Stefano Domenicali: Uma nova era também nos calendários da F1?
Quando Stefano Domenicali entrou para a F1, as primeiras declarações do italiano trouxeram alguma esperança. Chase Carey tinha feito um bom trabalho mas a entrada de um homem que realmente entende a F1 sossegou os fãs por algum tempo, sabendo que as linhas mestras do desporto seriam respeitadas. Com um ano à frente da F1, o balanço continua a ser positivo ( o trabalho já estava feito de trás), a gestão da competição durante a pandemia foi bem executada e o Grande Circo não parou.
Mas agora Domenicali começa a dar sinais de que pretende trilhar o caminho visto por Carey, especialmente no que toda ao número de corridas. Numa entrevista recente à Sky, o italiano revelou que há “potencial para ir a 24” corridas no futuro. “Eu diria que há potencial para ir a 30”.
Relembramos primeiramente o que disse Domenicali não há muito tempo quando afirmou que “Vinte e três corridas é um número muito importante de corridas, sem dúvida”, disse ele à Sky Sports. “Em termos de quantidade, em termos de atenção, em termos de dedicação das pessoas. Pode haver duas posições a esse respeito”, continuou ele, “alguns podem dizer que há demasiadas, outros que isso não é um problema. Eu diria que esta equação se resolverá por si mesma pelo facto de que se formos capazes de oferecer um produto incrível, poderemos chegar a uma situação em que talvez possamos voltar a um número menor de corridas e depois talvez seja possível uma rotação para certos Grands Prix, mantendo o foco em áreas diferentes. Isto é algo que está no nosso plano, pensar cuidadosamente este ano, preparando-nos para quando o mundo estiver de novo normal”.
Em abril de 2021 o discurso era este:
“Pode-se olhar de duas perspetivas. Se o Campeonato do Mundo for emocionante, podem ser 24 corridas. Se for decidido cedo, será difícil. Penso que mais de 23 corridas é muito improvável, mesmo que seja possível na prática. Há um tremendo interesse em realizar um Grande Prémio neste momento. No futuro, teremos de pensar cuidadosamente sobre quais os países que são importantes para a nossa estratégia, quais as vias adequadas em cada país e quanto dinheiro de entrada podemos exigir dos organizadores. Este dinheiro não é um fator de custo, mas sim um investimento para o país, a região, a indústria à sua volta. Se fizermos tudo certo, um dia, menos corridas serão possíveis de novo”.
Não podemos esquecer que agora temos corridas Sprint, e que a vontade é que sejam feitas 6 por ano, o que motivou mudanças na forma como os fins de semana são organizados (começando agora à sexta, dando mais um dia para as equipas montarem as boxes com calma) o que já é uma mudança na forma como o calendário é pensado. Mas não vamos chegar às 30 corridas por ano como uma leitura mais superficial poderia indicar. No entanto, fica claro que a ideia de Domenicali mudou e que se antes o número de corridas era mais que suficiente e difícil de aumentar, agora parece que há mesmo vontade de aumentar o número.
É preciso também entender como a frase de Domenicali é dita. “Eu diria que há potencial para ir a 30”, ou seja, há trinta pistas interessadas em entrar no calendário da F1. Mas com “apenas” 24 corridas por ano possíveis, isso pode significar que o calendário poderá entrar numa espécie de rotatividade, em que num ano temos umas pistas, no outro, teremos outras pistas. E aqui, começa-se a entender alguns acordos de longa duração com alguns circuitos. Talvez estejamos a ver já os circuitos que vão ter lugar permanente no calendário (os que pagam mais) e outros circuitos que não possam pagar tanto, terão de se contentar em receber a F1 de dois em dois ano. Neste capítulo é preciso ter em conta os traçados que pagam mais, os traçados que pertencem a mercados que a F1 quer explorar e os circuitos que têm uma carga história na F1.
Resumindo, pensar que a F1 vai chegar às 30 corridas é absurdo e todas as equipas seriam prontamente contra a ideia. Mas podemos já começar a ver que a vontade é de ocupar a última vaga das 24 corridas por ano que o novo Pacto de Concórdia permite. Numa altura em que se fala em corte de despesas aumentar os custos de transporte e viagens parece pouco lógico, mas se o dinheiro que cada contrato implica pode falar mais forte. E até pode ser esta a moeda de troca para aumentar um pouco o limite orçamental, como algumas equipas já pediram.
No entanto, com 30 promotores dispostos a pagarem para receber a F1, é preciso encontrar aqui uma solução que agrade a toda a gente e podemos estar perante o começo de uma nova era nos calendários da F1, com provas rotativas. A ideia não é má pois permite termos variedade de pistas, permite que a F1 visite mais locais e por conseguinte se aproxime de mais fãs. Mas ficamos já com a suspeita que as pistas que podem deixar de ser permanentes são aquelas que queríamos manter como tal. As pistas históricas. Veremos o que o futuro nos traz, mas não há fumo sem fogo e a F1 pode mudar também na forma como organiza os calendários e as declarações de que algumas pistas históricas podem perder o seu lugar podem ser um aviso de que podemos deixar de ver esses traçados a tempo inteiro (retirar completamente do calendário não cairia bem na base de fãs da F1). Navegando uma onda de popularidade como há muito não víamos, a F1 vai aproveitar tudo para pode recuperar das perdas que a pandemia trouxe.
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jo baue
24 Março, 2022 at 14:42
O.T., talvez : Caso esteja dentro da sua competência, o Domenicali que obrigue a régie internacional da TV a respeitar os adeptos : o que aconteceu no sábado, especialmente na Q3, em que não mostravam o Ferrari que estava a lutar pela pole, em detrimento da marca que não passou do 5º lugar, a ser repetido agora será (mais) uma vergonha. A MB tem ( e usa) um poder político e económico sem par, mas a Ferrari nem que seja pelo seu número de adeptos em todo o mundo não merece ser destratada desta forma , e já é repetitivo. Já para não falar que é uma marca especial. Até os seus pilotos ainda dentro do carro gritam a plenos pulmões “Forza Ferrari ! Alguém já ouviu algum outro a gritar “Go Mercedes ! ” ou “Go Red Bull ! ” ? …