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Maria Germano Neto: “Nunca senti que fui tratada de forma diferente em relação ao rapazes” | AutoSport

Maria Germano Neto: “Nunca senti que fui tratada de forma diferente em relação ao rapazes”

Por a 21 Dezembro 2021 16:15

Maria Germano Neto é uma das grandes promessas nacionais da velocidade. A dar cartas no Karting, venceu o FIA, Girls On Track e terá na próxima época o apoio da Academia Ferrari, além de competir com a conceituada Tony Kart. Na entrevista ao AutoSport, Maria e o seu pai, Germano Neto, falaram das diferenças que encontraram na competição fora de portas e da diferença de tratamento:

Encontraste muitas diferenças quando começaste a competir lá fora e no FIA Girls on Track?

Quando fui para fora notei a diferença porque cá os pilotos não têm tanta experiência e não são tantos pilotos. Mesmo no FIA, Girls on Track não sabia o nível das meninas com quem ia competir mas nas primeiras vezes que entrei em pista entendi que elas não tinham um nível muito alto, mas também não era muito más, por isso sabia que podia ganhar. Fora de pista é que foi mais difícil e alguns exercícios físicos eram mais complicados para mim, porque não tinha tanta força quanto as mais velhas. Em relação às meninas da minha idade, tinha mais ou menos a mesma força. Havia outros exercícios em que como era baixa não conseguia chegar. Na última fase, quando eramos só quatro, nos exercícios psicológicos aí correu bem. Foi muita coisa, mas tínhamos muitas pausas. Dentro de pista era mais intenso, mas fora de pista era mais pausado. Foi a primeira vez que andei com um kart para juniores em corrida, mas já tinha treinado antes. Andam mais mas, acho que tenho de ter mais força.

Germano Neto

Mais difícil é a Maria conseguir conciliar tudo isto. A Maria é uma criança e tem de ter um crescimento normal para uma criança da idade dela. Faz-lhe falta conviver com as suas amigas e amigos na escola e dentro do possível ela consegue conciliar isso, com os estudos e a competição. Nestes últimos dois meses a Maria teve uma semana e um dia de aulas e o resto passou o tempo todo em Itália. O mérito é dela pois é ela que faz este esforço todo e eu tento acompanha-la o máximo que posso. Mas é evidente que sinto um orgulho enorme porque parece-me que é a primeira e única piloto portuguesa a integrar a academia Ferrari e a piloto mais jovem de sempre a ser integrada na Academia Ferrari. Não é por ser a Maria, mas consideramos que ela tem muito potencial. Soubemos que ela ia competir em Júnior no FIA Girls on Track três semanas antes do evento. A Maria chegou-me a dizer que não queria competir naquele Kart, que é absolutamente exagerado para o tamanho dela, e ela é competitiva e não gosta de correr se não for para ganhar, como tal, poderia acabar por ser um desafio frustrante. Não fosse o facto de já estar tudo articulado com a FPAK, de já termos dado as referências para o tamanho do fato e das botas, provavelmente teríamos repensado se valeria a pena ela participar. Ela treinou três dias à chuva em Itália e um fim de semana em Viana num kart antigo. O que é certo é que a Maria conseguiu surpreender-nos e eu estive no fim de semana em Viana com ela e com o primeiro mecânico dela cá e ela conseguiu ficar a três décimos do melhor tempo à chuva daquela pista, num kart de júnior. É um orgulho enorme mas é fundamentalmente o reconhecimento das capacidades da Maria e mais do que isso do espirito de sacrifício dela.”

Maria, alguma vez sentiste que foste tratada de forma diferente por seres menina?

Nunca senti que fui tratada de forma diferente em relação ao rapazes. Há poucas raparigas, mas as que correm têm algumas qualidades. Em Itália há lá meninas a correr e que fazem sempre bons resultados.

Germano Neto

Acho que não tem havido diferenças de tratamentos. A Maria teve um episódio numa prova em Viana em que poderia sagra-se campeã nacional na penúltima prova e foi abalroada propositadamente por um piloto. E eu acho que não pelo facto da Maria ser menina, mas apenas a afirmação da Maria como piloto que provavelmente causou algum incómodo. Mas é uma realidade cada vez mais presente e, por exemplo, vemos agora cada vez mais juízas do que juízes e há 30 anos tínhamos só juízes. É uma afirmação da mulher no mundo, as oportunidades são cada vez mais iguais para homens e mulheres e é uma evolução natural e é bom que aconteça por que as raparigas não ficam a dever nada aos rapazes. Os rapazes continuam a ter mais oportunidades, mas tem mais a ver com a capacidade financeira dos pais e o dinheiro acaba por adulterar os resultados. A Maria compete, talvez com condições idênticas a outros pilotos mas não com condições superiores. A verdade é que a Maria vai para o WSK com mais de 100 pilotos e está seguramente no top 10. Não é fácil competir com os melhores do mundo, alguns com melhores condições e mesmo assim a Maria consegue lutar de igual para igual. O que noto é que a Maria tem um grau de maturidade maior que os rapazes da idade dela, pois tem a capacidade de entender onde falhou, de ter o cuidado de ver na telemetria onde falhou e onde pode melhorar, de falar com os mecânicos e entender onde pode melhorar o carro. Vejo que a Maria, quando acaba, tem a preocupação de falar com o chefe de equipa e entender o que correu bem e mal, enquanto que os rapazes que são mais velhos, a primeira preocupação é ir jogar futebol.”

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Scuderia Fast Turtle
Scuderia Fast Turtle
7 meses atrás

Continuem a criar competições exclusivamente para mulheres….

Para se chegar ao topo seja onde for teem de competir com homens. Não sozinhas como tantos defendem.

FRL
FRL
6 meses atrás

TOP.

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