Chegamos a dizer que Max Verstappen estava mais maduro, que a faceta “Mad Max” já tinha desaparecido e que o neerlandês era agora um piloto com muito mais controlo emocional. Já não temos ilusões: Verstappen será sempre “Mad Max”. A quantidade será sempre inversamente proporcional ao sucesso imediato que consegue atingir.
O que Verstappen fez em Barcelona é grave. E não alinhamos muito na conversa que um tetracampeão do mundo deve ser um exemplo para os mais novos. Os grandes nomes do automobilismo tiveram atitudes questionáveis no seu tempo. Verstappen não tem o dever de ser o exemplo para as gerações mais jovens. Se o for, é um extra bem-vindo, nas não tem essa responsabilidade. Essa cabe aos educadores de cada jovem. Verstappen também não tem de ser a bandeira da F1. Representa-se a si próprio e é parte de um espetáculo. Se quiser ser um “bad boy” tem esse direito, pois trata-se da sua imagem. Ao desporto cabe apenas definir regras claras para evitar comportamentos desviantes. Mas o que se exige a um piloto com a experiência de Verstappen é que se controle melhor, que não perca pontos infantilmente. E Verstappen foi teve um comportamento infantil.
De quem a culpa? Principalmente da equipa, que criou uma situação desnecessária, num momento em que o piloto estava mais frágil. Afinal, a manobra que estava em causa quando Verstappen perdeu a estribeiras não iria ser sancionada pelos comissários. A equipa quis jogar pelo seguro e acabou por perder mais do que o esperado, pois Verstappen não soube controlar os seus ímpetos.
Mas Verstappen também tem culpa. Max será sempre “Mad Max”. Ainda bem para o desporto, que precisa de personagens com um caráter bem vincado, combustível para a paixão dos adeptos. Mas também por isso não se livra da crítica. O #1 da Red Bull deveria ter feito melhor em Espanha, numa época onde já fez vários pequenos milagres. Na verdade, a atitude não foi uma desilusão, pois, como George Russell disse, ninguém ficou verdadeiramente surpreendido. Mas o neerlandês merece esta “distinção” por ter colocado em risco a si e a um colega de profissão.
Foto: Philippe Nanchino /MPSA











