Os reis da chuva na Fórmula 1

Por a 14 Novembro 2017 21:05

Já que a chuva está cada vez mais tímida, é boa hora para falar dela e dos seus efeitos em pista. Para os fãs de F1 (e de qualquer outra modalidade) a chuva é sinónimo de espetáculo e surpresas. Com menos aderência, o talento tendencialmente fala mais alto que a mecânica (embora esta mantenha a sua enorme importância). Há uma regra não oficial, que diz que se um piloto é bom com pista molhada é bom em qualquer lado.

 

É uma regra que nem sempre pode ser considerada verdadeira. Há um exemplo recente que mostra isso: Jean Eric Vergne era sistematicamente melhor que Ricciardo em pista molhada. Mas a carreira de ambos seguiu para rumos completamente diferentes. O melhor em pista molhada não ficou.

 

Há um nome que é unanimemente considerado o melhor à chuva… Senna. E os números confirmam isso. Senna tem 66.7% de vitórias nas corridas que em algum ponto tiveram água no asfalto. É uma percentagem considerável (Ascari tem 80%, mas tem apenas 5 corridas à chuva – 4 vitórias). Seguem-se Fangio com 57%, Moss (50%) e Clark (42.9).

 

Dos pilotos mais recentes, Hamilton consegue 25% de vitórias à chuva, Vettel 19% e Button 21%.

 

O caso de Button é curioso pois o britânico (famoso pelo seu estilo de condução suave, característica imprescindível para se ter sucesso à chuva) conseguiu mais vitórias à chuva do que em seco. Em 179 corridas em seco conquistou 8 vitórias. As restantes 7 vitórias vieram das 33 corridas em que enfrentou pista molhada. Massa é outro desses casos (8 vitórias-153 corridas em seco; 3 vitórias – 30 corridas em pista molhada).

 

Mas fica claro que Senna foi aquele que melhor dominou as suas máquinas em pista molhada até pela diminuta taxa de abandonos que teve por erros próprios nestas condições (2 DNF em 21 corridas à chuva).

 

Não é à toa que Senna foi chamado de “Rei da Chuva”. A sua capacidade de concentração, a forma como sentia o carro e as inúmeras vezes que treinou à chuva nos karts, fizeram dele um dos pilotos mais bem preparados para enfrentar condições de aderência mais adversas. Para a história ficam exibições memoráveis como em 84 no Mónaco ou em 93 em Donington.

A chuva tem a tendência em tornar as corridas memoráveis. Hunt no Japão (em 76) Button no Canadá (em 2011), Hamilton no Brasil (em 2008), o mesmo lugar que viu Verstappen fazer uma corrida formidável em 2016. As corridas à chuva vêm sempre à memória, pois nas condições mais adversas é que os maiores talentos se mostram.

Deixe um comentário

32 Comentários em "Os reis da chuva na Fórmula 1"

rodríguezbrm
Membro
O Button jogava e antecipava as mudanças súbitas das condições climatéricas e da pista que obrigavam a trocas de pneus e entradas do SC na pista, e este seu oportunismo deu-lhe alguns bons resultados, mas daí a ser um especialista em chuva, discordo. Ele fez uns 30 GP nessas condições e se vermos esse último do Brasil/16 em que seguiu a estratégia dos outros, afundou-se na classificação, ficando a 60 seg. do Max e 80 do LH, o motor Honda ali não era tão relevante. Só numa visão estatística o colocaria na galeria dos rain masters. Stuck, Cheever ou Boutsen,… Ler mais »
so23101706
Membro
Todos se referem à corrida épica do Senna no GP do Mónaco de 1984, mas esquecem que o piloto mais rápido em pista, quando a corrida foi interrompida, era o Stefan Bellof. Embora o seu carro estivesse irregular durante toda a época, com o artifício do reabastecimento de água com esferas de chumbo (!) a que a Tyrrell recorria, o Bellof não deixou de fazer uma corrida fantástica. E, já que estamos com os teutónicos, será interessante lembrar a primeira vitória do Sebastian Vettel no GP de Itália de 2008. (Apesar das alegrias que este piloto procura dar aos tifosi,… Ler mais »
ernie
Membro
Caro so, o seu comentário, dá ideia que realmente gosta muito dos “tedesci”, e não gosta de Senna nem de “tiffosi”. Stefan Bellof era sem dúvida um piloto genial e demonstrou-o em todas as categorias por onde passou, sendo de facto um dos “Enormes” na chuva como ficou também provado em protótipos, no entanto, como muito bem refere, em carros que pesavam 545Kg a seco, ter menos 20Kg, principalmente na chuva faz uma grande diferença, até porque na altura ainda usava o Cosworth DFV no seu Tyrrell, muito mais fácil de usar nessas condições do que o pouco simpático 4cil… Ler mais »
so23101706
Membro
Se é assim, eu posso muito bem dizer que você é que não gosta dos ‘tedesci’ e tresleu por completo o que eu escrevi. Eu não faço distinções: apenas as qualidades do piloto me interessam. Tanto me faz se ele é um alemão ou um finlandês ou um mexicano ou ainda um francês com ar completamente latino. (E, já agora, detesto o Nico Hulkenberg, que considero um dos pilotos mais ridiculamente sobrevalorizados do grid.) A sua tirada sobre as alegrias dadas ou não aos tifosi dá para perceber que o meu caro se deixa contaminar facilmente pela forma distorcida como… Ler mais »
kkk
Membro

Em qualquer circuito (seja onde for), á mais entusiasmo com um 2º ou 3º lugar dum Ferrari que um 1º dum Mercedes…

ernie
Membro
As minhas desculpas felo f a mais, mas realmente de italiano “capisco” pouquíssimo, e por isso não leio a Autosprint. Não gosto nem desgosto do Hulkenberg, e concordo que é sobrevalorizado não só no paddock, mas também em muitos sofás. Concordo que a Ferrari fez este ano um excelente carro, perfeitamente ao nível do Mercedes o que acho fantástico porque adoro corridas com mais do que dois carros da mesma côr. Incidente embaraçoso em Baku? Meu caro, embaraçoso é dar um “traque” num elevador. Aquilo é vergonhoso num tetra campeão. Não percebo a sua visão do acidente de Singapura, porque… Ler mais »
so23101706
Membro
Todos os pilotos que saem da pole position espremem os adversários quando estes estão na iminência de os ultrapassar. O Hamilton fê-lo ao Vettel no GP dos EUA, o Bottas fê-lo no GP do Brasil. Todos fazem. Defendem a posição de maneira a não serem atacados na primeira curva. Não sei por que as pessoas pensam que isso é aceitável quando o Hamilton o faz e um crime quando é o Vettel. Aliás, nem sequer me vou dar ao trabalho de continuar a discutir isto: eu não gosto que me atirem areia aos olhos. Outros gostarão, ou acharão que a… Ler mais »
ernie
Membro

Há espremer, e espremer… e causar um acidente! Também há causar o acidente e alguém instalado num sofá provavelmente apontado para outra zona do circuito, dizer que a culpa é do outro que se limitou a levar com o espremido.
Quanto ao mau gosto patenteado na minha última frase, creio que foi devido ao seu pobre comentário sobre o meu italiano, em que o meu caro é que foi buscar a sua irmã para a conversa, por isso não se queixe. “Capiche”?

ernie
Membro

Pareceu-me ter lido algo algures (já não consigo encontrar…) sobre a minha Mãezinha ter sido costureira, e não é que foi mesmo! Camiseira mais precisamente, mas dava um jeito no que fosse, até alfaiataria e modista, Uma verdadeira costureira à antiga, como já não se fazem hoje. Ela já faleceu há 4 anos com 82, mas ainda tenho a máquina de Costura Pfaff com que ela costurou toda a vida, nos últimos 40 anos só nos arranjos para a família, mas mesmo assim com muito orgulho e habilidade.

Pity
Membro

Essa de ter sido o Kimi o responsável pelo acidente em Singapura, é de mestre! Por acaso você não é juiz, nem polícia de trânsito, não? Espero bem que não! A ajuizar assim…

so23101706
Membro

Eu já me apercebi que você gosta de se deixar embarcar na histeria colectiva, por isso não há conversa possível consigo. Passe bem.

Pity
Membro

Quando há falta de argumentos, aparece essa da histeria colectiva, mas, sabe? EU VI A CORRIDA, ninguém me contou.

*RPMS*
Membro

Pity, Pity…eu no outro dia quando lhe falei dos nicks velhos e dos nicks novos não foi por acaso.
Eu só acho que se querem passar por “novos” foristas, eh pá, ao menos tentem disfarçar um bocad(i)nho…
Cumprimentos

Pity
Membro

O meu “azar” é não os reconhecer… isto é, suponho ter reconhecido um, mas não é este.

*RPMS*
Membro

Essa do Kimi ser o culpado do acidente de Singapura e do que toda a gente viu ser “histeria colectiva” está o max(i)mo. Desde os tempos dos comentários psicadélicos do antigo forista do i (agora fugitivo do i) que não me ria tanto!
Cumprimentos e parabéns

*RPMS*
Membro

Essa necessidade de ter que falar no Alonso faz lembrar os textos de raivinha ao espanhol de um antigo forista, do mais faccioso e de menor credibilidade que por aqui havia, mas que ultimamente tem andado “desaparecido”…
Será que tenho que lhe começar a perguntar onde andou em 2014?
Cumprimentos

kkk
Membro

Com todo o respeito e paz ás ua alma (que bem falta fazia ao desporto como desporto) tb não morro de amores pelo Ayrton!… No entanto faz falta.

ernie
Membro

Seguramente que já não correria, mas quem gosta de corridas, não gosta que os pilotos se magoem e muito menos que morram, quer nos sejam simpáticos ou não. Assim como também não gostamos de ver equipas fecharem portas porque a modalidade fica sempre mais pobre. Para mim, é assim o espírito desportivo.

*RPMS*
Membro

O “caro” forista so(i) já começa a dar nas vistas pelas suas tendências clubisticas…é mais forte do que ele. Deliciosa a volta que ele foi dar ao texto apenas para falar no seu heroi Vettel, já que mais ninguém tinha falado…
Eh,eh cumprimentos

2fast4u
Membro

Monaco 84 – atrás do Senna vinha Stefan Bellof, também com um carro fraco, que podia ter sido uma lenda deste desporto.
Volto a lembrar que Bellof em 83 deu uma volta ao Nurburgring Nordschleife em 6m11s, recorde actual do circuito, tempo absolutamente impressionante.
https://en.wikipedia.org/wiki/List_of_N%C3%BCrburgring_Nordschleife_lap_times

ernie
Membro
Bellof era fantástico no molhado, e infelizmente para todos os que gostam de corridas morreu cedo de mais, mas o seu carro no Monaco em 84, ainda usava o Cosworth DFV que apesar de menos potente, e também por isso, era muito mais fácil de utilizar naquelas condições do que o Hart turbo do Toleman que era difícil até em seco, isto para além de os Tyrrell correrem na altura cerca de 20Kg abaixo do peso regulamentar (foi descoberto lá mais para o fim do ano), o que principalmente no molhado era uma clara vantagem. Para quem não sabe, na… Ler mais »
so23101706
Membro

Essa de o Vettel se ter atirado contra o Stroll de propósito é própria de gente profundamente perturbada por distúrbios mentais incuráveis. Por favor diga-me que não acredita nessa idiotice!!!

ernie
Membro
Não precisa de pedir por favor, porque não acredito mesmo, mas que já vi coisas parecidas com isso e muito piores até, até noutras modalidades do desporto motorizado, lá isso vi. Já agora, quando me referi a “manha ao estilo dos italianos”, até estava mais a pensar em Briattore que propriamente na Ferrari, até porque irregularidade técnica por parte da Ferrari, só me recordo do cêntimetro de diferença numa side pot wing (se bem me recordo) dos Ferrari de Schumacher e Irvine num GP qualquer, em que a coisa acabou abafada porque na altura, o regulamento concedia 0,5cm de tolerância… Ler mais »
so23101706
Membro

Houve também o duplo aileron do Gilles Villeneuve no GP dos EUA (Long Beach) de 1982, mas isso foi mesmo para provocar o Jean-Marie Balestre por causa de uma divergência na interpretação dos regulamentos. (Claro que o Villeneuve foi desclassificado.)
Sinto-me profundamente aliviado por o Ernie não acreditar na história do abalroamento ao Stroll.

ernie
Membro
Aquele aileron assimétrico ou com planos descentrados? Acho que tenho uma ideia disso, mas tinha ideia que teria sido em 80 ou 81 ainda no 312T5 de má memória. Enfim também não é preciso ir confirmar. Quanto a acreditar ou não, eu acho que as pessoas acreditam muitas vezes no que querem, e eu não quero acreditar nisso para mais num desporto onde de facto se devem evitar suspeitas desnecessárias, para mais, que se houvesse uma diferença de peso seria pouco significativa, provavelmente umas gramas de combustível a menos (não estamos seguramente a falar de 3 litros a menos que… Ler mais »
kkk
Membro

O T5 tinha um curtíssimo aileron frontal comparado com o T4 e era um desastre comparado com o seu antecessor bem vitorioso!

ernie
Membro
Sim, creio que o T5 era supostamente uma “evolução” do T4, mas mais longo entre eixos (espaçador entre o motor e a caixa), para tentar aproveitar um pouco mais de efeito de solo que era prejudicado pela largura do boxer12. O pequeno aileron dianteiro era reflexo de uma tendência que acabou por levar à “amputação” daquele apêndice pela maior parte dos carros (antecipado por Colin Chapman em 79 com o revolucionário Lotus 80). Creio que o problema do T5 era precisamente a largura do motor e torções causadas pelo tal alongamento do chassis. O T4/T5, foi o último conceito revolucionário… Ler mais »
*RPMS*
Membro

Muitíssimo bem escrito forista ernie!
Cumprimentos

ernie
Membro

Obrigado! Tenho os meus momentos de inspiração. Eheh!

josemj
Membro

Penso que faltou uma citação ao belga J.Ickx, um piloto que sempre se destacava na chuva e assim como Senna em Estoril, conseguiu sua primeira vitória na F1, num dia de muita chuva em Rouen (FRA)1968.

rodríguezbrm
Membro

Como o Boutsen que acima refiro, conseguiu a sua 1ª e 2ª vitória ( Canadá e Austrália), das 3 do seu palmarés, à chuva,
mas como era um piloto que não se destacava noutras condições, ficou esquecido.

kkk
Membro

Acrescento Gilles Villeneuve e M. Schumacher…

últimas FÓRMULA 1
últimas Autosport
AutoSport https://www.autosport.pt/wp-content/themes/maxmag/images/motosport.png