GP do México F1: O filme da corrida
A 20ª jornada do mundial de F1 deu-nos Max Vestappen como vencedor da prova, tornando-se no piloto com mais vitórias numa temporada (14). Foi mais um dia “à la Red Bull”, com a equipa a dominar as operações, mesmo com a pressão da Mercedes, que tentou a sua primeira vitória este ano, sem sucesso. A Ferrari ficou longe dos primeiros lugar, num mau dia da Scuderia.
O filme da corrida
Com céu limpo, alguma ameaça de chuva, pouco vento, 24ºC de temperatura no ar e 45ºC de temperatura de pista, os 20 pilotos perfilam-se na grelha para a 20ª jornada da temporada 2022, com palco no Autódromo Hermanos Rodriguez, na Cidade do México.
Na primeira linha da grelha tínhamos Max Verstappen e George Russell, seguidos de Lewis Hamilton e Sergio Pérez na segunda linha, um quarteto que seria seguido de perto por Carlos Sainz e Valtteri Bottas na terceira linha e Charles Leclerc e Lando Norris. Max Verstappen era o grande favorito, mas os Mercedes apresentaram argumentos interessantes ao longo do fim de semana e poderiam tentar chegar à primeira vitória do ano. Os Ferrari vinham de uma qualificação com muitos problemas e sem certeza de que poderiam ser competitivos. Valtteri Bottas tentava intrometer-se na luta pelo melhor do segundo pelotão, com Lando Norris contra Fernando Alonso (9º) e Esteban Ocon (10º), com Daniel Ricciardo na 11ª posição.
Teríamos 71 voltas neste GP, com Verstappen a começar com pneus macios e os dois Mercedes com pneus médios. Pérez e Sainz usavam macios, Bottas optava por médios, Leclerc macios, enquanto Norris, Alonso, Ocon e Ricciardo começavam com médios. Muitas opções estratégicas diferentes no arranque da corrida onde, historicamente, o Safety Car seria um fator a ter em conta, numa festa que contou com mais de 395 mil espetadores ao longo do fim de semana, um novo recorde.
No arranque, Max Verstappen começou bem e manteve-se na primeira posição, seguido de Russell e Hamilton, mas na curva três, Hamilton passou para segundo lugar e Sergio Pérez para terceiro, com Russell a cair para o quarto posto. Valtteri Bottas caiu para oitavo e quem arrancou muito bem foi Alonso (mais um bom arranque). Lance Stroll (5), Sebastian Vettel (2), Yuki Tsunoda (2) e Fernando Alonso(2) foram os pilotos que mais posições ganharam.
Na primeira volta, Verstappen ganhou logo mais de um segundo a Hamilton, uma vantagem que se foi mantendo nas primeiras cinco voltas. Um pouco atrás, Bottas começava a pressionar Alonso, que já estava a 4 segundos de Leclerc. As distâncias no quarteto da frente mantinham-se e as lutas eram algo mornas nesta fase, sem grandes duelos. Na volta sete, Zhou Guanyu, em 12º, defendia-se de Daniel Ricciardo, com os Aston Martin por perto à espera das sobras. Ricciardo acabou por passar o chinês na volta 9. A desvantagem dos Ferrari é que se tornava clara, com Sainz e Leclerc a não conseguirem aproximar-se dos homens da frente, mesmo com pneus macios.
A luta entre Stroll e Gasly aqueceu e o francês passou para 15º, numa manobra pouco conseguida do piloto da Alpha Tauri, que motivou uma penalização de cinco segundos ao francês.
Na volta 18, Verstappen começou a forçar um pouco mais o andamento e abriu a vantagem para Hamilton, ficando agora a 2,3 segundos do piloto britânico. Os pneus macios estavam a revelar-se uma boa aposta nesta fase, aguentando-se mesmo depois de 20 voltas. Lance Stroll foi o primeiro a parar e a colocar os pneus macios.
Na volta 23, Verstappen queixava-se de falta de aderência e a paragem nas boxes não tardaria. Mas foi mesmo Sergio Pérez a entrar primeiro e colocar pneus médios, numa paragem muito lenta, que custou 5 seg. Pérez caiu para o sexto lugar. Verstappen começava a perder mais tempo e Hamilton aproximava-se e na volta 26, o #1 da Red Bull trocou de pneus (pneus médios). Verstappen regressou ao terceiro posto. Pérez passou Leclerc pela quinta posição na volta 27, com o monegasco a não oferecer resistência, numa tarde negativa da Ferrari. Verstappen queixava-se de problemas nas passagens de caixa e Hamilton tinha problemas de oscilação na unidade motriz.
Leclerc parou na volta 29, numa paragem bem executada, trocando para pneus médios, deixando os macios que não permitiram grandes recuperações. Na volta 30, Hamilton entrou nas boxes e calçou os pneus duros, o que mostrava que a Mercedes queria fazer apenas uma paragem. Sainz trocou também para pneus médios na volta 30, numa altura em que Russell liderava a corrida e dizia à equipa que os pneus ainda tinham vida. O piloto britânico pedia um último stint com pneus macios, pelo que teria de tentar esticar ainda mais este stint. Mais atrás, Pérez tentava atacar Hamilton, mas o britânico mantinha o terceiro lugar. Na volta 34, Russell entrou nas boxes e a equipa colocou-lhe pneus duros, caindo para quarto.
A meio da corrida, o top 10 era Verstappen, Hamilton, Pérez, Russell, Alonso, Bottas, Sainz, Leclerc, Ricciardo e Zhou.
Hamilton queixava-se que os pneus duros não eram tão performantes quanto os médios (o que se notava no cronómetro) e na volta 40 Sebastian Vettel entrou nas boxes para trocar de pneus macios para pneus médios. Alonso parou na volta 41 e colocou pneus duros, tal como Bottas tinha feito na volta anterior, com o espanhol a evitar o undercut do finlandês. Mas o início dos stints eram difíceis com os pneus duros a demorar muito a aquecer. Russell também se queixava dos pneus duros e a equipa afirmava que os pneus médios se iriam desgastar muito no final da corrida.
A dúvida instalava-se nesta fase com a Red Bull. Se os Bulls fizessem duas paragem a vantagem ia para a Mercedes, se a Red Bull quisesse fazer uma paragem apenas poderia ser difícil manter a vida dos médios até ao fim. A última opção revelou-se mais fácil do que o esperado.
Na volta 51, a luta entre Tsunoda e Ricciardo azedou e o japonês caiu na classificação depois de um toque no McLaren, que levantou o AlphaTauri do chão. Tsunoda foi obrigado a desistir e Ricciardo foi penalizado com dez segundos pela manobra. Nesta fase, Verstappen mantinha-se na frente, mas não conseguia afastar-se de Hamilton que estava a 10 segundos do neerlandês.
Na volta 56, Pérez aproximou-se de Hamilton e estava a pouco mais de um segundo, o que poderia desestabilizar a corrida do britânico (o que não aconteceu). As lutas no meio do pelotão começaram a animar mais nas últimas 15 voltas. Fernando Alonso estava irritado com mais um problema técnico no seu Alpine, caindo muito na tabela classificativa.
A dez voltas do fim, Verstappen estava a 13 segundos de Hamilton e Pérez já tinha perdido três segundos para Hamilton, com Russell a quatro segundos de Pérez. A Red Bull estava apostada em fazer apenas uma paragem, esticando os médios até ao fim.
O motor de Alonso entregou a alma ao criador na volta 63 e motivou um Virtual Safety Car, no quinto abandono do ano para o espanhol. Ninguém parou para trocar de pneus, o período de VSC foi curto e a corrida recomeçou logo depois.
Na frente nada se alterou. Mas Russell parou na última volta para tentar a volta mais rápida da corrida, uma paragem que não mudou em nada a posição de Russell, dada a distância para os Ferrari. Russell conseguiu ficar com a volta mais rápida, mas a vitória caiu para Verstappen que fez durar os pneus médios sem problemas.
Segundo lugar para Lewis Hamilton, que tentou tudo para desestabilizar a Red Bull, sem sucesso, talvez com uma escolha de pneus demasiado conservadora por parte da Mercedes. Sergio Pérez conseguiu mais um pódio frente ao seu público, desta vez com um sabor um pouco menos doce, tendo estado um pouco afastado do primeiro lugar. A tão desejada vitória nunca esteve ao seu alcance. Russell terminou em quarto e só poderá queixar-se de si, dado o arranque menos conseguido que fez cair do segundo posto.
A Ferrari não acrescentou nada à corrida, relembrando os tempos de 2021. Sem andamento para os homens da frente e sem concorrência, os Ferrari acumularam voltas de forma discreta. Daniel Ricciardo terminou em sétimo, numa boa corrida do australiano, acabando à frente de Esteban Ocon, Lando Norris e Valtteri Bottas. Ricciardo conseguiu cavar o fosso para Ocon e manter o sétimo lugar, mesmo com a penalização de dez segundos. Lando Norris caiu muito por altura da sua paragem e as primeiras voltas com os duros não foram boas, mas conseguiu recuperar e acabar nos pontos. Valtteri Bottas assegurou um ponto, numa corrida algo complicada do finlandês, que certamente esperava mais. Pierre Gasly voltou a ter problemas nos travões, mas um esforço final permitiu que acabasse em 11º, à frente de Alex Albon que voltou a rondar o top 10, sem conseguir o ponto. Mas olhando a performance do seu colega Nicholas Latifi (último classificado), fez um bom trabalho. Os Aston Martin ficaram em 14º (Vettel) e 15º (Stroll), seguidos dos dois Haas (Mick Schumacher à frente de Kevin Magnussen).

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