Lewis Hamilton enfrenta uma primeira metade de temporada desafiante na Scuderia Ferrari. Depois do entusiasmo inicial com a nova aventura, instalou-se uma desconfiança crescente. Muitos apontam o dedo ao piloto britânico, mas a Ferrari também poderá ter a sua quota-parte de responsabilidade.
A adaptação de Hamilton à nova realidade nunca seria simples. Após uma carreira inteira na Fórmula 1 a trabalhar com equipas britânicas e motores Mercedes, o heptacampeão mundial encontrou em Maranello uma filosofia diferente, uma nova forma de trabalhar e… um nível de pressão e escrutínio ainda mais intenso.
O chefe de equipa da Ferrari, Fred Vasseur, reconheceu que tanto ele como Hamilton poderão ter subestimado a dimensão do desafio. Apesar de alguns bons resultados — como a vitória na corrida sprint na China e os quartos lugares em Ímola, Áustria e Silverstone — Hamilton tem sido, no geral, superado por Charles Leclerc.
Segundo Vasseur, a mudança representou “uma enorme alteração” para o britânico, envolvendo cultura, equipa, software e carro.
“Acho que talvez tenhamos subestimado o desafio para o Lewis no início da temporada”, admitiu o francês. “Ele passou quase 10 anos com a McLaren e depois 10 anos com a Mercedes — são quase 20 anos no mesmo ambiente. Foi uma grande mudança em termos de cultura, pessoas, software, carro… em todos os aspetos. Talvez o Lewis e eu tenhamos subestimado isso. Mas estou muito satisfeito porque, nas últimas quatro ou cinco corridas, ele voltou ao ritmo.”
O período de adaptação tem, contudo, trazido frustrações. Após o GP da Hungria, Hamilton mostrou descontentamento, mas garantiu que vai aproveitar a pausa de verão para “recarregar energias” e regressar mais forte.
Vasseur acredita que Hamilton está a reencontrar a sua melhor forma. O objetivo para a segunda metade da época será acelerar a integração do britânico na Ferrari e transformar esta parceria num projeto verdadeiramente competitivo na luta pelo título.
Foto: Philippe Nanchino /MPSA











