GP Abu Dhabi F1: Q&A com Oscar Piastri

Por a 8 Dezembro 2025 10:33

Após uma temporada intensa que o levou a liderar o campeonato durante grande parte do ano, Oscar Piastri encerrou 2025 com mais um pódio e com a convicção de ter dado um passo decisivo na sua evolução como piloto de Fórmula 1. Na conferência pós-corrida, o australiano refletiu sobre o fim de semana, a época, a luta interna na McLaren e as lições que leva para o futuro.

Q: Oscar, muitos parabéns pelo 16.º pódio da temporada. Que balanço fazes da corrida e do fim de semana?

OP: Sinceramente, foi bastante bom. Não ficou nada por fazer. Tentámos apostar na estratégia para criar opções diferentes e esperar que tudo se alinhasse a nosso favor, mas isso não aconteceu. Tendo perdido uma sessão de treinos, demorou um pouco a ganhar ritmo. Acho que foi o máximo que podíamos alcançar hoje — não tínhamos resposta para o ritmo do Max. Por isso, estou satisfeito com o fim de semana. Não havia muito mais que pudéssemos fazer.

Q: E a temporada como um todo? Lideraste o campeonato durante mais tempo do que qualquer outro piloto.

OP: Gostaria de um final um pouco diferente, claro, mas aprendi imenso — como piloto e como pessoa. Se me apresentassem no início do ano uma época com pole positions, vitórias e pódios, ficaria muito satisfeito. Até nos momentos difíceis aprendi bastante e sei que isso me tornará mais forte no futuro. Há alguma desilusão, naturalmente, mas posso estar muito orgulhoso da época que fiz e das lições que levo comigo.

Q: O que tens a dizer sobre Lando Norris e o título que conquistou?

OP: É um vencedor muito merecido. Sei que todos os fins de semana a luta com ele é difícil. Temo-nos levado mutuamente ao limite nos últimos três anos, e este foi o mais renhido de todos. Teve uma grande época e merece o título.

Q: Apesar da desilusão de não alcançar o objetivo final, encaras esta época como um sucesso?

OP: Sem dúvida. Comparar carreiras é sempre difícil, mas posso estar muito orgulhoso do que fiz. Em relação aos meus primeiros dois anos na F1, esta temporada esteve a um nível muito superior. Mesmo que o resultado final não seja o desejado, sinto um enorme otimismo e força por ter provado a mim mesmo do que sou capaz. São aprendizagens que não dependem apenas dos resultados e que levo comigo para os próximos anos. É apenas a minha terceira época; espero ter muitas mais pela frente.

Q: Que lições foram mais importantes? Vieram de corridas como Austin ou México, ou vão além disso?

OP: Ambas. Aprendi muito sobre como conduzir melhor em diferentes condições e tornar-me um piloto mais completo. E também aprendi muito fora do carro — lidar com adversidade, com momentos difíceis, compreender melhor quem sou. São lições dentro e fora de pista que me ajudarão bastante no futuro.

Q: Faltam 91 dias para Melbourne. Como vais preparar o período de pausa?

OP: É bom ter outra pausa de verão. Vou regressar à Austrália para ver a família e amigos, fazer as minhas visitas anuais. Estou ansioso por algum tempo longe das corridas — foi uma época longa e exigente. Conduzir os carros mais rápidos do mundo é fantástico, mas uma pausa sabe sempre bem. Quero simplesmente não pensar em carros de corrida por uns tempos e aproveitar quem está à minha volta. Depois, claro, a nova época aproxima-se rápido, por isso é importante voltar fresco para os novos desafios.

Q: Vais conseguir ver algum jogo de críquete no inverno?

OP: Ah, sim, vou.

Q: Achaste que a vitória da Austrália no Ashes era um sinal de sorte antes da corrida?

OP: Foi bom que os rapazes tivessem fechado a série antes da corrida começar. Espero ir ver algum jogo — idealmente o Boxing Day, sendo em Melbourne. Uma parte de mim quer que a série ainda esteja viva nessa altura, outra não tanto… seja como for, têm sido semanas muito divertidas de acompanhar.

Q: Estiveste em várias lutas por títulos noutras categorias. Disputar um campeonato de F1 é comparável?

OP: Há semelhanças, sim. As emoções são parecidas. Mas na F1 o calendário é muito mais longo — o meu campeonato júnior mais extenso teve dez rondas; este teve duas vezes e meia isso. A duração torna tudo mais intenso. E os riscos também são diferentes: nas categorias inferiores queres provar que mereces chegar à F1; na F1 só há um objetivo — ser campeão. Mas, sim, há pontos em comum.

Q: A dinâmica interna com o Lando muda agora que ele é campeão? Será mais difícil lutar com ele?

OP: Não, não acho. Ele teve uma grande época e merece o título, mas continua a ser o Lando Norris — não se tornou no Superhomem. Espero total equidade por parte da equipa e não tenho qualquer preocupação quanto a isso. O Lando fez um grande trabalho este ano, mas a nossa relação competitiva mantém-se igual.

Q: A McLaren recebeu críticas pela gestão entre ti e o Lando, mas atravessaram o ano sem conflitos significativos e conquistaram o título. Isso reflecte a cultura da equipa?

OP: Acho que sim. Não é fácil lutar simultaneamente pelos títulos de Construtores e de Pilotos com dois pilotos tão equilibrados, mas era um “problema” que sabíamos que teríamos. Há momentos difíceis e alguma tensão, claro, mas ambos nos tornámos melhores pilotos ao puxarmos um pelo outro. Tivemos muitas conversas ao longo do ano e certamente teremos mais na pré-época. No fim, a equipa deu-nos a ambos a melhor hipótese possível de lutar de forma justa pelo título — e isso é tudo o que se pode pedir.

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8 comentários

  1. jo baue

    8 Dezembro, 2025 at 12:23

    Cingindo- me à 1a pergunta, sobre a corrida de ontem, foi evidente que foi usado pela McL para proteger o Lando ao determinarem que partisse com os Hard , o que impediu o Max de usar a táctica do HAM em 2016, obrigando-o a fugir logo de início pois ontem só a vitória lhe podia interessar. Como, aliás, o Marko e o próprio Max o declararam terminada a corrida.
    Portanto, ontem uma corrida muito apática do Oscar, certamente incomodado com as amarras estratégicas, mas mostrou ser um team player. Fica com créditos para o seu futuro na mcl, dizem uns. Pessoalmente acho que devia fugir dali, e seja rápido, o Leclerc também vai querer o Astroll Martin se o projecto Ferrari de 26 falhar.

    P.S. Muito curiosas as declarações do Zack Brown ontem no calor da emoção ,” Agora queremos também ganhar com o Oscar”.

  2. Pity

    8 Dezembro, 2025 at 13:02

    “continua a ser o Lando Norris — não se tornou no Superhomem” . Boa resposta. Aliás, gostei de todas as respostas.
    Ninguém pode saber que surpresas nos reserva o novo regulamento mas, se a McLaren tiver capacidade para voltar a lutar por títulos, espero que continue com a mesma abordagem, mas sem “Monzas” e que o Piastri não tenha “Bakus” a atrapalhá-lo.

  3. Pity

    8 Dezembro, 2025 at 13:17

    Porque é que as declarações do Zak Brown são curiosas? Porque é que não podem ser sinceras? O Piastri é diferente do Norris em personalidade, mas é igualmente bom piloto, tem tanta capacidade para ser campeão como o Norris, só precisa de aperfeiçoar o seu entendimento de pistas de pouca aderência.
    O Jo baue, desde que perdeu as quatro garantias, está mais venenoso ainda 🙂

  4. jo baue

    8 Dezembro, 2025 at 14:58

    Pois acho que é mais a Pity com a sua maneira de interpretar o que se passa dentro e fora da pista sempre e só na direcção da sua paixão pelo Landinho ! Tenho ligação a duas inglesas por afinidade, e bem sei como é se alguém toca nele, vêem logo a correr lol !

  5. jo baue

    8 Dezembro, 2025 at 15:07

    vêm

  6. Pity

    8 Dezembro, 2025 at 15:50

    Talvez seja, jo baue, mas eu fui educada a acreditar nas pessoas. Para mim todas são sérias, até elas me provarem que o não são. E olhe que sou muito boa a julgar caracteres. Até hoje, só julguei mal o caracter de duas pessoas.
    E já agora, não é paixão, é simpatia. Já não tenho idade para paixões.

  7. jo baue

    8 Dezembro, 2025 at 17:44

    Sabia que os italianos ( portanto, aqueles que têm a fama de ‘ machos latinos’) usam o verbo ‘ amare’ para se referirem à sua forte ligação aos seus ídolos desportivos ?

  8. Cágado1

    9 Dezembro, 2025 at 14:45

    Oh Pity, que desgosto essa de já não ter idade para se apaixonar. Eu que acalentava tantas esperanças de encontrar o amor agora que cheguei à 3ª idade, graças a esta paixão que nos une pelo desporto automóvel. Imaginava-nos os 2 debaixo de um cobertor, com a lareira acesa, a ver em directo o GP da Auatrália, tomando o nosso chazinho 💔💔💔
    (Pelo que vou conhecendo de si, julgo que vai achar graça a este comentário pateta. Se estiver enganado, peço que não leve a mal a brincadeira.)

    Quanto a Monza, pergunto-me se serei eu o único a achar que a McLaren tomou a decisão correcta?… Foi muito menos interventiva que na Hungria no ano passado, em que alterou uma vitória, e na altura a maioria das pessoas achou bem. A política é tirar da frente o factor equipa e deixar os seus 2 pilotos serem julgados apenas pelo seu desempenho. Não chega para compensar quebras de motor, mas os outros pequenos detalhes, parece-me bem.

    A forma como marcou esta corrida foi o exemplo perfeito, deu ao Piastri a única arma que poderia ter (caso tivesse conseguido passar o Verstappen), ao mesmo tempo que jogava na protecção de Norris (caso não conseguisse). Foi absolutamente de mestre, a compensar o disparate do Qatar.

    Como o Piastri acho que o Norris não virou super-homem e continuará alcançável. Como o Zak Brown, acho que o Piastri tem tudo para ser campeão com a McLaren, se ela continuar a ser competitiva.

    Embora o campeão tenha sido o Norris, para mim o piloto do ano foi o Piastri, pela evolução que teve. Tiro tb o meu chapéu ao Verstappen, pela forma como lutou na adversidade, sem demasiada choraminguisse ou agressividade.

    Um campeonato para lembrar muitos anos.

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