Sondagem da semana – Quem é o melhor chefe de equipa de sempre? – Resultados

Por a 20 Fevereiro 2021 16:11

A F1 é um mundo diferente. Um desporto de equipa, que depende de um indivíduo para ter sucesso. Apesar desse indivíduo fazer a diferença ao volante, a estrutura que o apoia é tão importante quanto o seu talento e velocidade. As equipas de F1 evoluíram muito ao longo dos anos e tornaram-se em orquestras bem afinadas (na maioria das vezes) em que cada “instrumento” toca uma parte predeterminada da sinfonia. Mas para que tudo funcione de forma correta, é preciso que haja um grande maestro… o chefe de equipa.

Com a responsabilidade de supervisionar a parte técnica, desportiva e humana da equipa, o chefe de equipa é o farol que guia os homens e mulheres de cada estrutura. É ele a cara da equipa, a voz é ele que toma as decisões difíceis, que tem de gerir egos, batalhas internas e expectativas. São por isso uma parte fundamental da engrenagem e sem eles o sucesso torna-se uma miragem.

Nesta posição de grande responsabilidade já tivemos grandes homens e mulheres à frente das equipas da F1. O que queremos saber esta semana é qual o maior chefe de equipa da F1. Iremos fazer a primeira filtragem e escolher dez nomes que nos parecem os mais indicados para estar nesta lista. Como critério iremos usar chefes de equipa com maior percentagem de sucesso que ganharam mais de vinte corridas. 

A votação foi equilibrada e dos dez nomes propostos, o nome mais votado foi o de Jean Todt (23.6%), seguido de Ron Dennis (21.2%) e Toto Wolff (19.4%). Frank Williams (14.7%), Colin Chapman (12.2%), Flavio Briatore (4.3%), Ken Tyrrell (2.2%), Christian Horner (1.8%) e Teddy Mayer (0.5%) foram os restantes, sendo que Marco Piccinini não recebeu qualquer voto.

Jean Todt foi o homem à frente da operação Ferrari, que tornou a Scuderia a melhor equipa no começo do novo milénio. O sucesso de Michael Schumacher e da equipa italiana deveu-se em grande parte ao trabalho de Todt, que viu a sua equipa vencer 98 vezes, conquistando sete títulos de construtores e seis de pilotos.

Ron Dennis foi o chefe de equipa e patrão da McLaren, responsável por reerguer a equipa e de a transformar numa das maiores equipas da F1. Com 138 GP vencidos, sete títulos por equipa e 10 como construtor, Dennis deixou uma marca indelével no desporto.

Toto Wolff é o mais novo desta lista, mas é também um dos mais bem sucedidos com 102 vitórias, sete títulos de construtores e outros tantos de pilotos. Wolff ajudou a criar aquela que é considerada a equipa mais dominante de sempre da F1.

Das várias curiosidades que podemos retirar desta votação, vemos que Frank Williams apesar de ser uma escolha popular, apenas ficou em quarto, atrás de Wolff, que Chapman, depois de tantos anos continua a ser visto como um dos melhores de sempre, pela sua visão e arrojo na busca de soluções técnicas novas, e que Flavio Briatore, apesar de toda a polémica que o envolve, fica à frente de Ken Tyrrell e Christian Horner, que apesar de ser o chefe de uma das melhores equipas da atualidade, que dominou o desporto de 2010 a 2013, teve uma votação residual.

Vox Pop

Cágado1 

Há vários nomes notáveis na lista, todos eles merecedores do maior respeito. Cada um de nós dará mais relevância a uns aspectos, em detrimento de outros e daí vem a escolha. A minha é Ron Dennis. O que me faz dizê-lo são várias coisas: apanhou a McLaren num ponto baixíssimo e em pouquíssimo tempo pô-la a ganhar, tendo sido sempre uma grande força ao longo de 3 décadas, com regulamentos e parceiros de motores distintos. O Frank Williams se calhar não fez muito diferente e teve ainda o mérito da sua enorme persistência, só não lhe dou a palma, porque todo o seu sucesso foi com dividido com o Patrick Head. O Colin Chapman foi brilhante, em engenharia e iniciativa comercial, mas a sua carreira foi aos saltos e, segundo consta, era um péssimo gestor, que deixou a Lotus quase falida. O Jean Todt construiu uma Ferrari absolutamente dominadora, mas levou mais tempo e com mais meios que o Dennis para o conseguir, tendo tb durado menos. O Ken Tyrrell era um modesto garagista, que fazia bem o seu trabalho, mas acho que aí foi mais o caso de um piloto (Stewart) fazer o sucesso de uma equipa que o inverso. Sobre o Toto Wolff, creio que ainda não temos o distanciamento histórico necessário para o avaliar isentamente. Outros abstenho-me de comentar, ou por menor conhecimento, ou porque já houveram comentários melhores do que eu poderia fazer… e 1 porque não quero dizer palavrões.

Todos eles merecedores do seu lugar na história.

Pity 2

O melhor de sempre? Difícil, muito difícil. Dos nomes propostos, retiro Marco Piccinini e Teddy Mayer, pois desconheço o seu percurso. Também retiro Briatore, pelo Singapuragate. Dos outros… todos tiveram os seus altos e baixos, excepto Toto Wolff, que ainda não tem “baixos”. Apesar de tudo, voto no Colin Chapman.

joaolima

Nesta lista, há 3+1 que merecem essa distinção. O +1 é Toto Wolff, pela máquina quase perfeita que criou na Mercedes. Só está como extra porque falta aferir como reagirá em momentos de quebra, algo que ainda não sucedeu na sua equipa.

Poderia ser Frank Williams pela forma como transformou uma equipa de fundo de tabela numa máquina dominante, por toda a visão a nível de marketing que permitiu à equipa dar um salto de gigante.

Poderia ser Colin Chapman, e seria caso a escolha fosse para o mais criativo e inovador chefe de equipa.

A minha escolha acabou por recair em Ron Dennis pela forma como transformou a McLaren, que após os títulos de 1974 e 1976 estava em nítida e profunda quebra, naquela máquina dominante que entre 1984 e 1999 conquistou 9 títulos de pilotos e 7 de construtores, elevando a fasquia de profissionalismo numa equipa a patamares inexistentes na época.

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10 comentários

  1. 831AB0

    20 Fevereiro, 2021 at 16:41

    Não votei porque não me pareceu sensato – a mim, que não passo de um espectador sem conhecimento do que se passa dentro das equipas – eleger uma pessoa em particular como o melhor chefe de equipa de sempre. Ninguém ganha sozinho. Ron Dennis teria tido o sucesso que teve sem John Barnard? Ou Jean Todt sem Ross Brawn, Rory Byrne e Michael Schumacher? Não gosto de cultos de personalidade nem de fazer juízos absolutos sem ter conhecimento para tanto.
    Apesar de tudo o que disse, fico perturbado por ver que Marco Piccinini, director desportivo da Ferrari quando Nilki Lauda e Jody Scheckter foram campeões, não recebeu nenhum voto. Isto é muito revelador sobre o estado da F1 actual e sobre os seus espectadores.

    • Cágado1

      20 Fevereiro, 2021 at 18:18

      Tb não gosto de cultos da personalidade, mas há papéis de líderes que foram incontestáveis, é observar o efeito que a chegada de um homem fez em certos casos numas estrutura e vê-se que há quem faça com a sua liderança a diferença. É claro que é preciso todos, mas parte do papel do líder é saber rodear-se de gente competente e motivada – o Barnard não tinha ainda especiais créditos quando o Dennis o foi buscar, por exemplo, foi o seu apoio e as condições que criou que o ajudou a desenvolver-se, é preciso muita fé e apoio para apostar tudo num material para os chassis completamente diferente, sem tradições sequer noutras indústria, como tinha antes o ‘honeycomb’.
      Alturas há na vida em que o líder é essencial, como foi um Júlio César, um Churchill… há quem na tenha esse dom. O mesmo é verdade em todas as áreas.
      Como disse, o meu juízo e creio que da maioria, não é absoluto, é uma opinião com base em critérios pessoais que variam entre cada um de nós.
      Já agora, é tb fácil de ver que a opinião não é só dos actuais espectadores, pela minha parte sigo a F1 só há 53 anos.
      Quanto ao Piccinini, que eu me lembre, o director desportivo da Ferrari, que a fez regressar aos triunfos em 1974 e responsável pelos campeonatos de 75 a 77 foi o Luca Montezemolo. Estranhei a referência ao Piccinini, que só assumiu a liderança, quando o turn-around estava feito. (Mas a minha memória pode não estar 100% certa.)

      • 831AB0

        20 Fevereiro, 2021 at 18:54

        Dois pequenos reparos:

        • «o Barnard não tinha ainda especiais créditos quando o Dennis o foi buscar»..Não é verdade. Já tinha a seu crédito o Chaparral da Indycar, embora aceite que era desconhecido na F1.
        • Luca di Montezemolo era o director da Scuderia, com funções executivas. Piccinini era o director desportivo.
      • ...

        20 Fevereiro, 2021 at 22:53

        Montezemolo foi director desportivo em 74 e 75 sendo substituido em 76 por Daniele Audetto (o tal que contactou Fittipaldi e Peterson logo após o acidente de Lauda no Nurburgring). Em 77 são Ghedini e Nosetto. Piccinini assume o lugar de director desportivo em1978 lugar que manteve até 1988 sendo substituído no ano seguinte por Fiorio.

  2. Pity

    20 Fevereiro, 2021 at 16:51

    “Pity 2”???? Quem é que inventou essa? Já sei… como fui a 2ª a ser citada, logo a seguir ao “cágado1”, levei com o “2”. E o joaolima teve sorte em não levar com o “3”.

  3. Não me chateies

    21 Fevereiro, 2021 at 11:35

    Eu optei por não votar porque estão a misturar alhos com bugalhos. Não é a mesma coisa ser chefe de equipa de uma multinacional multimilionária e ser um verdadeiro garagista que ganhou muitos títulos a partir do nada.

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