Qual a resposta as autoridades a isso? Mudem as regras!

O evento era originalmente conhecido como Rali Bandama, que era o nome do maior rio que atravessava o país. No início, a prova era suportada pelas inscrições da Peugeot e da Mercedes e, depois, pelas maras japonesas, antes de ser obrigatório o seu registo e de terem que disputar todas as etapas do calendário do WRC.

Um rali muito especial
Sim, o Rali da Costa do Marfim era um rali à-parte. Foi o único rali internacional em que soube que não existiu ninguém a conseguir chegar ao fim (1972). Um rali com memórias infinitas, mas nenhuma delas tão horrível como as da manhã em que o avião da equipa Toyota caiu, matando Henry Liddon e Nigel Harris (1987). Eu tinha chegado de manhã cedo ao quartel-general da prova, quando o telefone tocou. Era uma chamada do aeroporto e tive que ser eu a alertar os Andersson (que dirigiam a equipa) para o que se pensava que tinha acontecido.

Ou Yamassoukro, essa cidade tão bizarra! Erguida no meio do anda, apenas porque parece que foi aí que nasceu Félix Houphouet-Boigny, o pai da nação. Um sítio onde os crocodilos eram religiosamente alimentados, num lago que existia bem no centro da cidade, por um fiel tratador, que um dia desapareceu sem deixar rasto! Este ano, foi uma vez mais aí a base do rali…

Ou estranhas memórias, como quando a equipa Audi teve que fazer algumas manobras pouco ortodoxas, para continuar a ter um dos seus carros na prova – num sítio longínquo do país, na realidade na “terra de ninguém” entre a Costa do Marfim e o Gana, mas tudo em vão. Era um truque que bem podia ter resultado, mas o facto é que tinha havido um acidente antes do início da prova, que tinha destruído um dos carros oficiais da equipa. Só que o carro que deveria substituí-lo (contra as regras, é claro!) e que estava planeado ser o carro de reserva da equipa, já não estava disponível.

Memórias curiosas? Então, voltemos à Audi. Em 1983, tinham um muito rápido carro de assistência, com três lugares, em que John Buffum levava não apenas um co-piloto como, num banco especial montado na parte de trás do carro, um mecânico muito corajoso. Desta vez, a Mercedes: um dia, fizeram grandes planos, testando um carro com um chassis curto, especialmente homologado para correr na prova no ano seguinte. Mas nunca voltaram à Costa do Marfim, porque outro dos pilotos da equipa foi dizer à administração que não valia a pena, porque o carro não tinha hipóteses e era uma… bosta!

Mas também há memórias felizes. Como quando, no final da prova de 1985, Bjorn Waldegaard e Juha Kankkunen, que tinham terminado, com os seus Toyota, empatados em pontos de penalização (em vez do que se fazia noutras provas, em minutos e segundos) tentaram subir ao mesmo tempo, lado a lado, a rampa para o pódio de chegada.
Ou quando, depois de uma prova particularmente extenuante, Juha Kankkunen se deixou dormir na cerimónia de entrega de prémios e foi acordado de forma bem sonora, com o próprio Jean-Marie Balestre aos berros, mesmo junto aos seus ouvidos.
Rali da Costa do Marfim: tantas histórias esperando por um livro que as conte e desvende ao mundo! Estes ralis feitos nestas partes tão recônditas do mundo! Não se pode simplesmente chegar como espetador e ver o que acontece, é preciso esperar que os organizadores nos convidem, ou então fia-se em casa. Para mim foi um privilégio, sempre que lá estive.

Alain Ambrosino em feito tudo para manter no limbo da lenda esta prova feita no seu país. Mas será que eu gostaria de voltar lá? É que as más memórias são ainda muitas na minha cabeça. Como a daquele ano em que a empresa de “rent-a-car” me cobrou à volta de mil libras a mais que o custo legítimo do aluguer do meu carro. Felizmente para mim, que tinha comigo todos os papéis que podiam provar que estavam errados!
A única companhia aérea que voava para lá era a Air Afrique – que, entretanto, já despareceu. E as confusões com os bilhetes eram o pão nosso de cada dia! Mas, de certa forma, posso dar-me por feliz por ter sobrevivido. Demorou muito tempo até eu ter confiança nas capacidades organizadoras do Campeonato de Ralis africano. Resta-nos esperar que a Costa do Marfim ajude a recuperar alguma dessa confiança, numa área do desporto automóvel que, infelizmente, tanta falta hoje faz neste meio tão competitivo.

Martin Holmes, In Memoriam

Tags: Rali da Costa do MarfimWRC
José Luis Abreu

José Luis Abreu

Entre curvas e muito pó, descobri que o olhar treinado pela fotografia e a paixão pelos ralis só podiam levar a um destino: o jornalismo desportivo. E já lá vão mais de 30 anos…

Artigos relacionados

Pedro Lago Vieira vence quarta ronda do Portugal Rally Series em Castanheira de Pera
Ralis

Pedro Lago Vieira vence quarta ronda do Portugal Rally Series em Castanheira de Pera

by José Luis Abreu
6 Setembro, 2026
Futuro do WRC em análise: Um novo formato para os eventos
Ralis

Futuro do WRC em análise: Um novo formato para os eventos

by José Luis Abreu
6 Setembro, 2026
Next Post
Markko Märtin: O pioneiro estónio no WRC

Markko Märtin: O pioneiro estónio no WRC

WRC, Rali da Estónia, PEC 13: Neuville passa Tanak… novamente, Solberg ‘aguenta-se’

WRC, Rali da Estónia, PEC 13: Neuville passa Tanak… novamente, Solberg ‘aguenta-se’

Please login to join discussion
  • Últimas
  • Tendências
  • Comentários
Taça do Mundo e Europa de Bajas: Baja Espanha Aragão com 92 equipas, 15 portuguesas

Lista de inscritos da Baja España Aragón reúne elite do todo-o-terreno internacional

7 Setembro, 2026
Luís Portela Morais estreia-se na categoria Ultimate na Baja Aragon numa Toyota Hilux T1+

Portugueses na Baja Aragon: mesmo número, mas algumas alterações

7 Setembro, 2026
CPK em Braga: Conhecidos os novos Campeões de Portugal de Karting

CPK em Braga: Conhecidos os novos Campeões de Portugal de Karting

7 Setembro, 2026
CPM: José Correia impõe-se em Boticas e deixa luta pelo título do campeonato de montanha ao rubro

CPM: José Correia impõe-se em Boticas e deixa luta pelo título do campeonato de montanha ao rubro

7 Setembro, 2026
Pierre Gasly vence GP de Itália de Fórmula 1

Pierre Gasly vence GP de Itália de Fórmula 1

164
GP Rússia F1: ‘Swing’ da Mercedes coloca Hamilton mais perto do penta

GP Rússia F1: ‘Swing’ da Mercedes coloca Hamilton mais perto do penta

157

GP da Bélgica F1: Hamilton vence e fica a duas de Schumacher

153
GP Azerbaijão F1: Segunda vitória de Valtteri Bottas

GP Azerbaijão F1: Segunda vitória de Valtteri Bottas

147

Sobre

Especialistas em automóveis, automobilismo e demais desportos motorizados há 48 anos.

Informação importante

Ficha técnica
Estatuto editorial
Política de privacidade
Termos e condições
Informação Legal
Como anunciar

Tags

António Félix da Costa Armindo Araújo Carlos Sainz Charles Leclerc Dakar Daniel Ricciardo F1 Fernando Alonso Ferrari FIA Fórmula 1 Fórmula E Lando Norris Lewis Hamilton Max Verstappen Mercedes Rali de Portugal Red Bull Sebastian Vettel Sébastien Loeb Sébastien Ogier WEC WRC

Grupo AutoSport

AutoSport
AutoMais
Clube Autosport

  • Purchase Now
  • Features
  • Demo
  • Support

© 2025 Autosport copyright

Bem vindo de volta!

Faça login na sua conta abaixo

Forgotten Password? Sign Up

Create New Account!

Fill the forms below to register

All fields are required. Log In

Retrieve your password

Please enter your username or email address to reset your password.

Log In
No Result
View All Result
  • Login
  • Sign Up
  • CLUBE AUTOSPORT
  • F1
  • VELOCIDADE
  • RALIS
  • TT
  • +MOTORES
  • KARTING
  • HISTÓRICO
  • AUTO+
  • ASSINATURAS

© 2025 Autosport copyright