CRÓNICA: Estou preocupado com o WRC

Por a 11 Dezembro 2019 13:48

Uma apresentação de uma marca é sempre um momento importante no desporto motorizado, e mesmo que as novidades não sejam muitas – o que neste momento em que escrevo é incerto, porque a apresentação, da Skoda MotorSport, ainda não decorreu, é sempre bom falar com os colegas jornalistas que seguem o WRC, de várias proveniências, e todos eles têm um ponto em comum: estão preocupados com o futuro do WRC. O que também se passa comigo…

A saída da Citroën foi uma notícia muito má e ainda que o campeonato de 2020, se espere novamente competitivo, com Sébastien Ogier e Elfyn Evans na Toyota, face a Thierry Neuville e Ott Tanak na Hyundai, é preciso olhar mais longe e esse horizonte tem muitas nuvens negras.

Neste momento nem sequer é possível garantir que os híbridos no WRC vão ver a luz do dia em 2022, já que as marcas têm de dar o “sim ou sopas” à FIA até abril de 2020, e se algo falhar, a possibilidade da FIA dar um forte passo atrás é muito forte.

Esse passo atrás pode fazer os adeptos sentirem-se como na transição de 1986 para 1987, e embora a passagem dos atuais WRC para uma espécie de R5 Plus como topo do WRC para obviar custos e dar um passo atrás para dar depois dois à frente, não fosse, se acontecesse, tão radical, a verdade é que o WRC está a passar por momentos difíceis.

Fonte da FIA diz que está na calha a decisão para um novo construtor, e mesmo não dizendo qual, todos os que nos lembramos, parecem improváveis. Subaru? Talvez, repetir algo que já teve muito sucesso na marca. Mitsubishi, que passou por momentos muito difíceis e está a reerguer-se. Opel? Não, está no Grupo PSA. Algo vindo da aliança Renault/Nissan? Com a Renault na F1 e a Nissan na Fórmula E parece difícil. Nem sequer é fácil olhar para a lista de marcas e especular.

O Grupo Volkswagen já disse que desporto motorizado, só ‘eletrificado’. Até a Audi está na corda bamba no DTM.
Mesmo que a FIA optasse pelos R5 Plus para o topo dos ralis, mesmo havendo oito marcas com R5, é mais fácil excluir que acrescentar. Citroën C3 R5, Ford Fiesta R5 MK2, Hyundai i20 R5, Peugeot 208 T16 R5, Proton Iriz R5, Škoda Fabia R5 evo e Volkswagem Polo GTI R5. A Toyota tem o Etios R5, mas não é um produto global, a Mitsubishi tem o Mirage, mas com homologação ‘local’.
A Toyota já mostrou vontade de construir um R5, deve estar a fazê-lo no segredo dos deuses, mas ainda é cedo. Portanto, também não seria um caminho fácil.

A verdade é que os novos WRC de 2017, e o sucesso imediato que trouxeram, ‘adormeceram’ os responsáveis do WRC, e esta recente febre dos construtores com a eletrificação – não podem deixar de ir atrás das modas – está a colocar problemas ao WRC que se atrasou nesse aspeto.
O WEC tem híbridos há uma década, a F1 desde 2014, e já tinha KERS e afins, o WorldRX marcou passo porque os construtores não quiseram ‘virar’ elétricos já em 2020, e o WRC, se tiver ‘eletricidade’ será em 2022, e com sistemas muito básicos para o que já existe na indústria automóvel.

Portanto, estou oficialmente seriamente preocupado com o WRC e temo nova travessia do deserto a médio prazo. Espero, muito sinceramente, que não seja assim…

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francis4422
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francis4422

A ideia de uns R5 Plus é ridícula e ficaria esgotada em efeito no máximo em 2 anos. Sabemos que com construtores oficialmente envolvidos é apenas um questão de tempo até os custos dispararem, independentemente das classes e tipos de carro utilizados. No Europeu isso funcionou à alguns anos, na altura mais popular do campeonato IRC (2008-2012), muito por causa do reduzido envolvimento das marcas em si. Quem investiu em grande foram os importadores e redes de vendedores nacionais, aliás curiosamente com a entrada em força de marcas oficiais (Skoda, por exemplo) foi a morte do artista (diga-se campeonato). Quanto… Ler mais »

dumberdog
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dumberdog

Preocupações mais do que legítimas se realmente a FIA não acautelar o futuro do WRC. De qualquer forma uma coisa é certa: o futuro é eléctrico e, mais tarde ou mais cedo, todas as competições, para subsitirem, terão que seguir as tendências de mercado. Até isso acontecer terá que existir uma via alternativa que passará, naturalmente, por motores híbridos. A Hyundai e a Toyota já têm experiência neste campo, é tudo uma questão de demonstrarem a viabilidade dessas motorizações para que outros fabricantes ganhem confiança em investir no WRC.

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