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Fórmula 1 de 2017: Cinco segundos mais rápidos ou não?

José Luis Abreu by José Luis Abreu
23 Novembro, 2016
in Destaque Homepage, F1, FÓRMULA 1
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Fórmula 1 de 2017: Cinco segundos mais rápidos ou não?

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Tendo passado algum tempo no desenvolvimento dos novos Fórmula 1 já há quem ache que os carros não vão ser assim tão rápidos quanto foi pensado de início. Mas há também quem esteja mais preocupado com a qualidade das corridas, ao fim ao cabo, o que verdadeiramente interessa…

Pat Symonds, diretor Técnico da Williams é de opinião que o que se tem vindo a dizer relativamente aos Fórmula 1 de 2017 é demasiado otimista, já que o inglês não acha que na maioria das pistas se atinja a marca média de menos cinco segundos por volta. O inglês é de opinião que os carros vão ser mais rápidos, mas apenas ao nível de meados dos anos 2000, referindo acreditar em valores a rondar os quatro segundos menos por volta. Symonds acha que numa pista como Barcelona será possível chegar à ‘tal’ marca de cinco segundos, mas já duvida que o mesmo suceda em Monza: “Penso que uma curva típica de 200 km/h vai ter velocidades cerca de 30 a 35 km/h mais elevadas e com os pilotos a sentirem muito mais as forças G. Não acredito que se atinja a marca de cinco segundos a menos por volta, e para além disso ainda há a questão dos pneus, que não sabemos como vão ser. Em Barcelona os carros vão ser muito rápidos, mas já em Monza, com a aderência dos pneus mais largos, não me parece que os tempos vão cair muito” disse Symonds, que refere ainda uma questão muito importante em todo este desenvolvimento. É que há sete anos, na transição de 2008 para 2009 as equipas podiam trabalhar nos túneis de vento muitas horas, quinze por dia, e hoje em dia estão limitadas a 65 horas por semana. É uma enorme diferença. Ao longo do tempo, muita coisa tem sido dita relativamente aos novos F1 de 2017, e por isso vamos recordá-lo…

Pascal Wehrlein ‘confirma’ 5 segundos…

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Pascal Wehrlein acredita que é realista esperar uma queda de cinco segundos nos tempos por volta no campeonato de Fórmula 1 do próximo ano. O piloto da Manor e contratualmente ligado à Mercedes é uma das restritas pessoas a ter testado os pneus que a Pirelli tem vindo a desenvolver para o próximo ano, tendo substituído recentemente Lewis Hamilton nessas tarefas: “Não posso dizer muito, mas sim – os pneus são mais rápidos. Cinco segundos por volta é bastante realista”, confirmou. “Se serão cinco ou quatro segundos teremos que esperar para ver, mas os carros serão muito mais rápidos. Além disso, os pneus mais largos parecem muito melhores”. Tanto Paul Hembery, diretor da Pirelli, como Sebastian Vettel, outro dos eleitos a ter testado os novos pneus, referiram anteriormente ser difícil antecipar o quão mais rápido serão os tempos por volta, uma vez que os muletos que estão a ser utilizados nos testes não produzem ainda a carga aerodinâmica necessária que será gerada pelos carros do próximo ano. Wehrlein partilha a mesma opinião: “Teremos que ver como serão com os carros de 2017, mas os novos pneus garantem mais aderência. É um facto”, concluiu.

Berger preocupado com o espetáculo

Gerhard Berger questionou se as regras da Fórmula 1 previstas para 2017 serão boas para a modalidade. Os novos regulamentos preveem carros e pneus mais largos, e Berger entende que em termos estéticos é uma coisa positiva, mas em declarações à austríaca Servus TV está muito renitente com o espetáculo que dão os F1 de hoje: “Se vai permitir o espetáculo que todos esperamos, duvido seriamente. Vamos efetivamente ter tempos mais rápidos por volta de dois, três, quatro segundos, mas os adeptos não se apercebem bem da rapidez dos carros na TV. A modalidade mais espetacular hoje em dia é claramente o MotoGP, a perceção é claramente essa, mas na verdade são 20 segundos mais lentos por volta. O rácio de potência é completamente diferente da F1 e acho que isso é a chave para haver corridas mais espetaculares”, disse Berger, que é de opinião que se devem repetir receitas de sucesso comprovado: “Se retirarem aderência e aumentarem a potência os carros serão muito difíceis de pilotar e acho que essa é a direção para que a F1 deve ir. No meu tempo tínhamos corridas espetaculares, chegámos a ter 1400 cv nos motores de qualificação e isto com metade da aerodinâmica de hoje. Era como pilotar uma bala de canhão às voltas numa pista. Quase nem conseguíamos falar porque nos faltava o fôlego, e no fim das corridas quase tínhamos que ser retirados dos carros porque estávamos demasiado cansados. Temos que voltar a esse tipo de coisas”, concluiu Berger.

É verdade que os anos 80 foram entusiasmantes na Fórmula 1, mas, tal como acontece com muitos adeptos, este é um tipo de revivalismo que não leva a lado nenhum, pois nenhuma disciplina do desporto automóvel pode repetir receitas de há trinta anos, pois o mundo mudou muito desde aí. Há efetivamente muita coisa que pode ser feita, e o facto das equipas terem cada uma os seus interesses não tem permitido que se cheguem a acordo quanto ao rumo a tomar – o Grupo Estratégico é completamente inútil inclusivamente em decisões de situações ‘menores’.

Berger tem razão quando diz que os carros serão mais espetaculares, disso não há dúvida, é verdade que o MotoGP é mais espetacular, mas quanto a isso basta perceber que no MotoGP onde cabem quatro motos, cabe um carro de F1, e isso faz a diferença toda no espetáculo, pois podemos ter, no limite quatro motos a curvar ao mesmo tempo, muito juntas, e se fossem quatro carros, ocupavam bem mais pista. Isto faz uma diferença enorme nas corridas. Basta ver o Karting, o simples facto dos karts serem largos já não permite tão facilmente as ‘molhadas’ das motos.

Outra coisa que Berger diz e que é verdade, os carros serem muito mais rápidos por volta não é percetível na TV, mas já o é ao vivo. Quem vê corridas percebe facilmente quem está a andar bem e quem não está.

Berger diz também que “Se retirarem aderência e aumentarem a potência os carros serão muito difíceis de pilotar e acho que essa é a direção para que a F1 deve ir.” Os engenheiros de F1 querem desenhar o carro mais rápido possível, e essa procura da perfeição levou ao enorme crescimento da aerodinâmica. É fantástico olhar para um F1 e ter um engenheiro a explicar para que serve tudo aquilo, mas neste caso acabamos por concordar um pouco com Berger, porque os carros do dia a dia aproveitam muito pouco. Só mesmo nos super carros. Se aligeirassem muito a aerodinâmica na F1, o espetáculo não perdia nada, mas isto acaba por ser um paradoxo, pois a F1 é o pináculo, e tem que o ser a todos os níveis. Não fazia sentido deixar de haver tanta aerodinâmica na F1 e haver o risco de disciplinas mais abaixo terem carros aerodinamicamente mais evoluídos.

Os carros de 2017 vão ser claramente mais difíceis de pilotos, o aspeto físico vai voltar a ser um fator na F1, e a explicação é muito simples. Alguém acredita que com tanto apoio aerodinâmico e com pneus e carros tão largos os pilotos não vão ter mais dificuldades físicas em pilotá-los?

Ultrapassagens vão ser um problema na F1 em 2017?

O presidente da Pirelli, Marco Tronchetti Provera deu uma entrevista à Speedweek onde diz que os Fórmula 1 vão ser no próximo ano cerca de 4.5s mais rápidos comparativamente aos atuais. Pneus mais largos, mais aerodinâmica, os Fórmula 1 vão perder alguma velocidade nas retas, mas, no cômputo de uma volta, serão os tais 4.5 mais lestos. Sem dúvida que é uma questão importante, os carros irão ser muito mais agressivos, mais vistosos, rápidos, mas há um pormenor que muitos estão a esquecer, é que com o incremento de grande percentagem na aerodinâmica, isso pode não ajudar nada nas ultrapassagens.

Depende! Em 2014, os monolugares de Fórmula 1 passaram a ter menos apoio aerodinâmico, e isso poderia equivaler a mais ultrapassagens, porque em teoria os carros poderiam rodar mais perto dos carros da frente, só que houve uma questão que o impediu. Os pneus. Devido a terem menos aderência, os pilotos tiveram muito mais desgaste nos pneus e as ultrapassagens diminuíram. A média de ultrapassagens na F1 passou de 52 em 2013 para 43.59 em 2014.

Isto significa que as preocupações da Pirelli com os atuais testes dos pneus de 2017 são genuínas pois se os italianos não desenvolverem pneus que não se degradem tanto mas que por outro lado não sejam duros demais para permitir bons tempos por volta, os 4.5s a menos por volta ficarão muito bem nas folhas de tempos mas serão inúteis nas corridas. Claro que os espetadores notarão que os carros são rápidos, mas é preciso olharem para a questão das ultrapassagens. Hoje em dia, não sendo fácil, as coisas melhoraram com um pormenor muito simples, a FIA aumentou um set de pneus, e isso faz com que haja carros em pista mais vezes com pneus diferentes, o que resulta naturalmente em mais ultrapassagens. Por outro lado, este é o terceiro ano da era híbrida, e as equipas estão mais juntas do que nunca e isso permite mais ultrapassagens. A diferença de 2015 para este ano é abismal. Vamos ver como será para o ano, mas as nuances dos próximos carros são interessantes. Mas isso fica para depois…

Paul Hembery diz que 2017 vai ser uma super-F1

Os carros da Fórmula 1 de 2017 vão ser muito mais rápidos, graças ao nível muito maior de aderência. Mas também vão ficar muito mais estáveis, de acordo com Paul Hembery, diretor desportivo da Pirelli. Quanto mais rápidos? Vão andar sobre carris, diz Hembery. De acordo com o responsável pelo programa desportivo da marca italiana de pneumáticos, “quando se faz uma curva a uma velocidade tão elevada, com muito mais aderência, e vai ser possível fazer voltas cinco a seis segundos mais rápidas, os pilotos vão sentir isso de forma dramática. Nessa altura, já vão andar como se estivessem em carris. A sensação de aderência vai ser tanta, que ninguém vai sentir andar no limite”.

Tags: 2017Formula 1Pat Symonds
José Luis Abreu

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Entre curvas e muito pó, descobri que o olhar treinado pela fotografia e a paixão pelos ralis só podiam levar a um destino: o jornalismo desportivo. E já lá vão mais de 30 anos…

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