Em Zandvoort, o Grande Prémio dos Países Baixos transformou-se num verdadeiro filme de ação e alta velocidade: marcado pelo violento acidente de Max Verstappen logo na abertura, o evento desenrolou-se entre uma complexa teia de estratégias nas boxes e culminou numa ultrapassagem magistral de Lando Norris (McLaren) a Kimi Antonelli (Mercedes) para carimbar isolado a sua segunda vitória consecutiva na Fórmula 1, enquanto a Mercedes e a Ferrari travavam depois uma batalha feroz pelos restantes lugares do pódio.
Depois de uma Sprint muito morna, grande corrida principal com Lando Norris (McLaren) obteve a sua segunda vitória consecutiva. Segundo lugar para Kimi Antonelli (Mercedes) que com isso ganha mais três pontos na sua luta pelo Mundial de Pilotos, já que no lugar mais baixo do pódio terminou o segundo Mercedes, o de George Russell, que susteve bem os ataques de Lewis Hamilton (Ferrari) para terminar no pódio, com os dois Ferrari a terminarem em quarto e quinto, Charles Leclerc depois de Hamilton, numa corrida marcada pelo madrugador acidente de Max Verstappen, logo no final da primeira volta que levou a um longa interrupção.
Com as várias estratégias de pneus, assistiu-se por isso a uma bela corrida, com muita indecisão quanto ao vencedor a caminho do derradeiro terço da corrida, e quando este se definiu, atrás de si a luta foi sem quartel.
Como curiosidade, Fernando Alonso (Aston Martin) pontuou pela segunda vez esta época, desta feita com um nono lugar.
Filme da corrida
Quando os semáforos se apagaram para o primeiro arranque, Lando Norris arrancou com hesitação a partir da pole position, e perdeu a liderança para Kimi Antonelli, mas o verdadeiro drama estalou no fundo do pelotão.
Na abordagem à mítica curva final inclinada, o Red Bull de Max Verstappen pisou a linha branca húmida. Em fração de segundo, o eixo traseiro escapou ao controlo, projetando o monolugar do herói local contra o muro de betão num impacto brutal. No rasto de fumo e destroços, Gabriel Bortoleto rodou num pião cego de 360 graus, enquanto Nico Hülkenberg desviava o seu Audi por milímetros. O silêncio caiu sobre o circuito até vir a confirmação de que Verstappen saíra ileso, marchando a pé para as boxes sob a bandeira vermelha que paralisou a corrida.
Com a pista limpa e o azar de Oliver Bearman — travado por uma avaria elétrica antes da segunda partida —, o espetáculo recomeçou com um relançamento em grelha. Quando as luzes se voltaram a apagar, Norris tentou fechar a trajetória, apontando o seu McLaren ao Mercedes, mas Kimi Antonelli manteve o seu carro na frente. Mergulhando com agressividade pelo interior da primeira curva, o piloto da Mercedes forçou o britânico a ceder e manteve o comando da prova. Atrás deles, Oscar Piastri surpreendia George Russell para subir a terceiro, enquanto Charles Leclerc atacava sem tréguas para recuperar terreno.
A partir daí, Zandvoort converteu-se num tabuleiro de xadrez disputado a mais de 300 km/h. Enquanto Antonelli imprimia um ritmo diabólico na frente gerindo os pneus médios, as boxes transformavam-se no centro de todas as decisões. A paragem lenta de Piastri custou-lhe a posição para Russell, enquanto Lewis Hamilton arriscava um stint longo para liderar temporariamente a corrida.
Conforme as condições da pista mudaram, Leclerc proporcionou momentos de pura arte sobre o asfalto, ultrapassando Piastri e travando duelos de encantar com Russell. Mais atrás, Fernando Alonso extraía todo o sumo do seu Aston Martin para defender o nono lugar contra as investidas de Pierre Gasly e Yuki Tsunoda.
A aproximação ao terço final trouxe o momento de maior tensão dramática. Lando Norris, ostentando um conjunto de pneus duros mais recentes, caçou impiedosamente a traseira do Mercedes de Antonelli. O jovem italiano reportava a perda total de aderência no eixo traseiro, vendo o McLaren MCL40 crescer gigantesco nos seus espelhos retrovisores. Ao chegar à Curva 1, Norris desferiu o golpe de mestre: numa travagem no limite da física, colocou o seu carro por dentro de Antonelli e assumiu a liderança da corrida.
O drama, contudo, recusava-se a abandonar as dunas de Zandvoort. Um abandono de Esteban Ocon provocou a entrada do Virtual Safety Car, levando a Mercedes a arriscar tudo ao chamar Antonelli às boxes para montar pneus macios na perseguição final. Com as ordens de equipa a fazerem Russell ceder o segundo posto ao colega italiano, os holofotes viraram-se para a batalha pelo último lugar do pódio. Antonelli não conseguia aproximar-se do distante Lando Norris enquanto Lewis Hamilton se colou à traseira do W17 de Russell, até que um novo VSC, provocado por um toque entre os monolugares da Williams, congelou a pista a duas voltas do fim, guardando o clímax para o derradeiro giro, com Russell a respirar fundo pois passou a ter que se defender somente mais uma vez no ponto mais crítico da pista, para si, a primeira curva. Hamilton ainda se mostrou, Leclerc aproveitou para se juntar à festa ec assustar Hamilton, mas as posições ficaram como estavam, dois Mercedes no pódio atrás de Lando Norris, que lá na frente, isolado e em estado de graça, cruzou a linha de meta para selar uma vitória memorável, subindo ao nariz do seu McLaren sob uma tempestade de aplausos no encerramento do GP dos Países Baixos.









