Ben Sulayem, atual presidente da FIA está, na prática, garantido para um segundo mandato devido aos constrangimentos técnicos do processo eleitoral.
Quando se juntam as informações que vão surgindo, percebe-se que a questão é tão complicada para os eventuais opositores de Ben Sulayem, que o mais certo é não ter quem o defronte nas próximas eleições, marcadas para 12 de dezembro de 2025, em Tashkent, no Uzbequistão.
Mas afinal, o que sucedeu?
Inicialmente, três candidatos declararam intenção de desafiar Ben Sulayem: Tim Mayer (antigo comissário de F1 e crítico feroz da atual administração), Laura Villars (piloto suíça de 28 anos que se tornaria a primeira mulher a liderar a FIA) e Virginie Philippot (jornalista belga de motorsport). Carlos Sainz Sr. também foi amplamente especulado como possível candidato, mas nunca formalizou a candidatura.
A questão técnica que resolve tudo
O problema surge na composição da “Lista Presidencial”, que cada candidato deve apresentar até 24 de outubro. Esta lista exige:
* Um presidente do senado;
* Um vice-presidente para mobilidade automóvel e turismo;
* Um vice-presidente para desporto;
* Sete vice-presidentes regionais (América do Norte, América do Sul, Ásia-Pacífico, África, MENA, e dois da Europa)
O ‘estrangulamento’ da América do Sul
A questão crítica reside no facto de apenas uma candidata ter sido aprovada pela FIA para representar a América do Sul: Fabiana Ecclestone (esposa de Bernie Ecclestone), que já integra a lista de Ben Sulayem e é atual vice-presidente para a América do Sul.
Como as regras impedem que a mesma pessoa integre múltiplas listas presidenciais, e sendo obrigatório ter representação de todas as regiões, os rivais de Ben Sulayem ficam impossibilitados de completar as suas listas.
Outras limitações regionais
Agravando a situação, os dois candidatos aprovados de África – Rodrigo Rocha (Moçambique) e Amina C. Mohamed (Quénia) – são conhecidos apoiantes de Ben Sulayem, com Rodrigo Rocha já integrado na sua lista presidencial.
Reações e implicações
Esta situação levanta questões sobre a transparência do processo eleitoral da FIA e sobre se as regras foram desenhadas, consciente ou inconscientemente, para favorecer o presidente em exercício.
Tim Mayer, que foi despedido por Ben Sulayem do cargo de comissário em 2024, tinha feito uma campanha baseada na “transparência e integridade renovada”, criticando as “ilusões” da presidência atual.
Contexto da presidência atual
Ben Sulayem, de 63 anos, ex-piloto de ralis dos Emirados Árabes Unidos, assumiu a presidência em dezembro de 2021, sucedendo a Jean Todt. A sua presidência tem sido marcada por controvérsia, incluindo demissões de altos funcionários como Robert Reid (vice-presidente para o desporto) e conflitos com equipas de F1 sobre decisões arbitrárias.











