Não! Não falamos do Top Gun ou do Charlie Sheen, mas sim do Mundial de Ralis, que vai novamente reinventar-se. Dentro de mês e meio já estarão a competir os novos WRC, cujos carros terão mais asas que os Grupos B. Por esta não esperava…
Já lá vão mais de trinta anos e a ‘conversa’ dos “grupos B é que era” ainda se continua a ouvir muito entre as caixas de comentários dos sites e redes sociais, e se há mais de vinte anos que os menos distraídos se aperceberam que os World Rally Car de 1997 já faziam tempos mais rápidos que o espetaculares carros de 1986, a verdade é que o mito Grupo B continua, pois todas aquelas asas e afins, sempre contribuíram para questão. Os olhos também ‘comem’ e quanto a isso, ‘batatas’. Por outro lado, ainda hoje há quem ache que meter uma asa num Opel Astra vai fazer o carro voar, ou rebaixar-lhe a suspensão, fá-lo cortar o vento com maior eficiência. Pois bem. Finalmente, os novos carros de ralis vão ter asas à Grupos B, e portanto a conversa vai mudar outra vez. Primeiro, eram o cronómetro, ‘check’, já são batidos há muito, depois foi por serem utilitários “E pá, ninguém quer ver um Polo ou um DS3”, mas agora que os novos WRC têm asas até dizer chega, vamos ver o que se vai dizer. Quase que apostamos que se uma marca se atrever a fazer um Grupo B exatamente igual a 1986, também não vai prestar, porque “na altura eu era novo e agora não sou”. Enfim, tudo isto para dizer que há muito que uma época do WRC não estava a criar tanta expetativa quanto a de 2017, e os novos carros são uma boa garantia de espetáculo.
Mesmo sem a Volkswagen, a Citroën, Hyundai, Ford e Toyota, garantem um novo começo para o WRC, e mesmo sem a questão dos ‘desempregados’ resolvida, há todas as razões para esperar uma boa temporada. Mas afinal no que mudam as regras? Voltamos a ter na mesma um motor 1.6 litros, turbo, só que agora com o restritor aumenta de 33 para 36 mm, o que vai permitir que os carros cheguem a uma potência na ordem dos 380 cv. Depois de em 2015 ter sido introduzido o comando de patilha no volante para a caixa de velocidades, em 2017 temos novo regresso ao passado nesta área, que é o controlo eletrónico do diferencial central, que tinha sido banido no final de 2010. A nível de peso os novos carros terão menos 25 kg que os seus antecessores, ficando com o peso mínimo de 1175 kg, o que obrigou as equipas a encontrar novos materiais e a desenvolver peças para diminuir o peso e manter as suas funcionalidades e resistência.
A maior diferença que poderá ser vista a olho nú será, sem dúvida, a nível exterior, com a aerodinâmica a passar a ser um fator chave devido às grandes modificações permitidas para o próximo ano, como por exemplo o aumento da largura do carro em 55 mm, passando para 1875 mm. Os spoilers dianteiro e traseiro aumentarão em muito a performance dos novos WRC. Também o difusor traseiro vai sofrer grandes alterações e será também possível introduzir embaladeiras laterais de maior dimensão, assim como painéis laterais mais ‘liberalizados.
Mais regras
Finalmente, a FIA alterou novamente a ordem de partida nos ralis do WRC. Se na F1 há uma regra Verstappen, nos ralis ela chama-se Ogier. E agora ninguéms sabe se o francês fica no WRC ou vai descanr… Pelo menos é mais um argumento para ficar! As regras que estiveram em vigor até ao fim do WRC 2016, obrigavam o líder do campeonato a ser o primeiro a ir para a estrada nos dois primeiros dias de cada prova, o que de acordo com a maioria dos pilotos era uma penalização demasiado excessiva nos ralis de terra, sendo-lhe impossível recuperar da desvantagem no último dia da competição, momento em que a ordem de partida é feita de acordo com a ordem inversa da classificação na prova.
Agora, o líder do campeonato passa a abrir a estrada apenas no primeiro dia da competição. A partir daí ter-se-á em conta a classificação do rali, mas com os carros a irem para a estrada no sábado e domingo em ordem inversa, tal como ocorria em 2014. Primeiro passam os P1 (WRC 2017)/ P2 (geração 2016 dos WRC), depois P3 (WRC2, Junior WRC, etc…). Um piloto P1 que abandone e parta em Rally2, arranca atrás dos P1.
A FIA criou ainda o WRC Trophy (para carros da anterior geração do WRC) sendo que um piloto poderá participar em sete ralis e para o campeonato contam os seis melhores resultados. De resto, a Michelin e DMACK são os dois únicos fornecedores de pneus inscritos. Eis o novo WRC!












