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GP Canadá 2011: a corrida mais longa da F1 e a irrepetível recuperação de Button

José Luis Abreu by José Luis Abreu
24 Maio, 2026
in AutoSport Histórico, F1, FÓRMULA 1, Newsletter, pv2
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Kamui Kobayashi (JAP), Sauber F1 Team.Rubens Barrichello (BRA), Williams F1 Team. Circuit Ile Notre Dame.


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Um Grande Prémio caótico, interrompido pela chuva, terminou com Vettel derrotado a meia volta do fim

Jenson Button (GB), Team McLaren. Circuit Ile Notre Dame.

O Grande Prémio do Canadá de 2011 ficou na história como a corrida mais longa de sempre da Fórmula 1 e como uma das mais invulgares da era moderna. Em Montreal, a prova começou atrás do Safety Car, voltou a ser neutralizada várias vezes, foi interrompida durante 1 hora e 56 minutos devido à intensidade da chuva e terminou com uma reviravolta improvável: Jenson Button venceu depois de Sebastian Vettel falhar a trajetória a pouco mais de meia volta da bandeira de xadrez. Pelo meio, houve seis períodos de Safety Car, incidentes entre pilotos de referência e uma recuperação de último para primeiro em 33 voltas.

Uma corrida moldada pela chuva
Desde o início, o contexto foi excecional. Houve dois arranques atrás do Safety Car, mais quatro intervenções adicionais — três por incidentes e uma por chuva intensa —, num cenário em que a água acumulada tornou impossível manter a corrida em condições normais. Nas curvas 2, 5 e 7, formaram-se autênticos lagos, obrigando ao recurso a bombas de água e maquinaria para limpar o asfalto.

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Vista à distância, a suspensão por quase duas horas explica bem a dimensão do temporal. Como foi relatado no local, “nunca se tinha visto tanta água junta numa só pista de Fórmula 1”, num traçado onde os monolugares, com o fundo muito próximo do solo, se tornam particularmente vulneráveis em condições extremas.

Button caiu ao último lugar e acabou por ganhar
A vitória de Button continua a destacar-se como o centro narrativo dessa tarde em Montreal. O britânico não só cumpriu uma recuperação rara, como o fez depois de uma corrida marcada por contratempos sucessivos: recebeu uma penalização por excesso de velocidade durante o primeiro período de Safety Car, fez quase uma volta inteira com um pneu furado e a frente partida após o toque com Fernando Alonso, e caiu ao último lugar.

No final, porém, foi ele quem encontrou o ritmo no piso ‘seco’. A equipa acertou na estratégia e nas trocas de pneus, e a última neutralização — motivada por peças caídas do Renault de Nick Heidfeld — permitiu-lhe recuperar 14 segundos a Vettel. “Acho que esta foi a melhor corrida da minha vida”, disse Button no fim, sublinhando o trabalho da McLaren e o comportamento do carro na fase decisiva.

Vettel dominou quase tudo, mas falhou no momento decisivo
Sebastian Vettel liderou confortavelmente quase toda a corrida e parecia encaminhado para uma vitória sem sobressaltos. Cada relançamento após Safety Car permitia-lhe ganhar entre um e dois segundos por volta ao perseguidor mais próximo, o que reforçou a perceção de controlo na fase final.

Mas esse domínio tinha um ponto frágil. Depois da neutralização no final da 60.ª volta, Vettel moderou o ritmo para poupar pneus, assumindo que a vantagem seria suficiente. Em quatro voltas ganhou 3,8 segundos a Schumacher, mas Button, depois de ultrapassar Webber e o alemão da Mercedes, aproximou-se com rapidez e retirou-lhe 1,5 segundos numa só volta. Sob pressão para manter uma margem que impedisse o uso do DRS, Vettel cometeu o erro que lhe custou o triunfo. “Errei, a culpa é só minha”, reconheceu, sem esconder a frustração por ter liderado praticamente desde o início e perdido tudo na última meia volta.

Mark Webber (AUS), Red Bull Racing. Lewis Hamilton (GB), Team McLaren.
Nico Rosberg (D), Mercedes GP.
Rain. Wet. Circuit Ile Notre Dame.

Hamilton, Webber e Alonso num dia de incidentes
A corrida ficou também marcada pelos confrontos entre vários protagonistas. Lewis Hamilton tocou em Mark Webber logo após o lançamento da prova, num episódio que atirou o australiano para a 14.ª posição. Mais tarde, ao tentar recuperar uma posição para Button, Hamilton envolveu-se com o companheiro de equipa e acertou no muro das boxes, num sinal claro de precipitação.

Button, por seu lado, também esteve no centro de dois incidentes relevantes: primeiro com Hamilton, quando defendia posição, e depois com Alonso, quando o atacava. Ainda assim, o desfecho desportivo acabaria por absolver o britânico no plano competitivo, até porque a fase final da corrida apagou boa parte desses episódios.

Webber recuperou e terminou no pódio, embora condicionado por uma troca antecipada para pneus intermédios que se revelou errada quando a chuva forte regressou. Sem KERS e com fraca velocidade de ponta, ainda assim salvou o terceiro lugar.

Vitaly Petrov (RUS), Renault. Rain. Wet. Circuit Ile Notre Dame.

Renault, Sauber e a resistência de Kobayashi
A Renault saiu de Montreal com o quinto lugar de Vitaly Petrov, depois de Nick Heidfeld ter sido eliminado na sequência de um toque com Kamui Kobayashi que lhe partiu a asa dianteira. A equipa de Enstone mostrou acerto estratégico superior ao da Ferrari ao não cair na tentação de montar intermédios quando tudo indicava o regresso da chuva intensa, mas não teve andamento para discutir posições com a Mercedes.

Kobayashi foi outro dos destaques do dia. Durante boa parte da corrida rodou em segundo lugar e conseguiu suster Felipe Massa, apesar da maior competitividade do Ferrari. A exibição reforçou a imagem de consistência do japonês, então já presença regular nos pontos.

Uma corrida que permaneceu singular
Mais de uma década depois, o GP do Canadá de 2011 mantém um lugar próprio na história da Fórmula 1. Não apenas por ter sido a corrida mais longa de sempre, mas porque condensou numa só tarde quase tudo o que pode tornar um Grande Prémio excecional: chuva extrema, múltiplas neutralizações, erros sob pressão, mudanças estratégicas e uma recuperação improvável convertida em vitória. No centro de tudo isso ficou Jenson Button, autor de uma das reviravoltas mais marcantes de que há memória.

Tags: GP Canadá F1 2011
José Luis Abreu

José Luis Abreu

Entre curvas e muito pó, descobri que o olhar treinado pela fotografia e a paixão pelos ralis só podiam levar a um destino: o jornalismo desportivo. E já lá vão mais de 30 anos…

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