Depois do que foi o arranque deste Mundial de Fórmula 1, muitos quiseram acreditar que o que se viu nas primeiras corridas, colocava finalmente a Ferrari em linha para fazer o que já não consegue há 14 anos, agora 15 com a confirmação do título de Max Verstappen, ter um piloto seu Campeão do Mundo e há 13, ser Campeã de construtores.
Mas havia quem tivesse sérias dúvidas, e sentisse que ainda não seria desta. Na verdade, o carro parecia bom o suficiente, a equipa teve um bom ano de 2021 depois de um 2020 muito pobre, mas o que 2022 mostrou foi que o que sucedeu no início do ano era uma espécie de fogo fátuo, tão incrível foi o rol de problemas durante as corridas que se seguiram. Mas ouvindo ou lendo o líder da equipa, Mattia Binotto, parecia não ver o que de fora todos víamos.

É verdade que a Scuderia tem um monolugar competitivo, mas que também apresenta problemas que nunca foram resolvidos, o desgaste excessivo de pneus. A fiabilidade da unidade motriz não ajudou, é verdade, mas depois de ter estado na discussão do terceiro lugar dos Construtores no ano passado, a Ferrari surgiu desde cedo este ano capaz de discutir vitórias. Ainda nos testes de pré-temporada, todos na equipa italiana se mostraram confiantes em somar bons resultados. Isso aconteceu nas primeiras três corridas, numa altura em que a Red Bull sofria com os seus próprios problemas de fiabilidade, mas nas cinco corridas seguintes a Scuderia perdeu muitos pontos para os seus rivais diretos, a equipa de Milton Keynes.
No Canadá, na Grã-Bretanha e Áustria ainda conseguiram responder, mas terminaram a primeira metade da época com resultados fracos em França e na Hungria.
Foram perdidas demasiadas oportunidades devido a erros e questões de fiabilidade, mas desconfia-se que os problemas da Scuderia são os mesmo de há muito, típicos, característicos, exclusivos…
O primeiro sinal: depois de duas vitórias em três corridas, desde aí voltou apenas a triunfar duas vezes em nove corridas, e não foi por falta de competitividade do F1-75: nesse período Charles Leclerc e Carlos Sainz asseguraram seis pole-positions, que só por uma concretizaram numa subida ao degrau mais alto do pódio.
Os problemas da Ferrari devem-se a três vetores que, como tudo na Fórmula 1, são de capital importância para que uma equipa, sobretudo para uma que lute por vitórias e títulos, seja bem-sucedida – fiabilidade, erros de pilotos e estratégia. E a Ferrari falhou nas três…
Estas três vertentes custaram vitórias à ‘Scuderia’ em Espanha, Mónaco, França e Hungria e talvez no Azerbaijão, isto sem contar com posições do pódio que se perderam por um motivo ou por outro. Com desilusões desta ordem, é difícil poder estar na luta pelos títulos, apesar da equipa ter um carro competitivo.
A Ferrari tem bons pilotos, um bom carro, mas não tem os melhores de muitos outros lugares chave numa equipa de F1, e se no passado, quando se gastava o que fosse preciso para ter os melhores, hoje em dia isso é muito mais difícil e já houve inúmeros exemplos de grandes profissionais que passaram por Maranello, mas não ficaram lá muito tempo.
Até Adrian Newey esteve quase a rumar à Ferrari…
Se fosse feita uma comparação direta entre a Ferrari e outras das melhores equipas quanto ao Diretor de Equipa, Diretor Desportivo, Diretor Técnico, Designer Chefe, Diretor Engenharia, Diretor Motores, Chefe Aerodinâmica, Diretor Aerodinâmica, Diretor Estratégia, etc, desconfiamos que a Ferrari ficaria ainda mais a perder do que o que se vê em pista…
E isso mais cedo ou mais tarde, paga-se em pista…










