Na Fórmula 1, o início duma nova época é marcado por sessões intermináveis de testes de preparação, que deixam antever qual irá ser a correlação de forças. No início do defeso, a Ferrari começou por dominar, ao registar sistematicamente os melhores tempos, mas a pouco e pouco a McLaren foi crescendo, e praticamente a meio do campeonato, domina a competição de uma forma clara.
Para a generalidade dos observadores, as razões que levaram a esta situação prendem-se essencialmente com os pneus, mas a verdade é que os problemas são mais profundos. Saiba o que pensa Luís Vasconcelos:
«Sabia-se desde o inicio da temporada que a McLaren tinha maior potencial para desenvolver que a Ferrari, que mais não fosse porque tinha mais a aprender acerca dos Bridgestone que os italianos. A falha mecânica do túnel de vento de Maranello, que custou três semanas de trabalho a John Illey e seus pares, agravou o problema e a incapacidade para fazer trabalhar a mistura mais macia da Bridgestone – utilizada em Mónaco e Montreal – piorou as coisas ainda mais para a Scuderia.»
«Os problemas internos por que passa a Ferrari também não estão a ajudar, ao mesmo tempo que a falta dum líder na pista – Raikkonen não tem essa qualidade e a Massa ainda falta carisma – coloca a Scuderia em desvantagem face à McLaren. A presença de Schumacher em três Grande Prémios só ajudou na definição das estratégias para a qualificação e a corrida, pois a sua experiência permite-lhe antecipar muitas situações, mas sem nunca ter testado o F2007 ou rodado com os actuais pneus, o alemão nunca poderá intervir em questões técnicas ou de acerto do chassis. E se a sua presença parece dar mais segurança a Massa, também parece ter uma influência menos positiva em Raikkonen, pelo que ainda está por decidir se é uma vantagem ou uma desvantagem para a Ferrari.»







