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10 marcas que viraram as costas ao WRC… e quatro delas regressaram!

José Luis Abreu by José Luis Abreu
13 Julho, 2017
in Newsletter, Ralis, Sapo
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10 marcas que viraram as costas ao WRC… e quatro delas regressaram!

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[soliloquy id=”321790″]

Porque a história do desporto motorizado se encontra repleta de ‘saídas’ de construtores como a que sucedeu no final do ano passado com a Volkswagen, recordamos outras igualmente importantes que surpreenderam a comunidade do Mundial de Ralis

Uma das características previsíveis do Mundial de Ralis assenta numa verdade absoluta: a de que os construtores de automóveis desaparecem tão rapidamente quanto surgiram. O que normalmente varia é o motivo e o momento que se encontram na base dessa decisão. 1999, por exemplo, foi o ano em que o atual sistema de registo no campeonato, com presença obrigatória em todos os eventos do WRC, passou a vigorar na competição, substituindo o até aí tradicional figurino em que as equipas simplesmente se inscreviam nas provas que lhes interessavam, se adequavam mais às suas viaturas ou justificavam a sua presença por um forte imperativo comercial, de mercado ou de patrocinadores. Foi aí que a “retirada” ou “desistência” passou a ter um novo significado. Mas antes disso já muitas marcas tinham abandonado o ‘barco’, algo que, como vimos, costuma repetir-se ao longo da história. Enquanto recorda connosco algumas das mais importantes, aproveite para imaginar o que seria se estas equipas ainda estivessem no campeonato. Não haveria parque de assistência no mundo grande o suficiente para recebê-las a todas!

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Audi

A Audi deixou oficialmente o WRC após a tragédia que vitimou duas pessoas e feriu duas dezenas de espetadores no Rali de Portugal de 1986. Apesar de a marca ter regressado no ano seguinte, o Audi 200 Quattro preparado para o regulamento do Grupo A e que subiu ao pódio por três vezes acabaria por participar em apenas quatro ralis do campeonato de 1987. A partir de 1988, a marca dos quatro anéis preferiu concentrar-se noutros projetos, como a subida à montanha de Pikes Peak e a participação no IMSA, com o Audi 90 Quattro GTO, apostando depois nas competições de carros de turismo.

Motivo: A Audi não se queria envolver numa atividade perigosa para os espetadores e já havia provado a eficácia do sistema de tração integral em carros desportivos, a razão original para terem apostado nos ralis com o Quattro.

BMW Mini

Desde o seu início que o projeto do John Cooper Works WRC foi problemático. O carro nunca cumpriu totalmente com as regras necessárias para o seu registo no Mundial de Ralis e após apenas um ano de competição oficial (2011) a BMW retirou o seu apoio à campanha da Prodrive no WRC, preferindo focar-se noutras atividades desportivas, incluindo o DTM. Diz-se que o Grupo estava à procura de fazer da BMW a sua marca desportiva e da Mini uma insígnia mais virada para o lifestyle. A equipa do WRC foi depois reformulada como WRC Team Mini Portugal através de Armindo Araújo e a Motorsport Italia, sendo registada no campeonato como uma entrada de fábrica, enquanto a nova Prodrive WRC Team foi rebaixada a uma equipa privada com apoio de fábrica.

Motivo: A sua saída deveu-se aos constrangimentos financeiros necessários para participar no número mínimo de eventos exigido pela FIA.

Citroën

Esta estranha história começou com a decisão de uma anterior direção da Citroën inscrever em três ralis do Campeonato do Mundo de 1986 um carro especial do Grupo B, o BX4TC, que em última análise era demasiado conservador no seu desenho, numa era em que a tecnologia avançava a uma velocidade estonteante. Os franceses acabaram por alterar totalmente a sua abordagem ao desporto, o que em última análise fez da Citroën o construtor de maior sucesso da história do desporto, como dizem agora as estatísticas. O que se está a passar este ano é apenas um contratempo, que nada tem a ver com o de 1986, e a Citroën já está a trabalhar para que 2018 seja bem diferente do que tem sido 2017… Rali do México à parte.

Motivo: Vergonha derivada de um falhanço!

Ford

Ao longo da sua história no Campeonato do Mundo de Ralis, a Ford sofreu dois grandes revezes. No final de 1996, a sua equipa de fábrica passou a ser gerida de forma privada pela M-Sport de Malcolm Wilson. Dezasseis anos mais tarde, em 2012, a Ford retirou o seu apoio oficial, mas continuou a oferecer suporte material à equipa, nomeadamente no fornecimento de componentes. Tal como ainda sucede hoje em dia…

Motivo: Da primeira vez, o objetivo da companhia passava por quebrar o controlo industrial dos seus trabalhadores na equipa oficial de rali. Em 2012, as razões foram sobretudo financeiras. A Ford tinha alegadamente perdido 1 bilião de dólares nas suas operações europeias num dos quartos financeiros do ano e investir milhões de dólares numa equipa de rali afastada há muito dos sucessos era um desperdício de dinheiro face à situação em que a empresa se encontrava. Hoje, a M-Sport lidera os dois campeonatos e tanto Malcolm Wilson como Sébastian Ogier pressionam a Ford para ‘devolver’ o apoio oficial. Sim ou sopas…

Hyundai

As relações entre a MSD, a companhia britânica contratada para gerir os esforços da Hyundai no Campeonato do Mundo, e os responsáveis da marca na Coreia rapidamente se deterioraram em 2003, ao ponto de o Accent nem comparecer nos últimos quatro ralis dessa temporada. A companhia prometeu regressar em 2006, mas tal não sucedeu até 2014 – ano em que uma estrutura própria sediada na Alemanha tem desde então gerido o projeto. E o sucesso está cada vez mais perto…

Motivo: Disputa financeira

Lancia

No seu tempo, a Lancia era a equipa mais bem-sucedida e inovadora do Campeonato do Mundo de Ralis, mas no início dos anos 90 o famoso Delta estava a chegar ao fim da sua linha de desenvolvimento. No final de 1991, a marca acabou por entregar a estrutura e o equipamento à Jolly Club, que continuaria a inscrever os carros por mais algum tempo.

Motivo: O Grupo FIA preferiu apoiar antes o programa de Fórmula 1 da Ferrari

Mitsubishi

Após uma longa e bem-sucedida carreira com os seus Lancer preparados pela Ralliart, a Mitsubishi decidiu que estava na altura de reavaliar o projeto e também a direção da companhia. A marca nipónica consolidou as suas atividades desportivas em 2003, com a Mitsubishi Motors Motor Sports GmbH, sediada na Alemanha, a desenvolver e inscrever em 2005 uma versão especial do Lancer à luz do regulamento do WRC (o modelo que tantos títulos deu à marca era de Grupo A). Pouco depois, no entanto, a casa-mãe decidiu suspender a sua participação no Campeonato do Mundo de Ralis e abortar o projeto.

Motivo: A mudança de estratégia da Mitsubishi Motor Company e o desenvolvimento de uma nova linha de veículos elétricos que consequentemente não alinhavam com o desporto motorizado

Peugeot

A Peugeot também realizou duas importantes saídas do WRC. A primeira no final de 1986, depois de a FIA banir os carros do Grupo B para a temporada seguinte. A segunda no final de 2005, quando o Grupo PSA Peugeot Citroën optou por retirar as duas marcas do campeonato. Tal como em 2016, a Citroën acabou por cumprir uma no sabático para desenvolver um novo carro, o C4 WRC, regressando em 2007, ao passo que a Peugeot saiu da competição, optando por se concentrar em Le Mans.

Motivo: No primeiro caso, a Peugeot considerou ilegal a decisão da FIA, trocando o WRC por uma presença nos rally-raids do TT. No segundo, os altos dirigentes do Grupo consideraram que não fazia sentido ter duas marcas da sua alçada a competirem entre si no mesmo campeonato.

Subaru

Após três temporadas longe do sucesso, com uma nova versão do Impreza que teimava em dar resultados, a Subaru World Rally Team conduzida há tantos anos pela Prodrive de David Richards decidiu fechar a sua atividade no final de 2008.

Motivo: Em parte devido à crise económica, mas também porque a Subaru sentiu que tinha atingido os seus objetivos desportivos e ao nível do marketing.

Toyota

Outra equipa a retirar-se do desporto por duas vezes. A primeira, em 1995, de a Toyota Team Europe ter sido banida da competição após a descoberta de que tinham infringido os regulamentos, montando um restritor de ar no turbo compressor dos seus Celica que não cumpria com o que estava homologado. Dois anos depois, em 1997, os japoneses estavam de regresso, agora para promover um modelo em particular, o Corolla, e não a sua imagem desportiva. Foi com ele que os japoneses venceram o Campeonato do Mundo de Construtores de 1999 e estiveram perto de vencer o título de pilotos com Carlos Sainz, em 1998, até o carro falhar, de forma trágica, a 500 metros do fim do Rali da Grã-Bretanha. O fim da produção do Corolla resultou no cancelamento das atividades desportivas da equipa um ano mais cedo do que o previsto. Estão de volta, e a ‘coisa’ promete…

Motivo: No primeiro caso, a punição da FIA. No segundo, a prematura mudança dos planos de produção da companhia

José Luis Abreu

José Luis Abreu

Entre curvas e muito pó, descobri que o olhar treinado pela fotografia e a paixão pelos ralis só podiam levar a um destino: o jornalismo desportivo. E já lá vão mais de 30 anos…

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