CPR Rali Mortágua: Ricardo Teodósio conquista título, num final de prova dramático

Por a 6 Novembro 2021 16:29

Ricardo Teodósio e José Teixeira sagraram-se campeões de Portugal de Ralis, Bruno Magalhães e Carlos Magalhães venceram o Rali de Mortágua.

Que rali! Impróprio para cardíacos. Mais para a frente vamos explicar tudo, mas para já, apenas os factos relevantes: Armindo faz um pião na qualificação e é o primeiro na estrada. Despista-se com pouco mais de um quilómetro na PE1, e deixa nas mãos de Ricardo Teodósio a decisão do título. O algarvio tem problemas com a alavanca da caixa de velocidades do Skoda e atrasa-se na manhã da prova, chegando ao meio do dia a 22.5s do segundo lugar que necessitava para ser campeão, caso também obtivesse dois pontos na PowerStage. De tarde, Teodósio encetou uma boa recuperação que o levou do quarto ao segundo lugar, ultrapassado Miguel Correia na derradeira especial, com o jovem piloto do Skoda a revelar que teve problemas com a ‘wastegate’ (válvula do turbo), justificando assim todo o tempo perdido à tarde. Com o triunfo na PowerStag, Ricardo Teodósio e José Teixeira asseguraram o seu segundo título em três anos. Um título que ficava bem a qualquer das duas duplas que levou a luta até à derradeira prova.

A cereja no topo do bolo deste rali foi o triunfo de Bruno Magalhães e Carlos Magalhães, que deram ao seu novo Hyundai i20 N Rally2 o seu primeiro triunfo numa prova do CPR em Portugal.

Como se percebe, até aqui só reportámos factos de forma telegráfica e se estes fossem todos escalpelizados ao máximo, dava para escrever um livro.

Depois de Armindo Araújo ter ficado fora de prova logo na PE1,na sequência de um furo, que o atirou contra uma árvore, ironicamente, Teodósio teve que mudar o chip, pois estava preparado mentalmente para uma prova ao ataque e de repente viu-se a ter que passar a manhã a gerir os problemas que teve com a alavanca da caixa de velocidades do carro, que o levam a perder os tais mais de 50s.

Depois de colocado o ‘parafuso’ que faltava na alavanca da caixa na assistência, fez o que precisava de fazer, com a obrigatoriedade de ter que chegar ao segundo lugar e ainda obter pelo menos dois pontos na PowerStage.

Numa tarde de ataque quase máximo, pois havia que poupar pneus nos primeiros dois troços, Teodósio recuperou muito tempo a Miguel Correia, a quem ‘roubou’ o segundo lugar na última especial do dia, que venceu, conquistando os três pontos da Power Stage, o que lhe garantiu o título nacional. Bruno Magalhães/Carlos Magalhães (Hyundai I20 N Rally 2) terminaram o ano em grande e venceram o rali, a primeira vitória do Hyundai I20 Rally2 em solo nacional.

Filme do rali

Armindo Araújo/Luís Ramalho (Skoda Fabia Rally2 evo) nem chegaram a aquecer e no primeiro quilómetro da prova tiveram uma saída de pista, motivada por um furo, que atirou o Skoda contra uma árvore, com os danos a ser demasiados severos para que os candidatos ao título continuassem. Armindo ficava assim a depender do que Ricardo Teodósio fizesse, e para o algarvio, ‘bastava’ fazer segundo e fazer três pontos na Power Stage.

Com a PE anulada, a caravana do CPR avançou para a PE2 que acabou por sorrir a José Pedro Fontes/Inês Ponte (Citroen C3 Rally2), que começavam assim da melhor forma a última prova do ano. Mas na PE3 Fontes também desistiu com problemas elétricos (alternador) no seu C3, e Bruno Magalhães assumiu o protagonismo, enquanto Teodósio continuava a perder tempo. Miguel Correia instalava-se também nos lugares da frente e Pedro Meireles colocava-se na luta pelo Top3. A manhã foi atribulada e na PE4 houve um atraso devido a um incidente com o Carro 0 pois Alfredo Barros despistou-se com o Citroen C3 R5.

Foi na PE4 que vimos o primeiro vislumbre de resposta de Teodósio, com Miguel Correia cada vez confortavelmente instalado no segundo ligar e Bruno Magalhães a chegar à hora de almoço com uma boa margem (19s) para gerir durante a tarde.

A primeira especial da tarde deu-nos a primeira vitória do dia para Teodósio, um sinal de que o piloto algarvio tudo faria para chegar ao título. Mas a realidade era menos colorida e analisado os tempos, Teodósio tinha de recuperar perto de 22 segundos em três especiais, para chegar ao segundo lugar de Correia, que avisou que não iria facilitar a vida ao seu colega de equipa.

Na PE6, Magalhães tratou de responder a Teodósio e, aparentemente, colocar um ponto final na disputa pela vitória. Magalhães venceu a especial e Teodósio recuperou terreno, mas uma penalização (entrou atrasado num controlo da manhã) tornava a vida do piloto algarvio ainda mais difícil, e com apenas duas especiais para disputar, o segundo lugar parecia uma miragem. No entanto, Miguel Correia perdeu muito tempo nesta especial e tinha agora de defender-se de Pedro Meireles que estava mais perto do segundo posto.

A luta entre Paulo Neto e Manuel Castro terminou, com Neto a ficar fora de prova, depois de sair de estrada, e a entregar o quinto lugar a Castro que tinha apenas de gerir o andamento, dado que Daniel Nunes estava longe. Carlos Fernandes estava a caminho do triunfo e do título nas duas rodas motrizes e ia controlando o andamento, mantendo a vantagem para Ernesto Cunha.

Se este estava a ser um rali repleto de reviravoltas, a PE7 deu-nos ainda mais surpresas. Ricardo Teodósio recuperou ainda mais tempo e venceu a penúltima especial do dia. Bruno Magalhães geria, e mesmo assim ganhou tempo a Miguel Correia, que teve uma tarde para esquecer, perdendo muito tempo, o que beneficiou Teodósio, que entrou para a última especial do dia a saber que tinha de recuperar 8.7s a Correia e ser segundo (Power Stage). Magalhães, com 38 segundos de vantagem tinha a vitória no bolso e Teodósio tinha de enfrentar a Power Stage sabendo que tinha de ‘fazer’ pelo menos segundo.

Na PE7, foi Manuel Castro a ficar de fora, uma especial depois do seu adversário direto ter desistido da luta. Quem aproveitou foi Daniel Nunes que assumiu o sexto posto, atrás de Pedro Meireles e de Diogo Salvi/Hugo Magalhães (Skoda Fabia R5), que se foi aproximando do top 5 com as desistências dos principais intervenientes. Gil Antunes continuava atrás de Nunes e Carlos Fernandes podia já fazer a festa pois Ernesto Cunha desistiu e o título das duas rodas motrizes ficava assim entregue.

Na última especial do ano estávamos todos agarrados ao ‘live timing’ para entender o desfecho deste emocionante CPR 2021. Pedro Meireles fez um bom tempo, mas Miguel Correia ficou atrás do piloto do Polo R5, Bruno Magalhães nada arriscou. Faltava o tempo de Teodósio que se colocou no topo da tabela, com mais de 15 segundos de vantagem para Correia. Estava assim encontrado o campeão. Teodósio terminou em segundo lugar o Rali de Mortágua, venceu a Power Stage e conquistou os pontos necessários para fazer a festa. Bruno Magalhães foi o vencedor, numa prova muito bem gerida, atacando nos momentos certos e controlando no final. Teodósio foi segundo e Miguel Correia, apesar de uma tarde menos conseguida, concluiu o ano no pódio, um prémio merecido para um piloto que evidenciou uma excelente evolução ao longo do ano. Pedro Meireles foi quarto, numa boa prova, para encerrar um ano menos positivo, com algumas ausências.

Daniel Nunes/Nuno Mota Ribeiro (Ford Fiesta Rally 3) terminaram em quinto, um bom final de época para uma equipa que está a apostar num Rally3 que mostrou potencial. Diogo Salvi foi sexto, numa prova discreta mas sempre em crescendo, Carlos Fernandes/Valter Cardoso (Peugeot 208 Rally 4) foram sétimos e festejaram o título nas duas rodas motrizes, prémio merecido depois de uma boa época.

Ricardo Filipe / Fernando Almeida (Ford Fiesta R5) foram oitavos, à frente de Fernando Teotónio/Luís Morgadinho (Mitsubishi Lancer Evo IX), os melhores em RC2N e Gil Antunes/Diogo Correia (Dacia Sandero R4) fecharam o top 10 à geral.

Foi pena a decisão não ter sido ‘mano a mano’ até ao fim, mas o evoluir do rali redundou em incerteza quanto ao vencedor do campeonato até ao fim e isso é o que todo e qualquer adepto deseja para a competição.

Mais uma vez ficou provado que os ralis nacionais são competitivos, à nossa escala. Quatro vencedores distintos em oito provas, três deles venceram mais do que um rali, primeiro e segundo separados por um ponto no final do campeonato, o que mais poderíamos pedir?

Talvez que Bernardo Sousa consiga um projeto competitivo, para toda a época, Pedro Meireles não tenha os mesmos azares de 2021, Miguel Correia passe cada vez mais a lutar pelos triunfos, Pedro Almeida regresse com um Rally2 competitivo e já agora, Ricardo Moura, podia perfeitamente vir novamente para o CPR. Imagina o que poderia ser?

Venha 2022!

MOMENTO-CHAVE

Seria redutor escolher o momento do abandono de Armindo Araújo pois Ricardo Teodósio teve problemas no carro, atrasou-se e depois teve de fazer pela vida.

A PowerStage, derradeiro troço da prova, decidiu um campeonato, pois foi aí que assegurou o segundo lugar.

FIGURA

Se fosse do campeonato, era certamente Ricardo Teodósio, mas como falamos do rali a figura é Bruno Magalhães, que realizou uma prova exemplar, com um carro que ainda conhece mal. No final do primeiro troço realizado ficou muito perto do líder, depois passou para a frente e “nunca mais ninguém o viu”…

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8 comentários

  1. Oliveira Marques

    6 Novembro, 2021 at 16:50

    Que grande rali!!! Á mundial mesmo 🙂
    Parabéns Teodósio/Teixeira

  2. CBaptista

    6 Novembro, 2021 at 18:23

    Final de prova dramático… Porquê dramático? Qual foi o drama?
    Emocionante sim. Agora dramático parece-me desjustado e desadequado. Ao ler o título pensei que tinha havido algum acidente grave.
    Enfim, informação gratuita, não se pode exigir mais.

    • Pedro

      6 Novembro, 2021 at 19:31

      Se tivesse havido um acidente grave a palavra correta deveria ser trágico e não dramático. Talvez seja conveniente consultar um dicionário da língua portuguesa antes de fazer críticas como se fosse o arauto da verdade

  3. [email protected]

    6 Novembro, 2021 at 18:28

    Emoção até ao fim! (MUITA pena não poder ter ido ver…) Merecidos Parabéns ao Ricardo, Zé e toda a equipa. Tou feliz.

  4. Speedway

    6 Novembro, 2021 at 18:36

    Muito bom e parabéns ao novo campeão,que junta a outros anteriores.Os nossos ralis têm um grande nível.
    Mas façam um sistema de pontuação simples,tipo F1,para toda a gente entender.Só tinham a ganhar…ou são masoquistas !

  5. [email protected]

    6 Novembro, 2021 at 18:40

    Parabéns Ricardo. Para quem como eu acompanhou a prova, muito complicado perceber o que se estava a passar. No final tudo bem mereces este campeonato, se calhar muitos outros tivesses tu material para andar. Parabéns.

  6. WRC GTONE

    6 Novembro, 2021 at 21:17

    Merecido Teodósio, sem dúvida. Mas o resto uma crónica anunciada…sem honra, dúvidas?! Nenhumas….

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