Após uma temporada intensa que o levou a liderar o campeonato durante grande parte do ano, Oscar Piastri encerrou 2025 com mais um pódio e com a convicção de ter dado um passo decisivo na sua evolução como piloto de Fórmula 1. Na conferência pós-corrida, o australiano refletiu sobre o fim de semana, a época, a luta interna na McLaren e as lições que leva para o futuro.
Q: Oscar, muitos parabéns pelo 16.º pódio da temporada. Que balanço fazes da corrida e do fim de semana?
OP: Sinceramente, foi bastante bom. Não ficou nada por fazer. Tentámos apostar na estratégia para criar opções diferentes e esperar que tudo se alinhasse a nosso favor, mas isso não aconteceu. Tendo perdido uma sessão de treinos, demorou um pouco a ganhar ritmo. Acho que foi o máximo que podíamos alcançar hoje — não tínhamos resposta para o ritmo do Max. Por isso, estou satisfeito com o fim de semana. Não havia muito mais que pudéssemos fazer.
Q: E a temporada como um todo? Lideraste o campeonato durante mais tempo do que qualquer outro piloto.
OP: Gostaria de um final um pouco diferente, claro, mas aprendi imenso — como piloto e como pessoa. Se me apresentassem no início do ano uma época com pole positions, vitórias e pódios, ficaria muito satisfeito. Até nos momentos difíceis aprendi bastante e sei que isso me tornará mais forte no futuro. Há alguma desilusão, naturalmente, mas posso estar muito orgulhoso da época que fiz e das lições que levo comigo.
Q: O que tens a dizer sobre Lando Norris e o título que conquistou?
OP: É um vencedor muito merecido. Sei que todos os fins de semana a luta com ele é difícil. Temo-nos levado mutuamente ao limite nos últimos três anos, e este foi o mais renhido de todos. Teve uma grande época e merece o título.
Q: Apesar da desilusão de não alcançar o objetivo final, encaras esta época como um sucesso?
OP: Sem dúvida. Comparar carreiras é sempre difícil, mas posso estar muito orgulhoso do que fiz. Em relação aos meus primeiros dois anos na F1, esta temporada esteve a um nível muito superior. Mesmo que o resultado final não seja o desejado, sinto um enorme otimismo e força por ter provado a mim mesmo do que sou capaz. São aprendizagens que não dependem apenas dos resultados e que levo comigo para os próximos anos. É apenas a minha terceira época; espero ter muitas mais pela frente.
Q: Que lições foram mais importantes? Vieram de corridas como Austin ou México, ou vão além disso?
OP: Ambas. Aprendi muito sobre como conduzir melhor em diferentes condições e tornar-me um piloto mais completo. E também aprendi muito fora do carro — lidar com adversidade, com momentos difíceis, compreender melhor quem sou. São lições dentro e fora de pista que me ajudarão bastante no futuro.
Q: Faltam 91 dias para Melbourne. Como vais preparar o período de pausa?
OP: É bom ter outra pausa de verão. Vou regressar à Austrália para ver a família e amigos, fazer as minhas visitas anuais. Estou ansioso por algum tempo longe das corridas — foi uma época longa e exigente. Conduzir os carros mais rápidos do mundo é fantástico, mas uma pausa sabe sempre bem. Quero simplesmente não pensar em carros de corrida por uns tempos e aproveitar quem está à minha volta. Depois, claro, a nova época aproxima-se rápido, por isso é importante voltar fresco para os novos desafios.
Q: Vais conseguir ver algum jogo de críquete no inverno?
OP: Ah, sim, vou.
Q: Achaste que a vitória da Austrália no Ashes era um sinal de sorte antes da corrida?
OP: Foi bom que os rapazes tivessem fechado a série antes da corrida começar. Espero ir ver algum jogo — idealmente o Boxing Day, sendo em Melbourne. Uma parte de mim quer que a série ainda esteja viva nessa altura, outra não tanto… seja como for, têm sido semanas muito divertidas de acompanhar.
Q: Estiveste em várias lutas por títulos noutras categorias. Disputar um campeonato de F1 é comparável?
OP: Há semelhanças, sim. As emoções são parecidas. Mas na F1 o calendário é muito mais longo — o meu campeonato júnior mais extenso teve dez rondas; este teve duas vezes e meia isso. A duração torna tudo mais intenso. E os riscos também são diferentes: nas categorias inferiores queres provar que mereces chegar à F1; na F1 só há um objetivo — ser campeão. Mas, sim, há pontos em comum.
Q: A dinâmica interna com o Lando muda agora que ele é campeão? Será mais difícil lutar com ele?
OP: Não, não acho. Ele teve uma grande época e merece o título, mas continua a ser o Lando Norris — não se tornou no Superhomem. Espero total equidade por parte da equipa e não tenho qualquer preocupação quanto a isso. O Lando fez um grande trabalho este ano, mas a nossa relação competitiva mantém-se igual.
Q: A McLaren recebeu críticas pela gestão entre ti e o Lando, mas atravessaram o ano sem conflitos significativos e conquistaram o título. Isso reflecte a cultura da equipa?
OP: Acho que sim. Não é fácil lutar simultaneamente pelos títulos de Construtores e de Pilotos com dois pilotos tão equilibrados, mas era um “problema” que sabíamos que teríamos. Há momentos difíceis e alguma tensão, claro, mas ambos nos tornámos melhores pilotos ao puxarmos um pelo outro. Tivemos muitas conversas ao longo do ano e certamente teremos mais na pré-época. No fim, a equipa deu-nos a ambos a melhor hipótese possível de lutar de forma justa pelo título — e isso é tudo o que se pode pedir.










