Eric Boullier, o CEO do novo promotor do Campeonato Mundial de Ralis (WRC), tem como objetivo central da sua função “reconstruir” a competição, devolvendo-lhe o lugar de destaque que lhe pertence. Ele ambiciona que o WRC seja reconhecido como o desporto mais popular no setor do desporto motorizado, uma meta a ser alcançada através de uma estreita colaboração com a FIA. Boullier garante que o ADN dos ralis nunca será alterado, tranquilizando assim os adeptos.
Está já delineado que haverá mudanças no formato dos eventos, a plataforma de media será completamente remodelada e haverá uma aposta mais forte no digital e nas redes sociais. Tudo isto com o intuito de atrair um novo público e criar o desejo de assistir aos ralis. Os eventos manterão a estrutura de quinta a sábado, mas a noite de sábado será transformada numa plataforma de entretenimento e num festival, a que chamam “WRC Arena”. Além disso, a parceria com a Cosmobilis pretende transformar o WRC numa plataforma de negócios e sustentabilidade para equipas, construtores e fabricantes, garantindo acessibilidade e hospitalidade.
O percurso e a motivação de Eric Boullier
Eric Boullier começou por agradecer a todos, partilhando a sua experiência de 30 anos nos paddocks do desporto motorizado em todo o mundo. Revelou que o convite para trabalhar no WRC, há 14 meses, foi uma surpresa. A sua primeira conversa com o Presidente Sulayem foi decisiva, pois confirmou que os valores essenciais do desporto motorizado são universais, independentemente da disciplina.
Vindo do mundo dos circuitos, Boullier afirmou que os ralis são a forma mais espetacular de desporto motorizado, confessando que, embora goste de fórmulas, prefere os ralis. Expressou grande satisfação por estar envolvido e por trabalhar com a FIA. Sublinhou ainda que, desde o primeiro dia no gabinete do Presidente Ben Sulayem, aceitou a missão confiada por Jean-Louis com uma condição: “estive a lutar contra a FIA toda a minha vida, precisamos de trabalhar em conjunto se quisermos reconstruir” – e fez questão de usar a palavra “reconstruir” o WRC –, “porque o WRC deve voltar ao lugar a que pertence”, considerando-o um dos maiores e, muito provavelmente, o desporto mais popular na área do desporto motorizado.
A visão para o futuro do WRC
Questionado sobre a sua visão para o futuro do WRC, após observar os eventos desta época, Eric Boullier explicou que ele e Julian visitaram muitos ralis este ano. Agradeceu à FIA, à Red Bull e a outros parceiros por lhe terem permitido aprofundar o seu conhecimento, especialmente como “novato” neste ambiente. Contudo, fez questão de reiterar uma afirmação crucial: “nunca, jamais, mudaremos o ADN dos ralis”. Esta garantia visa tranquilizar todas as partes interessadas e os adeptos.
Boullier explicou que, apesar de os ralis serem a modalidade mais espetacular do desporto motorizado, “já ninguém fala dele”, o que representa um problema. O objetivo é devolver o WRC e o ERC ao lugar que lhes pertence. Para isso, serão abordadas as seguintes áreas estratégicas:
Formato dos Eventos: Serão feitas adaptações ao formato, inspirando-se em ralis como os da Finlândia ou Estónia, que já implementam um troço único ao domingo. Este formato, em colaboração com a FIA, visa criar um “produto melhor” que seja mais acessível para os adeptos assistirem e mais fácil de transmitir, mostrando o WRC a quem não pode estar presente.
O formato de quinta, sexta e sábado será mantido, reconhecendo que “há milhões de adeptos no mundo” que desejam “desfrutar da experiência”. A principal alteração ocorrerá a partir de sábado à noite, transformando-a numa “plataforma de entretenimento, num festival”.
Boullier revelou que o parque de assistência será rebatizado como “WRC Arena”, com o objetivo de criar um local onde as pessoas queiram estar, ser vistas (incluindo influenciadores) e desfrutar do espaço e do rali. A introdução de um troço único ao domingo facilitará o acesso, permitindo a criação de esquemas de estacionamento e transporte (“park and ride”), e garantindo que o “produto” seja melhor exibido, aproximando o público dos carros em ação.
Plataforma de Media: Haverá uma remodelação completa da plataforma de media para “entrar no novo século”. Isto implica uma aposta mais forte no digital e nas redes sociais, com o intuito de atrair um novo público, além dos entusiastas de longa data, e de gerar neles o desejo de acompanhar os ralis.
Plataforma de Negócios e Sustentabilidade: O desporto será transformado numa plataforma de negócios e sustentabilidade para as equipas, os construtores e os fabricantes de automóveis. A intenção é proporcionar um ambiente acessível e hospitaleiro para todos os que desejam competir e ter um local onde possam operar, acolhendo adeptos, empresas e diretores executivos.
Inovações para a Acessibilidade dos Eventos
Quando questionado sobre como tornar os eventos de rali, que se estendem por quatro dias, mais apelativos e acessíveis aos adeptos, Eric Boullier explicou que a abordagem será “completamente orientada para o cliente”, procurando acolher tanto os adeptos existentes como um novo público.








