OPINIÃO: Escrever direito por linhas tortas
Max Verstappen é Campeão do Mundo de F1, Lewis Hamilton um digno vencido, pois perdeu da mesma exata forma que venceu o seu primeiro título em 2008, na última volta, mas com uma grande diferença. Desta feita houve uma enorme ‘mão’ do árbitro, que não ensombrando o piloto campeão, ensombra a própria FIA.
O protesto foi negado à Mercedes, mas o ‘acórdão’ é periclitante. Por isso mesmo é que na sociedade civil há tribunais de primeira instância, Relação e ainda Supremo.
Ponto prévio. Mesmo que a Mercedes ganhe o recurso que deve fazer, o título regressar a Lewis Hamilton nunca ‘saberia’ o mesmo. Deve a Mercedes olhar para isso com mais distanciamento e decidir: “Vamos colocar uma pedra nisto e volta para o ano à luta”? Talvez. Mão se o fazem ou não é lá com eles.
Do nosso ponto de vista, este campeonato está terminado e foi o melhor que podia ter sido, exceção feita ao árbitro nos últimos minutos do último jogo desta longa época.
Se a Mercedes apelar da sentença, qualquer jurista ‘mal amanhado’ percebe que há ali conclusões de ‘redação duvidosa’, o que também não implica que o Tribunal de Apelo não as confirme. O que não falta na história da justiça são presos que estão inocentes…
A Mercedes alegou duas faltas, a primeira já sabíamos que não iria demorar muito tempo a decidir, era mesmo ‘pedir’ muito. A segunda, já temos mais dúvidas.
Na explicação da razão pela qual o protesto foi indeferido, os Comissários incluíram estas provas de Michael Masi: “O objectivo do Artigo 48.12 era o de remover os carros que pudessem ‘interferir’ na luta entre os líderes.
“O director da prova também declarou que há muito que todas as equipas tinham acordado que, sempre que possível, era altamente desejável que a prova terminasse numa condição de bandeira verde (ou seja, não sob um Safety Car)”. E isso foi conseguido. Houve luta direta.
Contudo, os Comissários destacaram outro artigo (Artigo 15.3) que permite ao diretor de corrida “controlar a utilização do Safety Car”. Resumindo: Michael Masi pode ‘saltar’ qualquer regra específica.
E o que aconteceu foi que o Artigo 48.12 não foi “aplicado na íntegra em relação ao Safety Car regressar às boxes no final da volta seguinte” (se isto sucedesse só o faria no final da volta 58, ou seja a última volta, não permitindo que houvesse ‘luta’.) porque o Artigo 48.13 “anula isso”.
Basicamente o que os Comissários dizem é que aplicaram “o Artigo 48.13” não cumprindo o “Artigo 48.12”.
Facilitando o entendimento: Michael Masi decidiu unilateralmente que uma regra não precisa de ser seguida, porque apressar a aplicação do processo delineado noutra regra era a única forma de alcançar o objectivo final, o de haver corrida até final. Depois, os Comissários não explicam porque o Artigo 48.13 ‘anula’ o Artigo 48.12. Simplesmente disseram que é assim. Portanto é dúbio. E a Mercedes pode seguir este caminho. Quem olha para isto sem olhos enviesados percebe que foi bom haver luta pelo título, o campeão tem mérito e não tem culpa nenhuma do que aconteceu, mas o árbitro poderá ter cometido um erro técnico.
Quem se deve estar a rir e a contar os potenciais ganhos são os Senhores da Netflix. O melhor argumentista de Hollywood não faria melhor.
Começámos a semana a dizer que não desejávamos nuvens negras nesta decisão, que tudo deveria ser ‘limpinho, limpinho’, para não ficarem nuvens negras sobre a questão. Íamos lá imaginar que uma coisa destas iria suceder.
O Autosport já não existe em versão papel, apenas na versão online.
E por essa razão, não é mais possível o Autosport continuar a disponibilizar todos os seus artigos gratuitamente.
Para que os leitores possam contribuir para a existência e evolução da qualidade do seu site preferido, criámos o Clube Autosport com inúmeras vantagens e descontos que permitirá a cada membro aceder a todos os artigos do site Autosport e ainda recuperar (varias vezes) o custo de ser membro.
Os membros do Clube Autosport receberão um cartão de membro com validade de 1 ano, que apresentarão junto das empresas parceiras como identificação.
Lista de Vantagens:
-Acesso a todos os conteúdos no site Autosport sem ter que ver a publicidade
-Desconto nos combustíveis Repsol
-Acesso a seguros especialmente desenvolvidos pela Vitorinos seguros a preços imbatíveis
-Descontos em oficinas, lojas e serviços auto
-Acesso exclusivo a eventos especialmente organizados para membros
Saiba mais AQUI





O Verstappen comeu o Hamilton de cebolada
13 Dezembro, 2021 at 8:21
A partir do momento em que existe um artigo (aprovado pelas equipas) que permite ao director da prova controlar as regras do safety-car de forma legal e regulamentada, permitindo-lhe “saltar” outros artigos, então não há dúvida que qualquer recurso é apenas uma perda de tempo.
São estas as regras, e o director tem este poder de forma legal e regulamentada.
Se alguma equipa não concorda com as regras actuais, mudem-nas para 2022, simples! Mas o que já está, já está…
Cumprimentos
inoferreira
13 Dezembro, 2021 at 8:41
Onde viu esse acordo??? Atenção que não estou a dizer que assim não seja, pois aquilo que é dito no acórdão da FIA é que todos concordaram que sempre que possível a corrida deve ser recomeçada e não acabar atrás do safty car, mas daí até se atropelarem as regras vai uma grande distância!!!!
Mpabe Lyan
13 Dezembro, 2021 at 19:55
Tem que existir razoabilidade nessa aplicação, se é que foi instruído nessa matéria. Por exemplo aquilo que aconteceu em Spa não foi nada razoável e teve muita influência no final.
[email protected]
13 Dezembro, 2021 at 9:05
Pois. (não sendo fã da F1 mas “simpatizante” do Hamilton) Uma coisa tenho a certeza: não estaria eufórico ser campeão de mundo nestas circunstâncias.
Lagafe
13 Dezembro, 2021 at 13:37
Exacto. Penso igual. Podem dizer que as regras não foram cumpridas à risca mas no final o queremos é corridas e não processos judiciais.
Mpabe Lyan
13 Dezembro, 2021 at 20:01
Os protestos e apelos fazem parte das regras desportivas, aliás a parte adversa é muito célere nessa utilização.
FormulaTwo+1
13 Dezembro, 2021 at 10:44
Qual artigo? Os artigos (do regulamento) não são redigidos ou aprovados pelas equipas.
[email protected]
13 Dezembro, 2021 at 8:50
Podia ir ao dicionário ou ao Google… mas já agora, alguém aqui sabe, exactamente, o que quer dizer “periclitante”?
inoferreira
13 Dezembro, 2021 at 9:02
Não se chateie eu vou ao Google por você
pe·ri·cli·tan·te
(latim periclitans, -antis, particípio presente de periclitor, -ari, ensaiar, experimentar, pôr em perigo, arriscar)
adjectivo de dois géneros
Que corre perigo.
“periclitante”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2021, https://dicionario.priberam.org/periclitante [consultado em 13-12-2021].
Mas afinal onde está a dúvida????
[email protected]
13 Dezembro, 2021 at 9:09
Obrigadinho!
831AB0
13 Dezembro, 2021 at 10:04
Já que alguns comentaristas entraram numa de rigor, acrescentaria que «apelar» está errado. Qualquer «jurista mal amanhado» – e são cada vez mais, graças ao Bolonha – sabe que o nome é RECURSO. A forma como se impugna judicialmente a decisão de uma autoridade dotada de poderes coercivos é o recurso. «Apelo» vem da tradução literal de «appeal», que é como se designam os recursos na língua inglesa, mas estamos em Portugal, falamos português e aqui esta impugnação de decisões chama-se recurso.
Fazendo um trocadilho doloroso, gostaria de apelar ao autosport.pt que tivesse um pouco mais de rigor. Eu sei que daqui a pouco vem a Pity com um excerto de um dicionário em que «apelar» é sinónimo de «recorrer» (parece que no Brasil usam o «apelar»), mas eu ainda estou para conhecer um jurista que diga que vai «apelar» de uma sentença, ou que diga que vai interpor «apelação». E, tanto quanto sei, os Tribunais da Relação ainda não mudaram de nome, apesar da influência crescente do Google Translator…
FormulaTwo+1
13 Dezembro, 2021 at 10:22
“ Só é preciso uma volta de corrida” (comunicação entre Horner e Massi)… Façam o que fizerem, o resultado final terá sempre sobre ele a suspeição de ter tido a interferência deliberada de Massi e da Liberty. E seja qual for a decisão, será sempre má para qualquer dos pilotos, porque a(s) asneira(s) feita à frente de todos foi tao grande que não tem emenda possível! Por isso, no lugar da Mercedes marcaria uma posição mas retiraria o recurso. Mas mesmo marcando uma posição, penso que ninguém vai conseguir travar o inevitável: desde que a Liberty assumiu o negócio, a F1 está a transformar-se mais num espetáculo mediático, em detrimento de um desporto clássico. É o modelo de negócio da Liberty e da FIA. Como diz Norris, “foi para a televisão” (que foram tomadas as decisões de corrida)!… O resto tornou- se secundário. A F1 está americanizada e acabou tal como a conhecemos! As corridas são agora geridas numa lógica de negócio mediático ao bom estilo texano, e não demora muito vai estar para a F1 clássica como o wrestling está para o boxe… Business as usual!
831AB0
13 Dezembro, 2021 at 10:25
Quanto à questão do safety car, o que me pareceu ridículo foi deixar que alguns pilotos se desdobrassem e outros não. Além do absurdo de emitir uma proibição de os dobrados ultrapassarem o safety car numa volta, ainda houve este absurdo de só alguns serem autorizados a ultrapassar na volta seguinte. O Lando Norris diz, e com razão, que foi uma medida tomada «para a televisão», ou seja em nome do espectáculo. Lá que houve espectáculo, houve, mas houve verdade desportiva? O Hamilton tinha cerca de 11 segundos de vantagem quando o Nicholas Latifi teve o acidente. Em circunstâncias normais, a corrida e o título eram dele e a Red Bull, quando chamou o Verstappen à boxe, sabia que existia o risco de a corrida não ser retomada e que o Max ia ficar atrás de retardatários. Acredito que o Hamilton e a Mercedes sintam que não houve justiça neste final, e talvez o melhor, em face da ambiguidade da interpretação do regulamento, seja ser o tribunal de recurso a decidir. Mas, se for assim, o campeonato ficará manchado pela controvérsia. E, se o título for retirado ao Verstappen, será pior a emenda que o soneto.
O que a F1 tem de fazer é publicar um anúncio para recrutar um novo Director de Corrida. Este Masi não serve. Não tem pulso, interpreta as regras de acordo com raciocínios dúbios e as suas decisões, geralmente ambíguas, tardias e contraditórias, têm produzido absurdos como o GP da Bélgica deste ano, ou este final do campeonato. Tem de ir embora, sob pena de a F1 ficar minada pelo descrédito.
Ricardo
13 Dezembro, 2021 at 11:18
Uma regra que permite deturpar a verdade desportiva, está errada. Quem foi melhor em pista não pode ficar prejudicado por uma regra que beneficia quem não o conseguiu em pista. É absurdo que um toque de magia permita retirar da frente 5 retardatários que teriam de ser ultrapassados bem como não sei quantos segundos de atraso. Isto não é verdade desportiva. As regras do safety car beneficiam quem não teve o mérito de ser melhor em pista até aí, isso devia ser corrigido.
Mpabe Lyan
13 Dezembro, 2021 at 20:09
Sim porque neste particular, a banda dos cinco já não tinha uma volta de atraso, o #33 foi a box e foi ultrapassado assim como se o #44 tivesse ido a box teria sido ultrapassado pelo #33, caso este não o tivesse feito. Donde que, o máximo que se poderia exigir a banda dos cinco é que respeitassem as sucessivas bandeiras azuis após a saída do SC.
FormulaTwo+1
13 Dezembro, 2021 at 10:25
“ Só é preciso uma volta de corrida” (comunicação entre Horner e Massi)… Façam o que fizerem, o resultado final terá sempre sobre ele a suspeição de ter tido a interferência deliberada de Massi e da Liberty. E seja qual for a decisão, será sempre má para qualquer dos pilotos, porque a(s) asneira(s) feita à frente de todos foi tao grande que não tem emenda possível! Por isso, no lugar da Mercedes marcaria uma posição mas retiraria o recurso. Mas mesmo marcando uma posição, penso que ninguém vai conseguir travar o inevitável: desde que a Liberty assumiu o negócio, a F1 está a transformar-se mais num espetáculo mediático, em detrimento de um desporto clássico. É o modelo de negócio da Liberty e da FIA. Como diz Norris, “foi para a televisão” (que foram tomadas as decisões de corrida)!… O resto tornou- se secundário. A F1 está americanizada e acabou tal como a conhecemos! As corridas são agora geridas numa lógica de negócio mediático ao bom estilo texano, e não demora muito vão estar para a F1 clássica como o wrestling está para um bom boxe… Ou seja, um espetáculo de circo! Business as usual…
FormulaTwo+1
13 Dezembro, 2021 at 10:40
Desculpem o comentário repetido mas o servidor deixou de responder
[email protected]
13 Dezembro, 2021 at 10:58
Já me aconteceu também…
...
13 Dezembro, 2021 at 11:03
Tendo em conta o que se passou ao longo do ano ganhou quem mais mereceu! Fala-se nas “circunstâncias”, “injustiça”, “verdade desportiva”…pergunto, onde estavam quando no Bahrein LH excedeu os limites da pista durante meia corrida? Onde estavam quando em Silverstone LH colocou fora da pista MV e é penalizado em apenas 10 segundos? Houve “justiça”, “verdade desportiva” nesses dois casos? Onde em Silverstone houve a tão ultimamente falada “dedução de pontos”? Deixando de parte Bahrein e não falando nas “circunstâncias” do Hungaroring, em Silverstone e fazendo as contas por baixo MV teria conquistado 18 pontos. Podiam até ser 25… neste caso LH em vez de mais 25 teria ficado com menos 7. Num ou noutro cenário, a corrida de ontem teria sido “a feijões” ou quase…
[email protected]
13 Dezembro, 2021 at 11:09
Bem… Como fã de F1 e não de qualquer piloto em especial o final de temporada não poderia ter sido melhor. Se acho que foi justo desportivamente? Não. O Masi conseguiu arranjar uma bela caldeirada! Se queriam espetáculo paravam a corrida e aí sim teríamos 5 voltas de loucos. Isto foi muito mal gerido. E se viesse um dos pilotos retardatários que não se tenha desdobrado dizer que foi prejudicado e não pôde lutar por posição com o piloto que estava à sua frente porque ficaram em voltas diferentes quando antes do Safety car estavam juntinhos a lutar por posição? Está tudo a olhar para a questão do titulo, mas prejudicados também foram os que tinham voltas de atraso e ficaram atrás do Max. Acho bem que a Mercedes apele para marcar posição, mas também não me parece certo retirar o titulo ao Max na secretaria. A FIA que agrade a todos: retirem os pontos da vitória à RB e mantenham os do piloto. Ficam todos (des)contentes e nada muda nas classificações.
Um aparte. Acho o Max um piloto fantástico, mas não gosto do comportamento dele em pista. Espero que com este titulo acalme um pouco. Já tem aquilo que mais queria, agora que esfrie a cabeça.
Para o ano há mais!!!
[email protected]
13 Dezembro, 2021 at 11:53
Não tinha pensado nesta que acabei de ler noutro artigo aqui no AS. Porque não foi permitido ao Sainz lutar pela vitória?
Speedway
13 Dezembro, 2021 at 11:37
Depois de andar todo o ano a ser ajudado com decisões bondosas,,inclusivamente ontem ao ir em frente como um foguete a e ganhar vantagem indevida,que,isso sim podia ter decidido a corrida e o mundial, em mais uma decisão grave de 2 pesos e 2 medidas,a Mercedes não tem o mínimo direito moral de falar nada.
Feitas as contas o Hamilton foi muito mais favorecido ao longo do ano que o Vestappenn.
Desportivismo e saber perder…custa tanto! É nas derrotas que se vê a grandeza das pessoas e instituições. Não parece ser o caso.
Parabéns a quem ganhou e mérito a quem perdeu..
inoferreira
13 Dezembro, 2021 at 13:33
Não me parece que sejas tu que decide se a Mercedes tem ou não direito moral de falar!!!!! Ele a com cada uma…..apenas pergunto o que acharias tivesse sido ao contrário???? não é difícil de saber, defendirias exactamente o contrário do que defendes agora