FIA diz que F1 não pode ficar “refém” das vontades dos fabricantes de automóveis
Aos poucos, os responsáveis da F1 e da FIA vão admitindo que os fundamentos deste regulamento foram mal delineados. A vontade de agradar às marcas acabou por levar a F1 para um modelo técnico difícil de aplicar e que resultou em corridas que não agradam a uma larga maioria. A F1 e a FIA querem evitar esse erro no futuro.
50/50 não foi proposta da FIA
Nikolas Tombazis, diretor de monolugares da FIA, admitiu em declarações ao Motorsport.com que o princípio da divisão 50/50 entre potência elétrica e combustão, pilar fundamental do regulamento 2026, foi essencialmente ditado pelas prioridades de mercado dos fabricantes de motores na altura em que as regras foram concebidas, e não por critérios puramente desportivos. Tombazis não propôs esse conceito, mas coube à sua equipa transformá-lo numa realidade competitiva, o que obrigou a inúmeros compromissos para gerir os ciclos de recuperação e distribuição de energia elétrica.
As declarações ecoam o que o CEO da F1, Stefano Domenicali, tinha afirmado duas semanas antes. Com a necessidade de definir as bases do próximo ciclo regulamentar ainda este ano, a mensagem é clara: não se pode repetir o erro de construir regras em torno de prioridades industriais que podem mudar antes de serem implementadas.

Um regulamento novo, que não serve nem às marcas, nem à competição
Para agradar às exigências das marcas que, por altura em que este regulamento foi desenhado, mantinham uma aposta forte na eletrificação, a F1 cedeu no compromisso de dar igual palco à energia elétrica. O cenário é agora de um mercado elétrico sem a evolução pretendida, com o regresso à aposta nos motores a combustão, com soluções eletrificadas. A F1 vê-se assim com um regulamento que não reflete a realidade do mercado automóvel e que não agrada aos fãs.
É por isso que Tombazis não quer ver repetido este cenário onde todos ficaram a perder:
“É verdade que o panorama político mudou e, quando discutimos as atuais regulamentações, os fabricantes de automóveis que estavam muito envolvidos disseram-nos que nunca mais iriam fabricar um novo motor de combustão interna”, disse Tombazis. “Iriam eliminar gradualmente os motores de combustão interna e, até um determinado ano, seriam totalmente elétricas.
Obviamente, isso não aconteceu. Isso não significa subestimar a importância da eletrificação a nível global, mas não aconteceu tanto como se previa. Em segundo lugar, uma das histórias pouco comentadas, por não ser algo visível, é que optámos por combustíveis totalmente sustentáveis. E acho que esse é um resultado razoavelmente bom.”

“Não podemos ficar reféns da decisão dos fabricantes de automóveis”
“Em termos de onde queremos estar no futuro, precisamos de proteger o desporto da situação macroeconómica mundial, o que significa que não podemos ficar reféns da decisão dos fabricantes de automóveis de participar ou não no nosso desporto.
Queremos que participem no nosso desporto, com certeza, é por isso que trabalhamos tanto para garantir a participação de novos fabricantes de automóveis. Mas também não podemos ficar numa posição em que, se eles decidirem que não querem, fiquemos subitamente vulneráveis, pelo que precisamos de continuar a trabalhar para reduzir custos.
E, finalmente, se vamos mudar alguma coisa para o próximo ciclo, precisamos de começar a discutir isso muito em breve, porque o tempo necessário para fabricar uma unidade motriz, um motor e tudo o resto é bastante longo. Portanto, sim, pode parecer um pouco estranho discutir estes assuntos apenas algumas corridas depois do início, mas esse é o ciclo natural da discussão e o momento em que ela precisa de acontecer.”
Evitar erros… mas como?
A F1 quer evitar o que já aconteceu no passado, com outras competições… regulamentos feitos à medida para certos fabricantes que depois saem, ficando a competição em risco. A vontade de falar já do próximo regulamento técnico pode mostrar duas coisas: o desejo de não repetir erros e pensar de forma sustentada o próximo passo; ou abrir a porta a um novo ciclo, mais cedo que o inicialmente planeado. São poucos os que gostam desta nova regulação e talvez a FIA queira trabalhar já em novas soluções para poder antecipar o fim deste regulamento.
Com esta decisão de deixar de depender do que as marcas querem, a F1 pode seguir o seu caminho, sem depender de outrem. Corre o risco de ver menos marcas a aceitarem o desafio, mas pode dar-se a esse luxo, pois a montra que criou é tão grande que, mesmo que a tecnologia não corresponda ao que a marca pretende, poderá haver vontade de estar envolvida.
A pergunta que mais deve preocupar quem manda é simples: qual o caminho a seguir? Regresso ao passado, com os V8 e até os V10 a serem referidos? Que tipo de eletrificação? Que tecnologia deve ser aposta, num mundo que agora muda tão depressa? Pensar no que será 2031 é um desafio com demasiadas incertezas. É necessária muita ponderação, pois a F1 não se pode dar ao luxo de errar novamente de forma tão clamorosa.
Fotos: MPS Agency
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