Mārtiņš Sesks (Škoda Fabia RS Rally2) terminou o primeiro dia do Rali Seis Cidades Norte de Portugal, na liderança, acumulando uma vantagem de 10,5 segundos sobre Roope Korhonen (Toyota GR Yaris Rally2). A exigência extrema dos difíceis troços de terra, marcados, muitas vezes, por regos profundos e rocha exposta, provocou furos, avarias e capotamentos sucessivos, reconfigurando a classificação geral do princípio ao fim do dia.
O piloto letão consolidou a primeira posição apesar de se debater com anomalias na válvula de pressão (pop-off) do motor ao longo de toda a etapa, respondendo de imediato a qualquer sinal de ataque de Korhonen. “Havia alguns locais com pedras encastradas que atiravam o carro para o ar”, explicou Sesks após vencer a última especial. Já o finlandês da Toyota, mas também da equipa MRF Tyres, manteve a pressão ao conquistar três troços (SS4, SS6 e SS8), mas um impacto violento na derradeira classificativa descolou-lhe um pneu da jante e impediu-o de anular a diferença. Pablo Sarrazin, no Lancia Ypsilon Rally2, segurou o terceiro lugar a 24,7 segundos da frente, mantendo um andamento focado em evitar furos numa jornada que exigiu sobrevivência física e mecânica.
Na quarta posição fixou-se o espanhol Jan Solans, a 1m20,0s da liderança. O piloto beneficiou dos contratempos da dupla da Lancia na reta final do dia — Léo Rossel partiu uma jante e Nikolay Gryazin imobilizou o carro — e adotou uma postura cautelosa. “Estou a evitar pedras em todo o lado. Tento ser rápido, mas ao mesmo tempo evitar os furos”, assumiu Solans. Simone Tempestini (Skoda Fabia RS Rally2), que partira para este dia como líder do rali, cedeu terreno logo nos primeiros quilómetros da manhã, mas encerrou a etapa no quinto posto (+1m42,2s) após rubricar um andamento muito forte na especial de fecho de dia.
Arthur Pelamourgues (Hyiundai i20 N Rally2)concluiu o dia no sexto lugar (+2m01,6s), sobrevivendo a múltiplos percalços que lhe custaram o para-choques frontal em várias ocasiões. O estatuto de melhor português em prova pertence a Armindo Araújo, sétimo classificado (na geral a mais +2m24,6s). Depois de uma manhã com dificuldades de aderência, o piloto luso ajustou o Škoda ao almoço. “Queríamos mais tração e agora o carro está muito mais rápido e dá-me mais confiança”, afirmou Araújo, que assinou o melhor tempo entre os portugueses à tarde e cruzou a meta final do dia com um pneu descolado. Mikołaj Marczyk (Skoda Fabia RS Rally2) ocupa o oitavo posto (+2m28,0s), também a braços com um pneu descolado nos quilómetros finais. O polaco encontra-se agora numa posição privilegiada para garantir o vice-campeonato europeu face à desistência do adversário direto, Andrea Mabellini.
A tabela dos dez primeiros encerra com mais dois pilotos nacionais. Pedro Almeida segurou a nona posição (+2m30,1s) mesmo depois de sofrer um furo provocado por pedras soltas na trajetória na sétima especial — troço que acabou por ser neutralizado após capotamentos de Tymek Abramowski e Sarah Rumeau. Rúben Rodrigues fechou o top 10, a 2m43,7s do líder, descrevendo as condições extremas do piso ao chegar ao final do dia: “Imaginem uma coisa: uma estrada má. Isto é pior. Mas estamos aqui”.
O rali prossegue amanhã com mais oito provas de classificação que, não sendo nem de perto nem de longe tão duras e demolidoras para a mecânica como as da jornada de hoje, escondem os seus próprios perigos.
Especiais como Montim, Seixoso e Santa Quitéria assumem um caráter particularmente traiçoeiro, apresentando perfis muito sinuosos e secções bastante estreitas em boa parte da sua extensão. Estas características tornam o percurso altamente suscetível de provocar saídas de estrada e criar problemas inesperados às equipas.
O desafio ganha contornos de alta tensão para os pilotos que se encontram separados por margens curtas. Com as contas da classificação geral absoluta e do Campeonato de Portugal de Ralis (CPR) ainda totalmente em aberto, é estritamente proibido “tirar o pé” do acelerador. Este cenário obrigará a um compromisso perfeito entre o ataque constante e a precisão milimétrica, num terreno mais rápido mas que não perdoa qualquer excesso de otimismo.
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